Arquivos | setembro, 2010

Primavera

30 set

Apesar desse tempo maluco em São Paulo (chove, faz frio, calor, neva hahaha) algumas diferenças de estação já podem ser notadas. Muitas flores estão brotando, folhas caindo, passarinhos cantarolando sem parar e o verde ficando mais bonito.

Aproveite a beleza da vida, pedale, caminhe, saia da bolha!!! A cidade te espera, a natureza também…

Encontro de Outubro

29 set

Lembrando que em caso de chuva o encontro está automaticamente: CONFIRMADO.

Porque quando chove a gente se abriga um pouquinho, espera diminuir, mas não deixa a vida de lado, até porque o ar fica bem menos poluído!

Assédio nas Ruas

28 set

Foi ao fazer um outro post que cheguei ao assunto e à sua possível ligação com a pequena proporção de mulheres que utilizam a bicicleta como meio de transporte. Me deparei com a hipótese nesse blog, e agora, após fazer uma pequena pesquisa e organizar os pensamentos, volto a desenvolver o tema.

Pois então, a que me refiro quando falo em “assédio”? A resposta é bem ampla, e vai desde estupro até os mais “inocentes” assovios bem conhecidos por qualquer mulher que transita nas ruas desta e outras grandes cidades. Mas minha intenção agora é focar nessa segunda maneira de assédio, que me preocupa justo por ser tão comum, ter relativa aceitação social e por sua falsa aparência inofensiva.

Tais assédios expõem a mulher publicamente, independente de sua vontade, e a coloca numa situação constrangedora, quando não humilhante. O espaço individual é violado ao momento em que ocorre uma interação forçada. Alem do que, declara que  a pessoa abordada é um objeto a ser utilizado pelo outro. Trata-se de um objeto sexual, e nada mais.

Seguindo essa linha de pensamento, não fica difícil entender porquê o assédio nas ruas pode ser um dos motivos pelos quais há menos mulheres do que homens pedalando. Como pode alguém se apropriar tranquilamente de um espaço no qual não se sente à vontade, onde há o risco de ser constrangida a quase qualquer momento? Sobre a bicicleta isso parece mais difícil ainda, já que ciclistas destacam-se visualmente. Alem, é claro, de chamar atenção pela  imagem “excêntrica”: a mulher pedalando se mostra forte e corajosa ao encarar certas avenidas movimentadas, atitude não muito esperada do tal “sexo frágil”. Parece papo de décadas atrás, mas, acreditem, esse valor ainda está vigorando fortemente hoje em dia.

A mulher sair de casa sozinha e ir trabalhar já não é novidade; entretanto, quando pisa a rua, comumente é tratada de maneira hostil, como não pertencente ao espaço público -  “se o faz, é por sua conta e risco”, como citado nesse artigo -  ainda relegada ao espaço privado, à proteção do lar ou mesmo do local de trabalho, mas não à rua.

A esfera privada – seja a casa ou o carro – oferece uma (questionável) sensação de privacidade e segurança que não se tem no ônibus, na calçada, nem sobre a bike. E isso tudo é somado à vigente carrocracia, opressora a qualquer ser não motorizado. É de se esperar que alguem queira alienar-se de um mundo que lhe parece hostil.

(acima, video da campanha Stop Street Harassment)

O medo tambem é um fator de peso nessa história toda. Dependendo da abordagem, algumas mulheres podem se sentir ameaçadas. A propósito, uma pesquisa mostra que é comum estupradores provocarem verbalmente uma vítima potencial para avaliar se ela reagiria a um ataque físico. Seria exagero dizer que um mero “ê, lá em casa” pode soar como uma ameaça para uma pessoa que a maior parte dos dias é publicamente afirmada como objeto sexual? Por mais clara que seja a não-intenção de que a ameaça seja efetivada, uma “brincadeira” dessas não é brincadeira.

Tá. Diante disso, o que fazer?

Podemos começar pela conversa com amigos homens. Muitas vezes pessoas queridas têm dificuldade em se colocar no lugar dos outros, não sabem o quanto algumas atitudes são violentas e prejudiciais. E cabe a nós ajudá-los a entender. Contar como se sente, mostrar que isso não é bacana…

Para o momento do assédio, há uma série de dicas aqui. Eu geralmente respondo, diferentemente da maioria das mulheres, que prefere apenas ignorar. Por um lado, entendo que essa é uma postura conivente com a violência; por outro, às vezes é melhor se preservar, e desenvolver um trabalho emocional para se deixar atingir o mínimo possível, já que não há como criar uma barreira absoluta que não seja sair da rua. Mas sair da rua não é uma possibilidade, nem um desejo, nem seria uma solução.

reação de algumas mulheres - "aqui pra voces, ó"

Não vou me inibir em ir para onde e como quero. Deixar de sentir os espaços, ver os detalhes, ter acesso à cidade sem precisar de motor nem dinheiro está fora de cogitação. Esconder não vai ajudar em nada, pelo contrário. Aliás,  sabe aquele papo de “não pedalar pelo canto da rua, e sim próximo ao centro da faixa”? Pois é, isso é se impor, é tomar o espaço que é seu! Essa postura é importantíssima para uma mulher que pedale ou mesmo caminhe pela cidade. É não se deixar inibir; é dizer, com o corpo, “Estou aqui e não vou me desviar tão fácil”. A rua é nossa!

Mãe de Pedalina…

27 set

Pedalina é!!!

Às vésperas do Dia Mundial Sem Carro convenci minha mãe a não utilizar o carro para ir trabalhar!!! Ela (muito obediente) fez o percurso só de bicicleta!!! Atitude louvável já que pedalar no nordeste – ela mora em Aracaju/SE – não é lá essas maravilhas, considerando:

1- O calor infernal que faz! Até o vento é quente e úmid0;

2- Quase impossivel pedalar com a roupa que vai trabalhar. O ideal é levá-la numa mochila, tomar banho e se trocar ao chegar no destino;

3- O motoristas correm mais, ja que tem pistas mais livres;

4- As (poucas) ciclovias que existem lá estão deterioradas e mais parecem cicloterras para fazer downhill..

De todo modo, eles estão de parabéns!!! Meu orgulho!!!

PS.: Dona Eva (minha mãe) é a que está de vermelho, no canto direito

.

CPTM, deixe a minha dobrável em paz!

24 set

 Lucy, a bicicleta dobrável da Marina

 

22 de setembro = DIA MUNDIAL SEM CARRO

Estação de trem Vila Olímpia – 21:30h

 Mais um dia de deslocamento de bicicleta + trem. Voltava para casa com uma alegria enorme por ter participado da bicicletada surreal do DMSC. Dobrava minha bicicleta ao lado das catracas da estação quando um funcionário da CPTM me abordou. Abaixo reproduzo o longo diálogo, em negrito as frases do funcionário:

 -Senhora, vou pedir que nem dobre a bicicleta porque a senhora não poderá embarcar.

 Como assim? Esta é uma bicicleta dobrável. Dobrada, ela se transforma em um volume dentro dos tamanhos permitidos pela CPTM! (não acreditando que denovo estava passando por isso..)

 Mas não deixa de ser uma bicicleta.

 E qual o problema? Bicicleta não é arma. Ela se transforma num volume dentro dos tamanhos permitidos pela CPTM! (2ª vez que eu falava dos tamanhos..)

 Tem o bicicletário ali do lado.

 Mas eu preciso dela ao chegar no meu destino, por isso eu a carrego.

 Mas a senhora não pode dobra-la aqui, tem que dobrar lá fora. (visivelmente tendo percebido que eu conhecia os meus direitos, quis dificultar mais a situação…)

 Estou dobrando aqui porque considero mais seguro.

 A senhora pode dobrar ali no bicicletário.

 Desculpe mas vou dobra-la onde considerar mais seguro, já que a estação está vazia e não estou atrapalhando o fluxo de ninguém, vamos usar o bom senso amigo.

 São normas da empresa. (cabia aqui a humildade: percebeu que está errado, não culpe a empresa inventando “normas”, peça desculpas, sorria e siga seu caminho… – nem precisa sorrir se não quiser..)

 A norma é que eu posso embarcar com meu volume dentro dos tamanhos… (3ª vez…)

 A senhora dobrando aí outros usuários vão ver e vão questionar. (hein?)

 Aí você responde pra eles que bicicleta dobrável pode embarcar em qualquer horário, porque se transforma num volume dentro dos tamanhos permitidos pela CPTM. (4ª vez..)

 Você precisa embalar. (ahá! Te peguei!)

 Ok.  (Saco da bolsa a capinha da bicicleta e a cubro.)

O funcionário se afasta falando num radinho comunicador. Pergunto a ele lá longe: você vai abrir a porta? Percebo que está sem o cadeado. Destravo o trinco eu mesma e entro, coloco meu volume do lado de dentro e volto para entrar pela catraca pagando minha tarifa. O funcionário vem para fechar a porta. Aviso a ele que registrarei uma reclamação pelo constrangimento sofrido. Ele concorda com a cabeça e eu sigo minha rotina diária e me pergunto: precisava dessa ceninha lamentável? Justo hoje, Dia Mundial Sem Carro, enquanto a SP Trans ampliava as viagens de ônibus , a CPTM tentava barrar uma bicicleta dobrável que embarca todo dia… lamentável…

 Não é a primeira vez que um funcionário da CPTM tenta me barrar. No ano passado na estação Osasco um outro funcionário tentava me convencer que eu não podia embarcar. Embarquei da mesma forma pois conhecia meus direitos. Mas muito me espanta que os funcionários saibam menos que os usuários!

 Como eu já disse anteriormente: bicicleta dobrável pode embarcar dobrada nos trens e metrôs em qualquer dia da semana e horário. As dimensões dos volumes permitidos dentro dos trens são de 1,5 x 0,6 x 0,3m. Essa informação encontra-se facilmente nos sites da CPTM e do METRO e geralmente estão fixadas nas estações e até naquelas portinhas ao lado das catracas. Os funcionários geralmente abrem estas portas para que pessoas com estes volumes (seja uma dobrável ou uma mala, por exemplo) possam passar mais facilmente pelas catracas.

Como funciona: O funcionário abre a porta, você deixa o volume do lado de dentro, sai, e acessa a estação normalmente pela catraca, volta ao local onde deixou o volume e segue seu caminho. Simples assim.

 A bicicleta dobrável tem dimensões menores que os limites estipulados para embarque nos trens. A minha, aro 20, dobrada mede: 0,80m x 0,60 x 0,30m. Existem outras, aro 16 por exemplo, que ficam menores ainda.

 Sobre a questão de “embalar a bicicleta dobrável”, eu uso uma capa de tecido, do próprio fabricante da bicicleta, fácil de colocar, retirar, e de guardar na bolsa, ou no bolso. Alguns amigos usam até um saco de lixo, só pra proteger a bicicleta, evitando que alguma parte possa sujar a roupa.

Capinha de nylon dobrada, cabe facilmente dentro da bolsa ou até no bolso

 

 Portanto ciclista: sua bicicleta dobrável pode sim embarcar. Se algum funcionário desinformado tentar impedi-lo de prosseguir instrua-o quanto aos regulamentos da empresa em que ele trabalha (sim ele já deveria saber…) e posteriormente registre a reclamação, para que constrangimentos como os que eu e mais alguns ciclistas já passaram deixem de ocorrer.

Aqui tem um vídeo que eu fiz com a RedeTV mostrando a minha rotina de intermodal bicicleta + trem:  
http://www.redetv.com.br/Video.aspx?124,28,124098,Entretenimento,Manha-Maior,Profissionais-trocam-o-carro-por-bicicleta

 Aliás, acho que a CPTM poderia até utilizar-se deste vídeo para treinar os funcionários que nos recebem com sermão nas estações, não é mesmo ciclistas de dobráveis?

Ah, aqui a resposta da reclamação do ano passado (coincidentemente na mesma época do ano):

De: OUVIDORIA (Ouvidoria@cptm.sp.gov.br)
Enviada: quarta-feira, 23 de setembro de 2009 15:28:11
Para:  
 
Anexos: 2 anexos | Baixar todos os anexos (12,6 KB)
  image001.wmz (1,0 KB) , header.htm (10,3 KB) ,
Prezada Camila, boa tarde.

Em relação à manifestação encaminhada para esta Ouvidoria em 15 de setembro, reiteramos que a senhora pode continuar embarcando com sua bicicleta dobrada, desde que devidamente embalada.

Quanto ao modo de abordagem do empregado, sua manifestação já foi encaminhada para a área responsável.

Nós, da Ouvidoria, nos colocamos à sua disposição sempre que a senhora desejar.

Atenciosamente,

Ouvidoria da

Companhia Paulista de Trens Metropolitanos

Rua Boa Vista 175 7º Andar Bloco A

01014 001 São Paulo SP

Tel: 11 3293 4529 / Fax: 11 3293 4832

ouvidoria@cptm.sp.gov.br

www.cptm.sp.gov.br

 

Já passou da hora dos ciclistas serem recebidos com respeito. Quanto mais pessoas aderirem a este modal de transporte, que permite inclusive a integração ao trem, ao metrô e ao ônibus, melhor para a cidade, melhor para todos ( inclusive para os funcionários que ainda insistem em querer complicar o que é muito prático!)

Ocupe seu espaço

23 set

Belo registro do Mathias Fingerman na Av Paulista. Encontrei aqui

Rio pra quê?

23 set

Um passeio pela ciclovia às margens do Rio Pinheiros é sempre inspirador. Poder chegar pertinho do que era um rio, senti-lo, respira-lo, deveria ser obrigação de TODO MUNDO que mora em São Paulo.

Aquela ciclovia, apesar de problemática pq tem poucos acessos e fecha às 18h, tem uma importância social inquestionável.. ela possibilitou que as pessoas presenciem o crime que cometemos durante décadas de descaso ao meio ambiente. O rio virou um esgoto a céu aberto, fede, está sujo, poluído e morrendo aos poucos.

Ao pedalar ali fica claro o desprezo de quem passa de carro pela marginal. Vidros fechados, ar condicionado, insufilm,

velocidade alta. Assim o paulistano foge da realidade e se esconde do que o incomoda, passa por cima dos problemas e das pessoas como se fossem um simples quebra-molas. É mais fácil fugir do problema do que encará-lo!

E mais uma vez a bicicleta é o instrumento que viabilizou esse olhar!

Triste, lamentável, vergonhoso. Mas as capivaras que encontramos ao longo do caminho nos

fazem lembrar que ainda existe vida por ali e onde há vida há esperança.

Choque de realidade, banho de água fria.

Recomendo (ainda mais pq é um passeio super gostoso mesmo, 28km ida e volta)!

Gentilezas, sempre?

21 set

Mas e quando esse “ajudar”, que às vezes é “fazer pelo outro”, acaba por convencê-lo de que é incapaz? Lembro-me de uma pesquisa que fiz para a faculdade, em que descobri que a grande maioria dos idosos fica debilitado fisicamente bem mais cedo porque os jovens não permitem que eles executem muitas atividades das quais seriam capazes. O envelhecimento dos músculos, ossos, articulações, sistemas respiratório e circulatório é acelerado – e muito – graças ao exercício poupado pela gentileza alheia.
O caso das mulheres é outro, mas ainda cabe a comparação. É assustador parar e prestar atenção em como é frequente ver mulheres desacreditarem de seus corpos e habilidades braçais. A pequena proporção das que encaram a rua sobre duas rodas é uma clara manifestação disso.

Acho que esse comportamento é alimentado ciclicamente. Não acreditamos que podemos porque não temos costume de tentar; não tentamos porque não acreditamos que podemos, e alem do quê, existe uma (atraente) zona de conforto oferecida pela sociedade que nos poupa desses desafios. E ainda assim, quando por qualquer motivo arriscamos uma tentativa, frequentemente não somos tão bem sucedidas… mas porque?

Melhor que fazer por alguem: ensinar a fazer ( foto do "Mão na Graxa" de maio)

Ora, se alguém nunca carrega peso, ou faz qualquer outro tipo de trabalho braçal, terá dificuldades em aprender a executá-lo bem; além do quê, se em suas raras tentativas uma pessoa se vê desajeitada e com dificuldades, a tendência é o constrangimento e a conclusão de que “não tem jeito pra isso, mesmo”; e daí o desânimo, a sensação de incapacidade, a dependência.

Por isso, creio que gentilezas nem sempre são benéficas, por melhor que seja a intenção. Realmente não é fácil negar o conforto, e muito menos recusar uma gentileza – especialmente se ofericida com um sorriso sincero – quando, por exemplo, nos querem dar uma carona de carro ou mesmo recolocar a corrente da nossa bicicleta quando ela cai. Resistir a ofertas atraentes que nos levam para longe do desafio e da autonomia, às vezes é necessário… Pode parecer bobo falar nisso, mas não é se considerarmos o quanto essas situações corriqueiras representam e alimentam algumas crenças prejudiciais e equivocadas.

Vivi um crescimento enorme ao inserir a bicicleta no meu dia-a-dia, e já testemunhei o mesmo em outras mulheres.  Prática é aquilo que mais nos convence de qualquer realidade. A gente precisa se posicionar, experimentar, agir  com o corpo, efetuar. Nos sentimos engrandecidas mas, na verdade, apenas redescobrimos nosso tamanho.

Percebo que isso tudo faz parte de um processo lento e profundo que acontece não apenas na sociedade, no mundo externo, mas principalmente dentro da gente, em nossos corpos.

Autonomia, independência, e a certeza de que podemos fazer as coisas sem alguém olhando por nós nos dá mais plenitude, prazer e liberdade nessa vida.

Mas e quando esse “ajudar”, que às vezes é “fazer pelo outro”, acaba por convencê-lo de que é incapaz?

Lembro-me de uma pesquisa que fiz para a faculdade, em que descobri que a grande maioria dos idosos fica

debilitado fisicamente bem mais cedo porque os jovens não permitem que eles executem muitas atividades das quais seriam capazes. O envelhecimento dos músculos, ossos, articulações, sistemas respiratório e circulatório é acelerado – e muito – graças ao exercício poupado pela gentileza alheia.

O caso das mulheres é outro, mas ainda cabe a comparação. É assustador parar e prestar atenção em como

é frequente ver mulheres desacreditarem de seus corpos e habilidades braçais. A pequena proporção das que encaram a rua sobre duas rodas é uma clara manifestação disso.

Acho que esse comportamento é alimentado ciclicamente. Não acreditamos que podemos porque não temos costume

de tentar; não tentamos porque não acreditamos que podemos, e alem do quê, existe uma (atraente) zona de

conforto oferecida pela sociedade que nos poupa desses desafios. E ainda assim, quando por qualquer motivo

arriscamos uma tentativa, frequentemente não somos tão bem sucedidas… mas porque?

Ora, se alguém nunca carrega peso, ou faz qualquer outro tipo de trabalho braçal, terá dificuldades em

aprender a executá-lo bem; além do quê, se em suas raras tentativas uma pessoa se vê desajeitada e com

dificuldades, a tendência é o constrangimento e a conclusão de que “não tem jeito pra isso, mesmo”; e daí o

desânimo, a sensação de incapacidade, a dependência. Há coisas que O CORPO tem que acreditar; e isso, só

experimentando.

POr isso, creio que gentilezas nem sempre são benéficas, por melhor que seja a intenção. Realmente não é

fácil negar o conforto, e muito menos recusar uma gentileza quando, por exemplo, nos querem dar uma carona

de carro, ou recolocar a corrente da nossa bicicleta quando ela cai. Resistir a ofertas atraentes que nos

levam para longe do desafio e da autonomia, às vezes é necessário… Pode parecer bobo falar nisso, mas não

é se considerarmos o quanto essas situações corriqueiras representam e alimentam algumas crenças

prejudiciais e infundadas.

Vivi um crescimento enorme em mim ao inserir a bicicleta no meu dia-a-dia, e já testemunhei o mesmo em

outras mulheres. A prática é aquilo que mais nos convence de qualquer realidade. A gente precisa se posicionar, experimentar, por a mão na massa, trabalhar com o corpo, efetuar. Assim, nos sentimos engrandecidas; na verdade apenas redescobrimos nosso tamanho.

Percebo que isso tudo faz parte de um processo lento e profundo, tanto na sociedade quanto dentro de nós.

Autonomia, independência, e a certeza de que podemos fazer as coisas sem alguém olhando por nós nos dá mais

plenitude, prazer e liberdade nessa vida.

22/09, Um Dia Sem Carro

21 set

Amanhã é 22 de setembro, o Dia Mundial Sem Carro (DMSC).

Mais uma vez, é hora de parar um pouco e pensar sobre os modelos de mobilidade urbana e o quanto isso reflete em nossa vida e no futuro do planeta. É hora de pensar no tipo de cidade em que queremos viver e que estamos ajudando, dia a dia, a construir.

Atividades já estão rolando desde semana passada, pois essa é a Semana da Mobilidade. Nós das Pedalinas, por exemplo, fizemos um um bate-papo no Matilha Cultural, no sábado.

E, no grande dia, várias coisas bacanas foram programadas.

A festa começa logo cedo, às 7h, com um delicioso café da manhã preparado pelo pessoal da Ciclocidade, ali na Praça do Ciclista, na Av. Paulista com a Consolação. Logo mais, ao meio-dia, tem Vaga Viva. Mais Tarde, às 17h, o pessoal do Pedal Verde vai plantar umas mudas na Praça. Finalmente, às 18h, começa a concentração para um dos eventos mais esperados do ano, a Bicicletada do DMSC, que sai da praça do Ciclista às 20h.

Recapitulando (hehe):

7h: café da manhã da Ciclocidade, na Praça do Ciclista (Av. Paulista com a Consolação)

12h: Vaga Viva do Coletivo do DMSC, na R. Padre João Manoel com Av. Paulista

15h30: Pedal Verde, com saída do Viveiro Manequinho Lopes para Chegada na Praça do Ciclista por volta de 17h.

18h: Concentração da Bicicletada do DMSC

20h: Saída da Bicicletada do DMSC

Para quem mora na Zona Sul, a Camila lembra que amanhã haverá o tradicional BONDE DA BERRINI, saindo da praça na Berrini, 500 às 18:08h, passando pela estação Vila Olimpia e de lá rumo à praça do ciclista, com direito a passagem por dentro do Ibirapuera pra apreciar o barulho dos patos na escuridão e a lua cheia. ^^

Então, amanhã é dia de deixar o carro em casa, ocupar a rua, celebrar o uso do espaço público. Como todo dia, aliás. Só que amanhã a gente faz isso junto. Bora lá?

Apresentação e debate das Pedalinas no Matilha Cultural

17 set

Tá sem programa pra amanhã? Vai ter um evento rolando no espaço Matilha Cultural em comemoração ao Dia Mundial Sem Carro, que é dia 22 de setembro. O evento foi organizado pelo Ciclocidade (Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo) e a partir das 14h estaremos lá falando um pouco do pedalinas e de questões envolvendo bicicletas, meninas e as ruas de São Paulo! Em seguida ainda tem a Sessão Bicicletas do Festival Entretodos, com curtas + debate!

Dia 18/9/2010 (sábado)
No Matilha Cultural
Rua Rego Freitas, 542 – Centro (próximo ao Metrô República)
Às 14h
Entrada Gratuita

Mais info:
http://www.ciclocidade.org.br/noticias/116

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