Arquivos | maio, 2011

Um palíndromo

31 mai

Um par de portas abertas sussurra à noite, batendo como asas de mariposa – a brisa fresca invade a escuridão clandestina. In girum imus nocte et consumimur igni. Damos voltas pela noite e somos consumidos pelo fogo. Sempre pensei que se tratava de um palíndromo para elogiar a loucura dos uivos noturnos ou um artifício para descrever a beleza dos impulsos. Mas eu estava, por assim dizer, redondamente enganada: trata-se da dança das mariposas. Para transgredir os ciclos dos palíndromos, é preciso girar nas espirais, como os insetos na luz. Basta um simples par de pneus para engrenarmos numa ciranda orgânica, rodopiando como vagabundos pelo asfalto. O círculo, o movimento. Estamos equidistantes sobre a bicicleta. De nós mesmos e de qualquer outro ponto. E damos voltas, como se as rodas se transformassem em um compasso mágico. Com um ponto fixo, de partida, podemos abrir infinitas possibilidades circulares. Mas talvez não precisemos ter um ponto fixo. O compasso pode se desdobrar em ritmo fluido, desenroscando-se das fendas dos caminhos. Ou numa arritmia ensaiada, desguiando os carros que se avizinham como feras.

E girar toca, pela tangente, a beleza do peso e a leveza do movimento. O peso das marchas. O atrito. Os caminhos. A leveza do deslizar, do turbilhão de possibilidades, da fluidez. E é através da leveza que ouço o zumbido da corrente, nas descidas, que desnuda as asas, ainda moles, de mariposas inquietas pela noite. Somos consumidos pelo fogo das constelações selvagens ou pela energia cardíaca nutrindo os movimentos?  Voadores ou terrestres, o ciclo desse palíndromo volta a girar nas rodas.

Sim, as rodas. É preciso tocar estes círculos virtuosos para entrar na ciranda e girar para longe. Ainda criança, acreditava que, se cheirasse as patas de um cão, bem dentro de seus sulcos, poderia descobrir os caminhos por ele percorridos. Como se uma espécie de resquício de seus percursos o acompanhasse na aspereza de suas diminutas almofadas negras. E me pergunto, tentada: o negrume das rodas guarda alguma semelhança com as patas caninas? A escuridão da noite é capaz de impregnar seu odor nas voltas inventadas? Olho para o precipício cor de azeviche, escondido sob o chão, e sinto uma vertigem antecipando o vôo. Mas, girando, sigo enganchada nos paralelepípedos, alto e baixo, trepidando, e relembro que as rodas são terrestres. (E à noite, quando me adivinho mariposa, não deixo rastros no vento.)

Bicicleta no Povo Bunda

30 mai

Um pouco de como cheguei em São Paulo e de como a bicicleta tomou conta da minha vida de maneira irreparável. Falei um pouquinho sobre as Pedalinas tb.

Obrigada Débora do Povo Bunda. Mais uma sergipana que desembarcou na Selva de Pedra e logo logo estará pedalando entre nós. Seja bem vinda!

3º encontro do curso: Traçando caminhos

27 mai

A terceira aula do Curso das Pedalinas “Aprenda a Andar de Bicicleta”!!

Dicas de como se posicionar na via e de sinalizações. Importância de se pensar na rota. Como usar Google maps, Bikely e outros aplicativos. Declives e aclives. Caminhos mais seguros e agradáveis. Multimodal: usando o metrô e a CPTM.

Não é necessário fazer inscrição, o curso é gratuito, e não precisa ter comparecido às aulas anteriores. É só chegar! =D

Para mais informações, é só entrar na lista de e-mails e dar um alô. De repente, pode-se combinar de pegar bike emprestada. =)

Infos:

Sábado, 28 de maio
Horário 10h30
Local: Espaço Contraponto – Rua Medeiros de Albuquerque, 55 - Vila Madalena (veja o mapa)

Depois do encontro, às 14h, o grupo vai rumar para a Av. Paulista, para participar da Marcha da Liberdade, às 14h.

http://www.marchadaliberdade.org/

Simplesmente Carina Chandan

23 mai

Próximas oficinas Pedalinas

20 mai

As oficinas temáticas das Pedalinas tem rolado aos sábados e tem sido momentos divertidos e transformadores. Ainda temos muito a dizer e fazer, mas neste sábado dia 21 não haverá encontro.

 

Confira abaixo o que ainda vai rolar:

28/05 – Oficina – Pedalando na rua e traçando caminhos

04/06 – Papo: Uma mulher na bicicleta incomoda muita gente + encontro mensal

11/06 -  Oficina – Indo mais longe: pedal de longa distância e cicloviagens

02/07 – Cicloviagem das Pedalinas!

 

Todas as atividades serão confirmadas com antecedência e maiores detalhes, portanto fiquem de olho no blog, ok? E todas as meninas que aprenderam a pedalar na oficina “Primeiras Pedaladas” estão sempre convidadas a aparecer pra treinar: bicicletas sempre disponíveis:) Quer aprender? Também é bem-vinda! Só escrever pra nós: pedalinas.sp@gmail.com

Mas não é só porque não tem programação com as Pedalinas que você vai deixar de pedalar e se divertir tá! Nossa sugestão para este sábado é conferir a Oficina Temática do pessoal da Ciclocidade:

Convide os amigos, forme um bonde e siga pra lá pois vai ser um dia incrível! Sem companhia? Não esquenta, lá vai ter muito calor humano, apareça!

Pare, olhe, escute

17 mai

Tava pensando em escrever sobre a manifestação das pessoas diferenciadas que aconteceu sábado lá em HIGIENópolis. Mas o Willian Cruz, do Vá de Bike,  fez (e super bem como sempre) uma reflexão ótima sobre os ciclistas e a cidade. Algumas Pedalinas estiveram por lá e foi mágico ver as pessoas gritando “mais metrô, menos motor”!

Em tempo:

Deixo aqui alguns registros das cenas urbanas de São Paulo. A relação da bicicleta com as ruas e as pessoas é tão intima que proporciona uma ligação direta, viceral, de amor e ódio.

É contraditório mesmo. Pois ao mesmo tempo que o ciclista se aproxima e se apaixona pelas belezas da cidade, ele dá de cara com todos os problemas, pobreza, buracos, injustiças e mazelas escondidas (de propósito) na correria e insensibilidade do caos urbano.

Todas as fotos foram tiradas por mim (@pedaline)

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Mãos dormentes: e agora?

15 mai

Uma apresentação rapidinha: meu nome é Verônica, estou na lista das Pedalinas desde sempre, e tenho participado mais ativamente de uns tempos para cá. Já faz quase quatro anos que eu pedalo, e tenho um blog meio largado de cycle chic, que é o nome que ganhou a prática de andar com suas roupas comuns do dia a dia, em vez de um uniforme esportivo. De um ano para cá, me interessei também por ciclismo de longa distância (o que explica um pouco aquele meu último post no meu blog pessoal, usando roupa de lycra e com uma bicicleta speed). Sempre prometo posts que nunca posto aqui. Na nossa lista, percebi que um textinho meu podia ser útil para outras meninas, e resolvi compartilhar. Vamos a ele?

Ao ficar algum tempo sobre a bicicleta, muitas pessoas experimentam dormência nas mãos. Pode ser uma leve sensação de formigamento, dormência mesmo e até dificuldade de movimentar os dedos. Isso acontece quando a posição das mãos no guidão por um tempo prolongado  (seja um pedal mais longo de um dia ou uma cicloviagem, por exemplo) dificulta a circulação sanguínea ou pressiona os nervos da mão (nervo ulnar, geralmente). Os dedos mais afetados são o mindinho e o anelar. Se isso já aconteceu com você, calma! O problema costuma ser temporário. Dependendo da distância e da pressão na mão, pode passar em algumas horas ou até mesmo meses. O que fazer?

Quando for pedalar, é importante mudar a posição da mão no guidão de tempo em tempo. Nas pausas dos semáforos, vale dar chacoalhadinhas de leve e movimentar a mão para o sangue voltar a circular. No trânsito, na trilha ou em estradas, temos a tendência de ficar tensos sem perceber, e segurar o guidão com força, o que também é prejudicial. Tente relaxar os ombros e braços durante pedal, e segurar o guidão de forma firme mas delicada; não precisa agarrá-lo. Isso vai reduzir muito a possibilidade de dormência e dores no braço no dia seguinte, já que braços relaxados sofrem muito menos com a trepidação. Confira também sua postura: o peso do corpo do ciclista deve estar bem distribuído na bike e apoiado nos ísquios (ossinhos do quadril). Se você joga todo o peso do corpo nos braços, vai sentir dores e favorecer a dormência depois de uma certa quilometragem.

Ajuste fino
Se mesmo assim o problema continuar, talvez seja necessário fazer ajustes na sua bike (o tal do bike-fit), porque pode ser que peças do tamanho errado estejam causando os pontos de pressão nos  nervos que controlam a sensibilidade da mão. Tem dois jeitos de fazer: procurar um profissional, que vai tirar todas as suas medidas e sugerir ajustes (trocar a mesa da bike, por exemplo) para que o tamanho dela esteja ajustado perfeitamente à você. Custa um pouco caro, mas quem passa muito tempo na bike costuma se beneficiar muito do investimento.

Dá para fazer em casa também, preenchendo planilhas com seus dados, lendo e pesquisando. Foi meu caso. Fiz o primeiro sozinha para definir o tamanho da speed, e depois refiz para ver que peças eu tinha que trocar. Coloquei um guidão mais estreito e uma mesa mais curta e meu problema de dormência em pedais longos quase sumiu. Dá trabalho de de qualquer forma talvez você precise gastar com a troca de peças, mas traz uma grande vantagem: o aprendizado sobre a bicicleta e sobre seu próprio corpo fica para a vida toda.

Luvas para que te quero
Além de proteger as mãos no caso de queda, essa é outra função das luvas. Luvas comuns ajudam a prevenir calos e vergões (depois de um pedal muito longo sem luvas, já fiquei com as mãos vermelhas e esfoladas…). A luva tem que estar justa na mão, mas sem apertar, e sem fazer dobras no tecido. Se elas não estiverem ajudando com relação a dormência, outra dica é procurar luvas mais técnicas, com gel na região da palma da mão.

Se nenhuma dessas dicas ajudar, você pode estar com Síndrome de Túnel do Carpo, com inflamação crônica de tendões da mão, na região do nervo mediano (que passa bem no punho, onde costumamos apoiar o peso do corpo ao pedalar).  Procure um bom ortopedista, que poderá fazer um diagnóstico preciso e encaminhar uma solução – de preferência sem precisar parar nunca de pedalar!

2º encontro do curso: Mão na Graxa!

12 mai

O segundo encontro do Curso das Pedalinas “Aprenda a Andar de Bicicleta” será a respeito de mecânica.

As pedalinas Carina Chandan e Talita Noguchi trarão peças de bicicleta, ferramentas e o bom humor característico para explicar desde as noções mais simples, passando por regular freios, trocar pneus até revelar o que há dentro de um cubo.

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Sábado, dia 14 de maio

Horário: às 10h! (editamos: e não às 11h como anunciado anteriormente)

Local: Praça Mal. Cordeiro de Farias – veja o mapa

(próxima à Praça d@ Ciclista e ao cruzamento da Consolação com a Paulista, só que em direção ao Pacaembu. O local é conhecido pelas bancas de fruta, dê uma olhada nestas fotos)

Para esta atividade não é necessário trazer bicicleta.

Quem quiser aprender a se equilibrar pela primeira vez na bike, também será bem-vinda! Apenas avise por e-mail: pedalinas.sp@gmail.com.

Não é necessário se inscrever, basta aparecer.

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Segundo tempo: a sugestão é emendar as atividades de mecânica com a “Churrascão da Gente Diferenciada”, marcado para às 14h, evento que ridiculariza o fato dos próprios moradores de Higienópolis não querem o metrô passando por lá…

Minha primeira vez com as Pedalinas

10 mai

Mudar a forma com que fazemos as coisas pode ser um processo mais longo ou mais curto, depende de um monte de coisas. Às vezes depende de uma coisinha de nada que finalmente te empurra na direção do que você realmente queria.

Quando eu abandonei o carro – 05 anos atrás – eu precisei de um empurrão para também abandonar o táxi, o ônibus e começar a caminhar. Dá onde ele veio? Não sei ao certo, acho que foi um daqueles dias em que o trânsito para, você desanima de olhar aquele monte de carro, um atrás do outro, do outro, do outro, e simplesmente sai andando.

O descobrindo da bicicleta, como eu já disse aqui, foi mais um lance de lógica que de descobrimento: “poxa, porque eu não pensei nisso antes?”

Por uma dessas coincidências desta vida, faz pouco mais de um ano em que a lógica venceu e eu comecei a juntar a grana para a minha bicicleta dobrável. E faz um ano que a Penélope Jones (ela aí em cima, na estação Vila Madalena do metrô) entrou em definitivo em minha vida.

Depois disso foi um tempo aprendendo a nova gravidade da bicicleta, criando força nas pernocas, melhorando o preparo físico, tudo isso na ciclovia do Parque Villa lobos. Aí vieram os vários blogs sobre o assunto, as pessoas que comecei a conhecer no twitter, aquela coisa do universo conspirar a seu favor e lhe indicar os caminhos.

Conheci as Pedalinas, conversei com algumas no twitter, entrei para a lista de discussão e sempre falava que ia a algum encontro, mas nunca dava certo. Passei a contribuir de vez em quando para o blog, a participar mais ativamente das discussões, enquanto ainda ia criando coragem para ultrapassar a barreira que parecia se erguer nos contornos do meu bairro.

Eu já ia à padaria, ao mercado e ao salão de beleza, dava voltas, subia e descia por aquelas ruas, mas não me sentia preparada para ir mais longe. O lado “racional” repetindo: é que você ainda não tem preparo físico, vai que você vai, mas não consegue voltar? Para ajudar parecia que sempre algo tinha que acontecer e me impedir de ir a algum encontro das Pedalinas.

Mas o universo sabe o que faz e enquanto o grupo de meninas ciclistas se preparava para comemorar 02 anos de aniversário, eu me preparava para comemorar 1 ano com minhas bicicleta. Respirei fundo, encarei o medo e falei: agora vai. Saí de casa em direção do Metrô Vila Madalena, respirei fundo e coloquei força no pedal. Empurrei no final da avenida, mais por medo dos ônibus que se seguiam que pela falta de energia.

Coloquei a Penélope no elevador – psssss, não pode, mas juro que tava vazio! – ouvi do segurança que era a bicicleta da Chapeuzinho Vermelho, me senti um ET dentro do vagão, com todos olhando para mim, e desembarquei na estação Consolação. Lá encarei a escada rolante e contei com uma santa alma amiga para me ajudar a segurar a bike quase do meu tamanho – Quando será que eles vão colocar aqueles frisos na lateral para podermos empurrar a bike?

Empurrei a bike pela calçada da Paulista em direção à Praça d@ Ciclista. Chegando lá encontrei outras meninas que estava lá pela primeira vez. Dividimos experiências, falamos do que nos dá medo, de nossos caminhos. Expliquei que eu não criava coragem de vir pro trabalho de bike, afinal, tem uma Avenida Dr. Arnaldo no meio do caminho.

O grupo foi crescendo, encontrei as garotas que eu só conhecia por suas linhas escritas. Embarquei com elas pela avenida que eu vejo todo dia a pé, que eu cruzo de uma ponta a outra há tanto tempo.

Passamos em frente a Casa das Rosas e então da Starbucks aonde eu compro meu café que me ajuda a enfrentar o dia. Seguimos pela Vergueiro em obras, então ao lado da praça do metrô Liberdade, subimos ao lado do Fórum, descemos a lateral da Catedral da Sé, rodamos como loucas no Marco Zero, fomos ao Patéo do Colégio, passamos em frente ao Mosteiro de São Bento aonde casei, então a Ipiranga, a República, subir a Augusta. As meninas ainda pararam para um sorvete no começo da Augusta, ganhar energia para o resto da subida, sabem?

Mas eu tinha que ir embora por conta de um compromisso da pequena. E agora, como faz? Eu podia subir a Augusta até a Paulista e voltar de metrô. Eu podia dobrar a bike e embarcar em um táxi.

Eu fui seguindo e pensando, seguindo e pensando, seguindo e pensando.. Epa, olha a Dona Antonia aqui, ela já sai na Consolação e a Consolação tem corredor de ônibus no meio, ao contrário da Augusta. Seguindo para a Consolação e pensando… Entrando na Consolação e pensando. Afff, tá difícil essa subida, vou apelar para a calçada… Hum, aqui dá para eu voltar para a avenida… Ah, ali tá a entrada da Dr. Arnaldo, lá tem ponto de táxi… Nossa, a Dr Arnaldo tá livre, será que eu consigo? Hum, acho que vou seguir aquele ciclista ali, ele sabe o que tá fazendo… O farol fechou, vou aproveitar e já ir para a pista do meio, agora eu encosto, olha, mais três ciclistas. Tudo bom? Um motoqueiro buzina, o ciclista fala comigo, já estou na baixada da Dr. Arnaldo. Nossa, tô cansada. Parar e tomar um pouco de água. Continuar, aff, outra subida. Agora a Alfonso Bovero. Hummm, quanto carro, calçada vazia, larga, lá vou eu de novo. Volto para a rua, passo por um ônibus, cumprimento com a campanhia, faço um positivo com a mão, assim ele não me incomoda no resto do caminho. A descida da Alfonso!! O vento no cabelo!! Agora falta pouco, eu vou conseguir! Um carro resolveu disputar espaço comigo, desacelero. Epa, pera aí: EU VIM ATÉ EM CASA DE BICICLETA?!?! EU PEGUEI A DR. ARNALDO DE BICICLETA?!?!?

Quase 20 quilometros pelas ruas de SP!!

Eu aguentei. E a certeza de que fiz a melhor coisa do mundo, a certeza de que estou quase vencendo o medo. Não, não tá faltando perna, tá faltando coragem. Mas falta pouco, vocês vão ver!

A primeira vez a gente nunca esquece

9 mai

Ensinei uma pessoa a andar de bicicleta.

Se falo de mim, não é por excessos de ego: é porque a emoção foi muita. Eu nunca tinha ensinado ninguém – não sabia o que esperar. Mas o mérito mesmo foi dela. Adulta, nunca tinha pedalado. Achava que não ia conseguir.

Três meninas que agora sabem andar de bicicleta

Mas ela foi valente, venceu o medo, se equilibrou. Dei algumas dicas, segurei a bicicleta para ela um pouco, corri ao seu lado enquanto ela girava os pedais. E, algumas voltas depois, pronto! Lá estava ela, se emancipando de mim, sem querer parar de pedalar.

Minha primeira aluna. Orgulho!

Ela foi a primeira. Mas não foi a única. No mesmo dia, sete outras mulheres encararam o desafio de tentar aprender a pedalar, no primeiro dia do curso de bicicleta das Pedalinas, no sábado. Eu e várias outras meninas do coletivo fomos lá para tentar ajudá-las a aprender, da melhor forma que pudéssemos. Algumas das novatas nunca tinham subido em uma bicicleta. Outras, tinham tentado e caído na infância, e ficaram traumatizadas. Outras tinham sofrido a clássica repressão em casa – é perigoso demais, você não consegue… Mas elas conseguiram. Todas, todas vitoriosas. Algumas, a maioria, já saíram andando sozinhas, não queriam largar as bicis. Outras precisam de um pouco mais de treino – questão de prática até que encontrem seu equilíbrio. Cada uma tem seu tempo, que é importante respeitar. Quantos tombos levei na infância, até me desapegar das rodinhas de apoio!

Carol correndo atrás de sua aluna emancipada

Corajosas. Se eu já não soubesse pedalar, não sei se encararia o desafio de aprender hoje – às vezes nossos medos ficam tão grandes, nos paralisam. Mas essas meninas enfrentaram esses medos, esses fantasmas, esses traumas. Bravas. E tão felizes ficaram!

As aulas práticas foram antecedidas de uma aula teórica curta, em que falei da história das bicicletas e a Verônica explicou o que eram algumas partes e peças da bici.

Aulinha teórica sobre a história das bicis

Falamos da importância da bicicleta para o movimento de emancipação das mulheres. De como isso foi importante para que diminuíssem as diferenças de direitos entre os sexos e ajudou a formar uma nova imagem de mulher, menos frágil, mais independente. E logo em seguida vivemos isso na prática: mulheres se emancipando, vencendo limites. Foi lindo. Histórico. Épico. Uma forma incrível de comemorar o aniversário de dois anos do coletivo.

Verônica apresenta os principais componentes de uma bike

De tarde, o passeio mensal foi ótimo também, com um passeio pelo centro, paradinha na Soroko para tomar sorvetes e depois um bate-papo na Casa das Rosas. Quem estava de manhã, não parava de comentar o sucesso da oficina de ensinar a pedalar.
Ensinei mulheres a andar de bicicleta. E, por clichê que possa soar: elas me ensinaram muito mais.

P.S.: Sábado que vem tem mais Curso das Pedalinas! Dessa vez, Mão na Graxa, oficina de mecânica. E, dado o sucesso da aula de Primeiras Pedaladas, vamos continuar com essa parte prática, para que as meninas que começaram a aprender possam praticar mais. Novas meninas que quiserem começar do zero também são bem-vindas. Fiquem ligadas no blog para ver a programação completa do curso, horários e locais.

Mandala na Praça da Sé, no passeio mensal!

P.S.2: Mais fotos do curso e do passeio mensal no Facebook da Silvia, autora das imagens acima, e no Picasa das Pedalinas.

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