A qualidade do vídeo no Youtube não é das melhores, mas a animação é lindinha, vale (re)ver.
“História Trágica com Final Feliz” – Regina Pessoa, 2005. Canadá, França e Portugal.
A qualidade do vídeo no Youtube não é das melhores, mas a animação é lindinha, vale (re)ver.
“História Trágica com Final Feliz” – Regina Pessoa, 2005. Canadá, França e Portugal.
Já apareceram na lista algumas discussões sobre que tipo de trava usar e como prender a bike, então aproveitei para fazer um post falando da minha experiência e do que pesquisei e ouvi por ai. Mas é claro que eu não sou nenhuma especialista, e novas informações são muito bem-vindas
Para prender a minha bicicleta uso uma U-Lock e um cabo. Essa foi a forma mais segura que encontrei, embora ache o cabo dispensável quando vou ficar perto da bike ou quando prendo-a com várias outras (nos botecos da vida).
No meu caso, o cabo serve para prender a roda da frente. Ouvi que é importante sempre deixar o cabo bem colado na bike, pois uma parte mais frouxa pode ser torcida, rompendo as “fibras” e facilitando o corte do cabo. A opção de usar parafusos ao invés de blocagens dificulta um pouco o roubo das rodas e selim, mas não tanto assim – basta uma chave simples para retirá-los -, por isso o uso de uma blocagem segura – as com segredo ou as que só abrem quando você vira a bike de ponta-cabeça – pode ser a melhor forma de dispensar o cabo. Porém, embora não seja a situação ideal, o cabo ainda é uma boa solução quando a sua U-Lock não encaixa em local algum, então pode ser bem útil ter um desses na bolsa.
Já a U-Lock prende a roda de trás (que é a mais importante – mais componentes, mais $), o quadro, o poste e o próprio cabo. Uso aquela U-Lock “grandinha” (que é o tipo que eu mais vejo por aqui), e consigo parar em praticamente todos os lugares. Esse modelo cabe naqueles postes de placa ou de luz, então fica bem fácil de estacionar, e vem com um suporte para ser transportado no quadro. Mas também tem a opção de comprar as U-Locks menores, mais leves e práticas, só que elas não cabem em qualquer poste. Então antes de decidir o tamanho da trava é bom pensar onde se costuma parar e no que fica mais prático e seguro.
O resultado é o “belo” slideshow abaixo (use a imaginação para visualizar um poste no lugar do taco de Bike Polo…hehe):
A Evelyn escreveu um texto muito legal comentando as reações escandalizadas que teve que ouvir toda vez que mencionava seus planos de fazer uma viagem.
“Portanto, ser mulher sozinha em Alagoas é ‘muito perigoso’! Agora, imagine ser uma mulher sozinha de bicicleta! Nossa, é como ser um extraterrestre prestes a ser atacados por seres maus e incompreensíveis. Mas, o pior da história vinha quando contava os meus planos de pedalar até São Miguel dos Milagres e depois Maragogi. Pronto, era a morte, meus dias estavam contados.”
O relato todo você encontra aqui.

O Pedal de Salto Alto é mais uma articulação feminina sobre duas rodas, dessa vez em terras mineiras. O grupo está organizando seus primeiros passeios, percorrendo as ruas de BH, e mostrando como bicicletas e mulheres são uma excelente combinação.
Bacana notar que essas iniciativas surgem com características próprias, refletindo a forma que cada grupo vê e interage com a realidade das ciclistas urbanas – ponto para a diversidade. O Pedal de Salto Alto, por exemplo, como o próprio nome indica, possui, nos posts e convites, uma perspectiva diferente da nossa em relação à vestimenta: enquanto acreditamos que cada uma deve pedalar com a roupa que se sentir mais confortável (seja a “bermuda de ciclista”, o vestido ou a calça jeans); o grupo mineiro acredita em uma pedalada mais estilosa, dispensando a chamada “roupa de ciclista”.
Mas, no fundo, mais importante do que as diferenças é perceber como essas iniciativas estão se multiplicando, atendendo uma demanda das cidades por soluções para lidar com a questão da mulher que adota a bicicleta como meio de transporte. Nesse sentido, acredito que as Pedalinas e o Pedal de Salto Alto compartilham muitas preocupações e ideias. E fica o convite para que as meninas venham pedalar com a gente aqui em SP qualquer dia desses.
Abaixo, um belo filme sobre o primeiro encontro do grupo.
Para saber mais: Pedal de Salto Alto
*vale comentar que conheci o grupo pelo Felipe Aragonez, que está sempre dando o maior apoio para as ciclistas.
Nessa quinta (28.out) acontecerá a oficina “Clarear as ideias”.
Participe e aproveite para conhecer um pouco mais sobre iluminação e sobre a Mão na Roda
“A Mão na Roda é o projeto de oficina comunitária da Ciclocidade. Aberta a todos os ciclistas, é um espaço de encontro, interação e troca, com o objetivo de fomentar e proporcionar a autonomia e o uso consciente da bicicleta.
Regida pelo princípio do faça você mesmo, inicialmente a oficina está levantando um acervo de ferramentas e estrutura mínima para ajustes e manutenção das bicicletas, de forma colaborativa através de doações. Neste mesmo espírito, o espaço pretende promover mensalmente oficinas temáticas.
Na próxima quinta-feira, no dia 28/10, a Mão na Roda receberá a primeira oficina: Clarear as ideias. Oferecida por Eduardo Green, faz um recorte nas questões de iluminação para bicicleta, com palestra introdutória, discussão e prática. Participe, traga sua bicicleta, apetrechos de luz e compartilhe suas táticas de visibilidade!”
Duas dicas para quem gosta de bikes e livros =)
CPTM: “Livro Livre”
Para @s adept@s do transporte intermodal, a CPTM está com a campanha “Livro Livre” até 29.out. Retire um livro em uma das estações, leia, e depois deixe o livro em um local público para outra pessoa usar. Mais.
USP: “Semana do Livro e da Biblioteca”
A “Semana do Livro e da Biblioteca” vai até 29.out. Serão várias palestras sobre o acesso público aos acervos da USP, e mais um bom motivo para pedalar nas ruas da cidade universitária, que nessa época ficam cobertas com as flores amarelas e roxas que caem das árvores. Mais.
O insulto de raiz é uma prática lúdico-terapêutica, que consiste em descontar as frustrações da sua vida ou em expressar seu ódio ao outro, ainda que um completo desconhecido, a partir da segurança de seu veículo motorizado. Privilegia-se aqui a ação ágil, gratuita e impune. Os mais ousados, normalmente em bando, chegam a colocar sua cabeça para fora do veículo, com um ganho significativo nos quesitos intimidação e projeção de voz. Aos mais tímidos é permitido o insulto sem contato visual, sendo ainda possível recorrer à proteção das janelas com insulfilm.
A prática, que não vingou nas cidades de interior – onde o número reduzido de habitantes e embaraçosos encontros no coreto comprometiam a impunidade –, encontrava nas regiões de urbanização intensa seu local privilegiado. Encontrava. O insulto de raiz, que antes corria de pés descalços pelas ruas, ricocheteando nas velhinhas que insistem em morar na calçada oposta ao mercado, agora se vê perigosamente limitado pelo crescimento urbano. A cidade já não oferece mais um sítio totalmente seguro para essa prática.
Com as ruas cheias de carros são cada vez mais frequentes os encontros com os insultados no farol fechado ou na próxima esquina obstruída, comprometendo a inconsequência do ato. E mais: aumenta significativamente o número de cidadãos que não reconhecem nessa prática seu valor tradicional – ah, plebe ignóbil! -, e se acham no direito de reclamar quando são vitimados por um insulto de raiz. Proliferam, assim, os conflitos cotidianos, e a prática, até então inofensiva, passa a oferecer riscos ao insultador. Por vezes ele é constrangido a assumir a autoria e mesmo responder por suas palavras.
Barrados por violentas convenções de trânsito – o que são os semáforos se não a demonstração do braço coercitivo do Estado em sua atividade constante de desmanche do patrimônio cultural? – e pela coincidência – que outro motivo poderia explicar as ruas que eu uso sempre estarem lotadas com outros carros exatamente no horário que eu preciso? – os adeptos ao insulto de raiz se encontram em uma situação insustentável. A que tipo de humilhação ainda se verão expostos aqueles que tem coragem de preservar essa prática? Até quando o Estado manterá sua postura passiva, sem desenvolver um projeto sério para viabilizar a manutenção dessa tradição?
Até que tenhamos as respostas para essas perguntas, acredito que a prática do insulto de raiz continuará cada vez mais arriscada. Por isso deixo aqui minha solidariedade aos que ainda tem coragem de lutar por seu direito à cultura e um conselho singelo: invistam na cara de pau, pois fica muito feio não estar preparado ou fingir que fala no celular, desligado, quando aquela garota ou aquela senhorinha batem no vidro para pedir uma satisfação.
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(Recentemente ouvi alguns insultos no trânsito, como ciclista e como pedestre, e fiquei me questionando em que tipo de realidade vivem essas pessoas que acham normal esse ato de agressão gratuita, que por vezes mais parece uma demonstração angustiada e, sobretudo, distorcida de sua própria impotência. Bom, foi assim que cheguei nessa ideia maluca ai de cima, uma forma irônica de elaborar um pouco uma das reflexões que a cidade nos oferece)
Uma das coisas mais bacanas da bicicleta é a possibilidade de recuperar paisagens perdidas no cotidiano. Uma oportunidade de reparar mais no entorno, sem fechar-se no carro, e de conhecer novos lugares, na busca por alternativas. É como se um pedaço da cidade, antes roubado pelo trânsito ou ignorado pelo interesse seletivo, nos fosse novamente oferecido. E ficamos aqui, esperando e agindo para que esse espaço seja valorizado, e que coisas novas aconteçam nele, pois um pouquinho de novidade é sempre bom.
Por isso achei bem interessante que na Paulista, em meio as detestáveis plaquinhas políticas e os resistentes sinais da primavera, agora encontram-se expostas réplicas das obras do acervo do MASP. No muro cinza e no canteiro de obras estão pendurados quadros, legendas e olhares. E tudo por causa de um projeto cuja ideia poderia agradar bastante a arquiteta do MASP, Lina Bo Bardi, para quem o museu deveria representar muito mais para os paulistanos do que um simples bloco de concreto contra o céu.
Ah, e fica o convite: a Paulista é roteiro “obrigatório” no encontro das Pedalinas, vale dar uma olhadinha nesses quadros no nosso pedal de amanhã!
Post-resposta, o texto referido pode ser encontrado aqui.
***
Recurso discursivo torpe, os estereótipos abundam em textos de “humor ácido”, “humor despudorado”. Mesmo autores incapazes de sugerir formas que ganhem contorno para além de um texto (reticências discursivas dependem de alguma competência) podem obter resultados fáceis ao lançar mão de algumas sombras do conjunto dos estereótipos.
E não precisa ir longe para encontrar o estereótipo que aqui foi traçado no ar: a lésbica, andrógena, que adota animais e se engaja em causas políticas. Sugerida em fragmentos, a imagem ajuda a compor o pano de fundo contra o qual Falzoni é acusada de destoar do comum, do aceitável. Só a recusa ao papel de “avó modelo” parece não bastar para caracterizar toda sua (suposta) excentricidade.
Agora, num universo de toques contados, é de se indagar o motivo que move toda essa caracterização. Suspendendo a hipótese da simples má-redação, pode-se vislumbrar um esquema “humorístico”: um estereótipo é ativado, ele é afastado (sem nunca sair realmente de cena), depois se acrescentam outros elementos “cômicos” – cabelo incomum, comportamento impertinente para a idade, furor conservacionista – e se obtém novo estereótipo, a “fundamentalista amalucada”. Imagem que servirá para ornar o resto do texto, bem como para ilustrar como é uma das pioneiras do movimento ciclístico em São Paulo. Eis uma forma bem visual de se começar a desacreditar entrelinhas a causa que será criticada.
Pondo de lado as questões pessoais que se referem à Renata Falzoni, já respondidas por ela, opto por focar esse comentário no uso desses estereótipos e desse “humor”. Pois quando palavras alcançam um veículo de ampla divulgação, acredito que deveriam ser devidamente ponderadas e pesadas. Antes e depois. Nesse âmbito, é justa a cobrança por uma parcela de responsabilidade, ainda sabendo que alguns insistirão em acrescentar o “i” na frente do termo.
E acredito que essa reflexão é válida não pelo fato de julgar que a coluna mereça maiores atenções por si (pessoalmente não aprecio esse tipo de “humor”, nem seus autores-trapezistas, sempre saltando de polêmica em polêmica). Mas pelo fato do texto cristalizar certas ideias, atitudes e posturas que se encontram nas ruas. Essas sim merecem atenção e, creio, devem ser contestadas em todas as formas que adquirem.
O que se revela aqui é um ideário sedimentado em maior ou menor escala, mas sempre nocivo, em diferentes campos: ideário que tenta deslegitimar o direito de se locomover com a bicicleta; ideário que busca desmerecer e ridicularizar os que defendem esse meio de transporte; ideário que se alimenta de imagens pré-concebidas do que deve ser a mulher e de como ela deve se portar em cada faixa etária, em cada fase de sua vida e família; ideário que busca classificar pessoas pela sua apresentação estética; ideário que esbanja estupidez em questões de orientação sexual, que insiste em forçosamente coincidir aspectos físicos com uma determinada orientação sexual, que insiste em apontar a homossexualidade como um desvio, uma impostura que se refletiria em diferentes traços definíveis. Isso tudo tem que ser combatido, desbastado até o último grão.
O “humor”, aparente pique universal, não pode continuar como refúgio seguro para os que compartilham desse ideário. Ainda que fácil, o abrigo é curto: na medida de pessoas pequenas e covardes, que não são obrigadas a arcar todos os dias com o real peso das coisas com que brincam e o impacto de suas “graças”. Arcar implicaria reconhecer que o conjunto de signos usados para construir esse tipo de texto “engraçado” é calcado em múltiplas violências. Violências de gênero, de orientação sexual, ao direito de se locomover de bicicleta etc. Violências que se manifestam diariamente em palavras e atos, agressões físicas e morais. Não sou partidária do humor acima de tudo: piadas com lastro em violência não me interessam.
Por último, palavras, atitudes e pessoas não surgem do nada. Resultam de uma combinação complexa de coisas como um local cultural (que não é necessariamente relacionado com a localização geográfica, econômica ou social); da construção de uma percepção pessoal sobre o mundo; uma forma de expressá-la, materializada em ditos e atos; e um modo de se relacionar com o outro, seus direitos e suas diferenças. Nesse sentido, alguns solos são mais férteis, alguns cultivadores mais hábeis, e em alguns, ainda, reside coragem na exata medida para a mudança sempre que necessário. Já outros se contentam em ficar na janela, a torcer o dito popular, agarrando-se tenazmente à crença estéril de que a grama do vizinho não é a mais verde.