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Quem faz 15, Faz 100 (Km)!!!

6 jul

Há tempos, eu cultivava a ideia de pegar a minha bike e sair viajando por aí, mas, por “n” motivos, adiei a minha primeira cicloviagem por mais de um ano. Até que, umas semanas atrás, foi confirmado que se realizaria a 1ª cicloviagem organizada pelas Pedalinas, especialmente para iniciantes!

A princípio, vieram três pensamentos à minha mente:
1) Nossa, estou há mais de dois meses sem chegar perto da minha bike, e meus trajetos casa-trabalho dificilmente ultrapassam 15 Km. Será que vou aguentar?
2) Putz, a previsão do tempo diz que vai chover no sábado… Como faço?
3) Daaaane-se!!! Eu vou!!!

Logo, tive que tomar vergonha na cara e sair atrás de várias coisas para a minha bike. Revisão, instalação de para-lamas e bagageiro, compra de câmaras reserva (para o caso de furar o pneu) e procura de alforge ou caixote para levar a minha bagagem.

No final, resolvi essa parte de “carregamento” com um cestinho de arame emprestado da Carina, que prendi no bagageiro com enforca-gato (também conhecido como abraçadeira ou fita Hellermann) cedido pela @pedaline. Para segurar a mochila dentro do cesto, usei uma rede de elástico, com presilha estilo aranha.

Redinha pra prender por cima do cesto e não deixar tudo voar

A rede de elástico em ação, segurando as minhas tralhas. (foto: @pedaline)

Providenciadas essas coisas básicas, fiquei torcendo para que não precisasse de capa de chuva também e… TCHARAM! Na sexta-feira, o site de previsão do tempo se atualizou e antecipou só uma manhã nublada, em vez de chuva!!!

Com uma certa dose de milagre, consegui acordar cedo no sábado e fui à Praça d@ Ciclista me encontrar com as meninas que me acompanhariam na viagem.

Madrugando na Paulista. (foto: @pedaline)

Todas reunidas, saímos às 8 da manhã e fomos enfrentar uma das partes mais tensas do trajeto: a saída da cidade de São Paulo. Primeiro, subimos dois viadutos para atravessar as marginais Pinheiros e Tietê, trocamos de faixa para subir a alça de acesso à rodovia Castelo Branco, mega adrenalina para atravessar a pista e tals.

Passados esses momentos de tensão, o restante da viagem foi bem tranquilo, com apenas um furo de pneu entre as meninas. Contudo, esse pequeno contratempo logo foi resolvido com uma bomba de ar pra quebrar o galho e com um kit remendo (item essencial para se carregar a qualquer momento de bike) no primeiro posto onde já planejávamos parar.

Entre os Km 34 e 37, uma subidinha que exigiu um pouco mais de nós. Não era muito íngreme, mas não era precedida por uma descida que pudéssemos aproveitar para pegar mais embalo e facilitar a subida. Foi o primeiro desafio psicológico que enfrentei, contornado com marchas engatadas no modo mais leve e uma pedalada beeeem mais devagar. Sempre com as meninas acompanhando o ritmo ou parando para esperar quem ficava para trás.

Paramos no Km 53 e algumas de nós fomos comer um almoço de respeito. Uma dica que a Evelyn deu é que, apesar de ter dois restaurantes caros logo à vista da estrada, ao fundo de um posto para caminhões ao lado se encontra um restaurante de prato-feito a R$8,50. E muito bom. Para quem é vegetariana, é só conversar com @ atendente, que preparam porções à parte.

Km 53, metade do caminho!

Depois, a subida ao longo de 11 km. Nada muito íngreme também, e bem mais leve do que a do Km 34. E a recompensa foi a mega descida gostosa com direito a um trecho entre paredões de pedra. Atingindo 60 km/h de bike.

Ah, certo, não nego que rolou dores nos braços e costas, além de ter que ficar mudando a posição em que me sentava a toda hora. Nada muito sofrido, porque ainda consegui me levantar, andar e pedalar no dia seguinte, rs.

Pernoitamos na casa dos pais da Evelyn, atenciosos e muito simpáticos, e conhecemos a irmã mais nova dela. Nos enchemos de pizza, algumas até de cerveja (lógico), e no dia seguinte devoramos churrasco.

Passeio pela cidade e visita ao apiário? Pffff… No sábado a gente chegou só a fim de tomar banho, jantar e conversar. E capotar de sono. No fim, a gente ficou comendo e colocando a conversa em dia. Talvez uma próxima vez a gente pegue um feriado prolongado pra passear mais, hueheuheue.

No domingo, pegamos um trecho de ciclovia até a rodoviária, onde pegaríamos ônibus de volta a São Paulo, e foi lindo passar por ruas praticamente vazias.

Mais lindo ainda foi passar ao longo de um rio que não fedia…

Uma coisa que aprendi com essa viagem é que, por mais que haja o pensamento do sedentarismo assombrando a gente, devagar e sempre chegamos (um bocado) longe. Afinal, de bike, quem consegue pedalar 15 km já está no ponto para enfrentar 100.

Editado: pra quem não foi por causa da previsão do tempo, pode ficar com mais invejinha ainda porque não caiu nem uma gota de chuva no caminho. E também não teve sol torrando as costas.

Editado 2: calça jeans não assou nem machucou, mas confesso que uma hora algumas partes do meu corpo começaram a ficar dormentes e formigando, rs. É provável que o estrago não tenha sido maior graças ao fato de ninguém ter precisado correr muito.

E malz pelo tom “meu querido diário” do texto. A ideia é mesmo só contar empolgada uma primeira aventura. =)

3º encontro do curso: Traçando caminhos

27 mai

A terceira aula do Curso das Pedalinas “Aprenda a Andar de Bicicleta”!!

Dicas de como se posicionar na via e de sinalizações. Importância de se pensar na rota. Como usar Google maps, Bikely e outros aplicativos. Declives e aclives. Caminhos mais seguros e agradáveis. Multimodal: usando o metrô e a CPTM.

Não é necessário fazer inscrição, o curso é gratuito, e não precisa ter comparecido às aulas anteriores. É só chegar! =D

Para mais informações, é só entrar na lista de e-mails e dar um alô. De repente, pode-se combinar de pegar bike emprestada. =)

Infos:

Sábado, 28 de maio
Horário 10h30
Local: Espaço Contraponto – Rua Medeiros de Albuquerque, 55 - Vila Madalena (veja o mapa)

Depois do encontro, às 14h, o grupo vai rumar para a Av. Paulista, para participar da Marcha da Liberdade, às 14h.

http://www.marchadaliberdade.org/

Dicas valiosas de segurança e posicionamento nas vias

15 mar
As dicas abaixo são do Bicycle Safe, tradução do Onde Pedalar. (aos quais agradecemos imensamente!)
 
Elas demonstram como acontecem as principais situações de perigo de colisão envolvendo veículos automotores e dão dicas valiosas de como evita-las com atitudes simples. (e ainda de forma bem humorada e ilustrada:) 
 
Muitas destas dicas me foram passadas verbalmente por ciclistas mais experientes que fui conhecendo. Espalhe você também este conhecimento! 
 
 
COMO EVITAR COLISÕES COM CARROS
 

 

 

 

1 :Cruzamento com carro à direita.

Cruzamento de carro e bikeEsta é a mais comum das formas de ser abalroado (ou quase).  Um carro saindo de uma rua lateral, estacionamento ou entrada à direita. Observe que há na verdade dois tipos possíveis de colisões aqui: Ou você está na frente do carro e o carro te acerta no meio, ou o carro aparece muito rápido e você não consegue frear e o acerta no meio.

Como evitar este tipo de colisão:

1.      Tenha um farol.

Se você estiver andando à noite, você deve usar uma luz na frente. É exigido por lei, de qualquer maneira. Mesmo para um pedal diurno, uma luz branca brilhante que tem um modo intermitente pode torná-lo mais visível para os motoristas que chegam ao cruzamento. Os novos faróis de LED duram dez vezes mais que os anteriores e podem ficar ligados o tempo todo. As lanternas de capacete são as melhores porque quando você olha para o motorista não tem como ele não ver a luz branca.

2.      Buzina

Um bom e alto som pode chamar a atenção do carro que se aproxima a sua frente ou à direita. Caso não tenha uma, não se envergonhe de gritar “Ei”. É melhor ser a atração da rua do que ser atropelado. Em alguns países a buzina é obrigatória.

3.      Reduza a velocidade

Parece meio chato a todo cruzamento que você vai passar ter que reduzir, mas essa é uma precaução que salva vidas. Estando mais devagar, você consegue frear completamente evitando uma colisão. Lembre-se você é o elo mais fraco. Mesmo que tenha razão é o cara que vai ficar com mais dor no final das contas.

4.      Pedale mais à esquerda.

Olhe para as duas linhas azuis “A” e “B” na imagem. Você está acostumado a andar na “A”, muito próximo ao meio fio, isto porque você está preocupado em ser atingido por trás. Mas dê uma olhada no carro. O condutor está sempre olhando para a estrada e para o tráfego, não está olhando para a faixa das bikes ou para perto do meio fio, ele está preocupado com o meio da pista, com outros carros. Quanto mais à esquerda você estiver (como em “B”), mais provável que o motorista te enxergue. Há um outro detalhe aqui: se o motorista não lhe ver e começar a arrancar, você pode ir ainda mais longe à esquerda, ou pode ser capaz de acelerar e sair do caminho antes do impacto. Assim pode dar tempo dele frear antes de colidir.  Em suma, você e ele terão mais opções. Ficando totalmente à direita, sua única “opção” pode ser bem na porta do lado do condutor. Usando este método já me salvei em três ocasiões em que um motorista avançou sobre mim, e no qual eu definitivamente teria golpeado na porta lado do condutor se eu não tivesse me deslocado à esquerda.

Evidentemente, há um troca-troca aqui. Pedalar à extrema direita te faz invisível para os motoristas à sua frente nas intersecções, mas andar para a esquerda torna-lo mais vulnerável aos carros atrás de você. Sua posição atual na faixa pode variar dependendo do quão grande é a rua, quantos carros existem, quão rápidos e quão próximos eles passam você, e até que distância você estiver do próximo cruzamento. Em ruas rápidas e com poucas travessas, você vai andar mais à direita e, em ruas lentas e com muitos cruzamentos, você vai andar mais à esquerda.

 

2: Ser sorteado com uma porta no seu caminho

Uma porta no caminho do ciclistasO Motorista abre a porta bem na sua frente. Dependendo da sua velocidade, não vai dar tempo para parar. Com um pouco de sorte, o distinto motorista vai sair do carro a tempo de você ter o prazer de acertá-lo junto. Assim você quebra uns ossos dele e amortece seu impacto. Este tipo de acidente é mais comum do que você imagina e é a causa número um acidentes com bikes em Santa Bárbara na Califórnia. Nós compilamos uma lista de ciclistas mortos ao baterem com portas abertas de carros.

Como evitar esta colisão:

Pedale mais à esquerda.

Pedale suficientemente longe para a esquerda que você não irá bater em qualquer porta que está aberta inesperadamente. Você pode ter algum medo em pedalar muito a esquerda e os carros não terem espaço para ultrapassá-lo. Mas é bem mais provável de você ser surpreendido por uma porta do que ser atropelado por um carro que vem atrás e que claramente vai te enxergar. 

 

3 :Cruzando pela faixa de pedestre

Pedalando pela faixa de pedestreVocê está andando na calçada e atravessa a rua na faixa de pedestres, um carro faz uma curva à direita e vai direto em cima de você. Isto acontece porque carros não estão esperando bicicleta na faixa. Por isso, você tem que ter muito cuidado para evitar este tipo de acidente. Esta colisão é tão comum que já perdi a noção do número de pessoas que já nos disseram que foram atingidas dessa maneira, tais como John Ray Ray.  Um estudo mostrou que pedalar na calçada é duas vezes tão perigosa do que pedalar na rua e um outro estudo disse que é ainda mais perigoso do que isso.

1. Ter um farol. 

Se você estiver andando, à noite, você deve usar um na frente. É exigido por lei,  de qualquer maneira.

2. Vá devagar. 

Você deve ir tão devagar que consiga parar por completo e imediatamente se for necessário.

3. Não andar na calçada, em primeiro lugar. 

Cruzamento entre calçadas pode ser uma manobra bastante perigosa. Se você vai sobre o lado esquerdo da rua, corre o risco de ser atingido como no desenho ao lado. Se você vai sobre o direito do lado da rua, corre o risco de ser abalroado por um carro que está atrás de você vai virar direita. Você também corre o risco de ser atingido por carros saindo de estacionamentos. Esses tipos de acidentes são difíceis de evitar, o que é uma razão para não andar na calçada, em primeiro lugar.

E outra razão para não andar na calçada é que você estará ameaçando pedestres. Sua bicicleta é tão ameaçadora para uma pessoa a pé como um carro é ameaça para você. Por último, andar na calçada é ilegal em alguns locais. Se você fizer plano de andar nas calçadas, faça-o devagar e com cuidado extra, especialmente quando atravessar a rua entre as duas calçadas.

 

4: Pedalando na contramão

Pedalando na contamãoVocê esta pedalando na contramão perto do meio fio pela esquerda da rua. Um carro que vai entrar nesta pista virando a direita vai direto pra você. Ele não vai te ver porque estará olhando somente para a esquerda de onde supostamente deveria vir o tráfego. Eles não tem qualquer razão para suspeitar que uma bicicleta venha do outro lado. Do lado errado do fluxo.

E ainda pior, você poderia ser atingido por um carro vindo em sentido contrário. Eles teriam menos tempo de te ver e tomar ações evasivas porque estariam se aproximando muito mais rápido de você do que se os dois estivessem no mesmo sentido. E para completar, o impacto contra é o mais forte que pode se ter, pois as velocidades contrárias se somam no efeito final.

Como evitar esta colisão:

Não trafegue na contramão. Pedale com o trânsito, no mesmo sentido.

Pedalar contra o tráfego pode parecer uma boa idéia porque você pode ver os carros que estão passando por você, mas não é. Veja os motivos:

1.      Carros que saem de garagens, estacionamentos e vão atravessar a rua (à sua frente e à esquerda) ou que vão entrar à direita na rua, não estão esperando o tráfego que vem contra a eles de forma errada. Eles não vão te ver, e vão direto contra você.

2.      Como diabos é que você vai fazer uma curva à direita?

3.      O carro vai te abalroar a uma velocidade relativa muito maior. Se você está indo 20 km/h e um carro te atinge por trás a 30 km/h a velocidade relativa que resultará no impacto é de 10km/h (30–20). Mas se você está do lado errado da estrada e um carro se aproxima na mesma velocidade, o resultado de forças será de 50 km/h (20+30), que é cinco vezes mais rápido! Uma vez que vocês se aproximam mais rápidos, você e muito menos o motorista tem tempo para reagir. E se ocorrer uma colisão, ela vai ser dez vezes pior.

4.      Pedalar pelo caminho errado é ilegal.


Um estudo mostrou que andar na direção errada é três vezes mais perigoso que pedalar no caminho certo, e para crianças, o risco é sete vezes maior.

Quase um quarto das colisões envolve ciclistas andando na direção errada. Alguns leitores têm contestado esta situação, dizendo que 25% das colisões são de ir na direção errada, então pedalar no caminho certo é mais perigosa porque representa 75% das ocorrências. Esse pensamento está errado. Primeiro, apenas 8% dos ciclistas pedalam no sentido errado, mas quase 25% deles sofrem acidentes – o que significa que ciclistas no sentido contrário tem três vezes mais chances de serem atingidos do que os que pedalam no sentido certo. Em segundo lugar, o problema em pedalar no sentido contrário promove colisões, enquanto no sentido certo não. Por exemplo, 17% dos ciclistas que furam sinal vermelho colidem por causa desse ato (fonte). Mas não podemos concluir que não furar sinal vermelho ou placa de pare causa as outras 83% das colisões.


5:      Luz vermelha da Morte

Farol vermelhoVocê para a direita de um carro esperando o farol abrir. Ele provavelmente não te viu chegar. Quando a luz fica verde, vocês dois avançam e ele vai virar a direita. Exatamente sobre você. Mesmo carros pequenos são perigosos, agora o perigo maior está com caminhões, ônibus e carretas. Veículos desse porte com certeza não vão te ver ali parado. Em Austin um ciclista foi morto em 94 quando parou ao lado de um carro com reboque. Com a virada a direita ele foi engolido pelas rodas.

Como evitar esta colisão:

Não pare no ponto cego. Basta ficar um pouco para trás do carro em vez de se enfiar na direita dele, veja o diagrama. Esta atitude lhe faz visível para todo o tráfego em todos os lados. É impossível que o carro logo atrás de você não lhe veja.

Outra opção é parar no ponto A ou B demonstrado no diagrama. No A o primeiro motorista irá te ver e no B o segundo. O que não vale é parar ao lado do segundo carro no ponto cego. Você pode escapar do primeiro, mas o segundo oferecerá a mesma ameaça.

Estando no ponto A, quando o farol abrir arranque. Não fique olhando para o motorista para ver se ele vai virar ou não. Você já esta no caminho dele, o melhor a fazer é ir à frente e liberar o caminho. Não tem porque você assumir o ponto A se você não tem intenção de cruzar a rua assim que o farol abrir. Só tome cuidado com algum espertinho furando o sinal vermelho na perpendicular.Farol vermelho

Se você escolher o ponto B, assim que o farol virar verde, não passe o carro a sua frente. Fique atrás dele. Isto porque, mesmo que ele não esteja dando sinal de virar, ele poder virar a qualquer momento. Mesmo que ele cruze a rua, ele pode virar a direita em uma garagem no meio do quarteirão a frente. Sempre assuma que um carro possa virar a direita a qualquer momento. NUNCA passe um carro pela direita. Tente ficar a frente do carro que esta atrás de você durante o cruzamento. Assim ele tem que esperar você seguir, mesmo que queira virar a direita.

Não querendo propor infringir a lei, mas passar no farol vermelho pode ser mais seguro do que esperar para sair com os carros ao seu lado e correr o risco de algum virar a direita. A moral aqui é não que você deva quebrar a lei, mas que você pode ganhar um machucado seguindo-a a risca.

E só lembrando, muito cuidado em passar carros parados no farol pela direita em busca do seu ponto certo. Caronas podem aproveitar o farol para pular fora do carro e te apresentar uma porta como parada inesperada.


6:      Carros virando a direita

Virada a direitaUm carro passa por você e tenta virar a direita fechando seu caminho. Eles pensam que você não anda rápido porque esta sobre uma bicicleta e acham que vai dar tempo de passar e virar a direita. Claro que aí tem um pouco de egoísmo de não querer diminuir a velocidade do carro e esperar. Claro que os motoristas não vão achar que estão fazendo nada de errado. Mesmo que você freie, dificilmente conseguirá evitar um choque. Este é um tipo de colisão quase impossível de evitar, dependendo da sua velocidade, você não terá tempo para nada.

Como evitar esta colisão:

1.      Não pedale na calçada.

Quando você pedala sobre as calçadas, você esta invisível para os motoristas. É o começo de um choque se você fizer isso. Keith Vick morreu dessa maneira em Austin em dezembro de 2002.

2.      Pedale mais à esquerda.

Ocupando toda a faixa fica mais difícil para que um carro passe por você e te feche. Não se sinta mal por estar ocupando toda uma faixa, se os motoristas se preocupassem mais com os ciclistas, provavelmente os pedaleiros não precisassem usar desse artifício. Mesmo que não exista espaço para os carros te passarem, tome o seu espaço, é seu direito. Discutiremos posicionamento na rua mais a fundo logo abaixo.

3.      Dê uma olhada pelo seu retrovisor ao se aproximar de um cruzamento.

Se você não tem um espelho, seja de guidom ou de capacete, arrume um. Esteja seguro de olhar bem pelo retrovisor antes de atravessar um cruzamento. Ao cruzar uma rua, você deve se preocupar mais com o que vem atrás do que com o que está pela frente.


7: Carro virando a direita, parte 2

Fechada sobre ciclistaVocê esta passando um carro lento que parece perdido pela direita. Ou até mesmo outra bicicleta. Sem mais nem menos, ele vira a direita para entrar provavelmente em uma garagem ou estacionamento. Pronto, você já esta no chão olhando os ralados, se for só isso.

Como evitar esta colisão:

1.      Não passe pela direita.

É simples assim de evitar este choque. Simplesmente não ultrapasse qualquer veículo pela direita. Se um carro a sua frente esta lento, então você deve diminuir a velocidade também. Ele eventualmente pode voltar a acelerar. Se não, passe pela esquerda depois de diminuir e olhar se tudo esta seguro para que você faça a sua manobra.

Quando for passar um outro ciclista pela esquerda, avise “to passando pela esquerda” antes de avançar. Assim ele não se move repentinamente ao perceber o barulho que você vai fazer ao passar. Caso ele esteja muito a esquerda que inviabilizaria sua passagem com segurança pela esquerda, anuncie que pretende passar pela direita e avance devagar depois de ter percebido de que o ciclista à frente esta consciente do que você vai fazer.

Passar carros parados em um congestionamento pode ser perigoso. Se for fazê-lo, o faça com muito cuidado. Carros em congestionamento podem voltar a andar a qualquer momento e podem te colocar em risco como o que aconteceu no chamado Luz Vermelha da Morte.

Se você estiver pedalando atrás de um carro lento, primeiro procure estar fora do ponto cego do motorista. Segundo dê espaço para caso ele resolva virar para um lado ou outro. Se você estiver colado, pode parar com sua cara na traseira caso ele resolva virar, o que vai fazê-lo diminuir mais ainda a velocidade.

2.      Olhe sempre para trás antes de virar a direita.

Evite você também de ser atingido por um ciclista que tente te passar pela direita violando a dica 1 acima. Dê uma olhadinha para trás para ter certeza de que tem espaço para virar. Aproveite essa olhadinha para checar se pela calçada num tem algum pedestre pronto para atravessar a rua a sua frente. Lembre-se de que mesmo que você esteja correto, um choque vai doer em você o mesmo que em outro ciclista que tente ser o espertinho passando por você pela direita.


8: Carros virando a esquerda

Carro contraCarro vindo em direção contrária faz uma conversão à esquerda vindo direto para cima de você que está cruzando a rua.

Como evitar esta colisão:

1.      Não pedale pela calçada.

Vindo pela calçada você não é visto pelo motorista que está virando. Lembre-se que o pedestre tem uma velocidade muito menor que a sua e que geralmente para no meio fio antes de atravessar. É isto que o motorista espera não uma bicicleta surgindo do nada.

2.      Use uma luz de cabeça.

Se você estiver pedalando a noite, é imprescindível que você esteja usando iluminação de segurança na frente também.

3.      Vista roupas claras, mesmo durante o dia.

Bicicletas são pequenas e não facilmente visíveis mesmo durante o dia. Roupas cor laranja ou amarela e fitas refletivas realmente fazem a diferença.

4.      Não passe pela direita.

Se perto do cruzamento tem um veículo reduzindo a velocidade, pode ser que ele esteja dando passagem para o outro que vem da esquerda. Você passando pela direita ira ser uma grande e desastrosa surpresa para o motorista virando a esquerda.

5.      Diminua a velocidade.

Se você não conseguir fazer contato visual com o motorista que vem no sentido contrário, diminua. Pode ser inconveniente, mas não cruze uma rua com outra vindo no outro sentido se você não tiver a certeza de que ele o tenha visto. Não confie em que a ausência de seta piscando quer dizer que ele vá reto.

 

 

9: Carro por trás

Zigzag na ruaVocê está pedalando e inocentemente se move um pouco à esquerda para desviar de um animal ou algum objeto a sua frente. Logo atrás de você vem um carro mais rápido e te atinge.

Como evitar este choque:

1.      Nunca, nunca mesmo mova-se para a esquerda sem olhar para trás.

Alguns motoristas adoram passar a centímetros dos ciclistas, portando um leve balançar para a esquerda já é fatal. Pratique olhar para trás por cima do ombro. Se você virar a cabeça de maneira livre, certamente puxará a bike para a esquerda. Torça o pescoço levando o queixo em direção ao ombro, como um alongamento e olhe de rabo de olho. Assim você não sairá da linha reta. Para fazer isso tem que praticar.

2.      Não fique usando a faixa de estacionamento como pista e voltando a faixa de rolamento toda hora que tem um carro parado.

Você pode ficar tentado a usar a faixa de estacionamento pela tranqüilidade, mas cada vez que você tem que voltar para a faixa correta é um risco. A faixa de estacionamento é para estacionar.Usando faixa de estacionamento

3.      Use um retrovisor.

Se você ainda não tem um, está na hora de providenciar. Se não quer usar no guidom, pode optar por um modelo de capacete. Você precisa sempre ter a possibilidade de ver o que esta acontecendo atrás de você. Evitar que outros batam em você é sempre a melhor política. Não confie que quem esta atrás de você esteja te vendo e vá te respeitar.

 


10: Abalroamento por trás parte 2

se portando a frente de um carroUm carro simplesmente te atropela por trás. Esta é o maior temor de muitos ciclistas, mas não é muito comum, apenas 3,8% das colisões são dessa natureza. De qualquer forma, é um choque dos mais difíceis de precaver, pois você está sempre olhando para frente. O risco maior é à noite e em ruas movimentadas. Dos três ciclistas mortos em Austin em 96-97, todos estavam pedalando a noite e dois deles estavam sem luzes de alerta.

Como evitar este tipo de colisão:

1.      Tenha uma luz traseira.

Para pedalar a noite, você precisa absolutamente usar uma luz traseira piscando. Bruce Mackey afirma que 60% das colisões traseiras na região da Florida foram com ciclistas sem luz de alerta. Em 1999, 39% das mortes de ciclistas ocorreram entre seis da tarde e meia noite.

2.      Use roupas ou faixas refletivas em forma de colete.

Material refletivo de boa qualidade te faz ser muito mais visível à noite. Este tipo de colete custa muito pouco pelo bem que pode fazer a sua saúde. E escutando um carro vindo atrás, fique o mais vertical possível para aumentar o efeito do refletivo.

3.      Escolha ruas largas.

Quanto mais larga for à rua, mais fácil um carro pode escapar de você.

4.      Escolha ruas lentas.

Quanto mais lento o tráfego estiver, mais tempo todos tem de evitar um choque. Procure rotas pelos bairros e evite avenidas movimentadas.

5.      Nos finais de semana redobre a atenção.

O risco de trafegar nas noites de sexta e sábado é muito maior devido aos motoristas alcoolizados passeando pelas ruas. Nesses dias você deve realmente evitar ruas agitadas pelos baladeiros de plantão.Apareça com refletivos

6.      Arranje um espelho.

Repetir esse conselho parece bobagem, mas nunca é demais. Arranje um espelho, custa muito menos do que você imagina.

7.      Não grude no meio fio.

Dê mais espaço para que você possa fugir caso perceba um veiculo que vai passar perto demais.

 

Este texto pertence ao Bycicle Safe e é de autoria de Michael Bluejay. (o qual tem meus agradecimentos e pensamentos positivos diariamente:)

 

Meus primeiros 300km (Parte 3)

15 set

A noite, a estrada, o frio…

A volta foi a parte mais dolorosa, ouso afirmar que até ali tinha sido um passeio agradável e os 150km da volta equivaleram a 300km de verdade. Enquanto o sol se punha estava ótimo, a lua nascendo foi deslumbrante, pena que a máquina de foto estava morta. O frio começou a dar as caras e em seguida o vento contra queria me intimidar, coloquei o corta-vento novamente. No meio da noite uma amiga me ligou, a Diana, havia esquecido que eu estava no Audax e provavelmente ia me convidar para algum rolê, quando eu disse que estava nos 150km da volta ela ficou contente e desejou sorte, foi bom falar com alguém naquele momento de breu e deu uma reanimada.

Cheguei no PC3, o cara que disse que minha bike era de velódromo, bem no começo, estava lá, mas havia sido resgatado pelo carro no meio do caminho porque seus joelhos doíam, ele pediu repetidamente para eu desistir, eu resisti, ele ficou apavorado e ao mesmo tempo deslumbrado. A senhora gentil que carregava minhas coisas no carro também estava lá e disse que seu marido estava a caminho, que desistiu de desistir quando me conheceu no PC2, achei isso muito bacana. Não senti vontade de comer nada a não ser algo bem quentinho, uma sopa seria divina, mas a única coisa de quente que tinha era café puro, tomei uns goles e comi uma banana. Essa foi a parada mais rápida que fiz, 20min., as outras eu tinha descansado por 1h, mas sabia que meu ritmo ia diminuir consideravelmente nos últimos 75km e cada minuto que se passasse seria crucial para atingir a meta de chegar antes das 3h. da manhã.

Quando a madrugada chegou, meus dentes batiam de frio, eu tremia, por dentro do corta-vento não suava mais, passei por várias nuvens de neblina e, quanto mais eu pedalava, parecia que eu estava numa velocidade de pedestre, pois olhava nas placas achando que haviam passado 10km e eu completava apenas mais um. Quando eu pedalava em pé, o movimento central fazia um barulhão de máquina de lavar velha e o pedal dava um pulinho pra trás, comecei a ficar apavorada, afinal de repente a questão nem seria apenas se eu aguentaria, mas se a bike me deixaria na mão. As subidas e descidas pareciam não fazer mais diferença, o esforço era tão grande que agora era impossível tirar o pé do pedal, porque se eu tirasse, a bike parava. Decidi não olhar mais as placas para não desanimar, só olharia os km que eu estava de hora em hora, a partir dali. Apareceu um posto e fiz uma parada rápida lá, quando voltei a pedalar, me arrependi demais de ter parado, porque pedalando estava sim doendo tudo, mas ter parado e voltado os movimentos acentuou bem mais as dores, a lei da inércia é tudo!

Nos últimos 20 e poucos km, percebi uma iluminação forte atrás de mim, olhei de relance e achei que era um motoqueiro parado no acostamento, mas a luz não parava de me seguir, olhei de novo e me perguntei: “que diabos estaria fazendo um motoqueiro tão devagar atrás de mim”, fiquei bem desconfiada e apesar de saber a capacidade de uma moto, comecei a pedalar muito mais rápido, tirando forças de não sei onde. Logo parou um carro à minha frente e pessoas saíram dele, como que me esperando, reconheci o pessoal da organização e fiquei aliviada, quando cheguei, disse a eles que achava que uma moto estava me seguindo e estava com medo, eles riram e disseram que era apenas um velho ciclista tentando me alcançar, aquele que tinha desistido de desistir. Enquanto esperava ele chegar, o pessoal da organização me informava terem decidido me dar o certificado mesmo sem eu ter feito a inscrição, (será que eu podia por isso aqui?) por eu ter feito um esforço maior com uma bike inapropriada, e blás, mas que não valeria para os brevets porque eu teria que ter o certificado dos 200km primeiro, no entanto, ficaria como uma lembrança. Perguntaram se eu queria voltar de carro, se precisava de água, foram muito incríveis mesmo. Assim que eles saíram, umas lagriminhas começaram a descer no meu rosto, porque começava a me dar conta de que estava tornando realidade os meus 300km, fiquei emocionada com o que eles disseram para mim, como se eu fosse uma heroína, e estava mesmo começando a sentir um certo orgulho do que estava fazendo, não iria desistir por nada nesse mundo naquele momento.

Realização transcendental

Pedalamos, eu e o senhor juntos até o final nesses últimos km, e agora sim eu comemorava quando completava cada km, de tão difícil que estava. Quase nos perdemos chegando na cidade e então apareceu um senhor da organização de carro e nos guiou até a praça. Chegamos, às 02h55, como sempre eu estava em cima da hora, ainda não assimilava que tinha completado, só no dia seguinte me dei conta, pois estava muito exausta. O pessoal da organização que esperava na praça, nos parabenizou, agradeci todos os auxílios, peguei o resto das minhas coisas com a Eliane, esposa do ciclista. Ouvi a seguinte frase de um deles da organização: “Fazer 300km de fixa é coisa de macho hein, foi foda, parabéns!”, sabia que era uma boa intenção, um elogio que ele queria fazer, mas não resisti e disse que não era só de “macho” e eu estava ali como prova disso.

>300km depois... (Foto: Facebook do Audax)

E ainda ganhei uma carona até o hotel, porque não sentia mais minhas pernas, parecia que estava com pés de pato para andar. Mal aguentei subir as escadas do hotel, entrei no quarto, estava imunda, as meninas estavam dormindo, mas acordaram, perguntaram se eu havia conseguido e me parabenizaram, logo tornaram a dormir, hehehe. Tomei um banho dos deuses, deitei na cama com um sorrisão, achei que ia dormir no mesmo milésimo de segundo, mas apesar de estar imensamente esgotada, minha mente rodava todo o percurso de novo na minha cabeça como se fosse um filme e o corpo gritava de dor em qualquer posição na cama, depois de muito tempo consegui dormir um pouco.

no hotel, metade pra cima: imunda! (Foto: Jeanne-sonâmbula)

Acordamos, estávamos todas muito felizes, satisfeitas, e compartilhando as dores no corpo. Chamamos os meninos para almoçar conosco e fomos embora tod@s no mesmo ônibus.

vergão pra quê te quero (Foto: Bruno Gola)

Sentia uma auto-suficiência, determinação e uma capacidade para acreditar em mim, inéditas. Liguei para minha mãe para contar o feito, ela não deu a mínima, ainda disse que preferia um diploma da faculdade, mas não me abati pela primeira vez, de tão segura que estava, (ela tinha sido contra eu viajar pra Boituva desde o começo, me deixando tão pra baixo que quase desisti de ir) não deixei de me sentir feliz dessa vez; depois ela percebeu que me fez bem significativamente. Ela costumava me dizer, antigamente, que precisamos apenas de 3 “a” para sobrevivência: água, ar e alimento, e eu acrescento mais um: afeto, o restante são valores que criamos. => to pensando em tirar isso, ou uma parte da frase, não sei, acho que dá uma discussão grande e tá simplificado demais…

Bom, a “ferramenta” Audax como um passo inicial em meu tratamento, me fez dar uma grande avançada e fui progredindo depois disso, as mudanças foram também intensas, não é fácil conhecer a si mesm@, até porque mudamos constantemente, e continuo conforme meu ritmo, meu limite, como foi no Audax. Quando voltei a SP, a repercussão d@s amig@s foi tão maluca que me deixou tímida, e feliz, claro. É lindo pedalar, é transgressor e sublime, é descobrir autonomia dentro de si, é emancipador, é inspirador para a vida ser experimentada de novas formas e conhecer pessoas, é se perceber forte e frágil ao mesmo tempo, é completamente familiar e novo, é perceber além, é singular como cada gênero musical, é sedutor e é tesão, é quebrar mitos, objetiva e subjetivamente nos traz outros ares, e raramente é entediante, mesmo sendo o mesmo trajeto.

a fixa bike fixa

Reparei que entre eu e a bicicleta existe um cordão umbilical invisível, por isso estando com e sem qualquer companhia, por quaisquer caminho é sempre muito bom pedalar! Quando não pedalo, (como estou há várias semanas, tal como diz Dostoiévski, em Crime e Castigo, endomingada, devido a uma fratura) parece que estou deixando de alimentar meu corpo-mente de alguma necessidade vital. Como pensava há muito tempo em tatuar uma bike, mas esperava um motivo especial, além dos já conhecidos, achei que esse era o momento ideal, pois foi marcante, e semanas depois tatuei uma bike fixa. E me atrevo a nomear esse feito como meus “primeiros” 300km, porque não pretendo que seja o único, quero repetir a dose e quem sabe superá-la mais e mais. Que venham os próximos Audax! E outras cicloviagens, passeios, amizades, caminhos, descobertas, lutas, façanhas, ventos que acariciam os cabelos, aromas, dilemas, paisagens, sons, sabores, saberes, gentilezas, cores, etc. Pronto, acabei o relato, plin.

Meus primeiros 300km (Parte 2)

14 set

PC 2

O sol do meio-dia fritava até o meu DNA, então peguei meus óculos de sol, porque já me doía enrugar tanto o rosto para enxergar e os óculos quebraram sem eu entender como, mas tudo bem, pensei, “bola pra frente”. Logo imaginei que esse seria um momento propício para me distrair com as músicas, afinal como o aparelho tinha poucas horas de capacidade, guardei o uso dele para um momento difícil, e misteriosamente o salvador da pátria não estava querendo ligar, oh céus! Comecei a tirar fotos e inicialmente me distraí assim, no entanto, muito mais misteriosamente ela parou de funcionar, acho que a bateria não aguentou o sol, não sei, mas ela estava carregadíssima e não tinha tirado nem dez fotos ainda, hunf. Com tantas surpresas chatas, cheguei a me perguntar se tudo isso não seria um “sinal” para eu deixar a minha tentativa pra outra era, em outra vida.

Depois de passar por vários postos e não haver mais nenhumzinho, começa a me surgir uma vontade brutal de fazer xixi, tive de me enfiar num matinho, deixei minha bike encostada numa árvore e lá fui eu, agora, sim, me sentindo corajosa. Engraçado é que todo o percurso foi assim, os postos pelos quais eu passei, nenhuma vontade e depois de muitos km à frente deles… matinhos aliviadores.

Encarando o sol e a solidão, fui que fui, contemplando a paisagem, refletindo sobre a vida e os momentos ali, admirando meu corpo e minha escolha, me perguntando se um dia haveria respostas a todas as dúvidas que já tive – incluindo essa, poderia dizer que meditei, se não fosse os mantras que as buzinas dos caminhões berravam, sem pudores à audição alheia.

Antes de chegar no PC2, um ciclista na estrada do outro lado gritou, fazendo gestos para eu parar. Achei no mínimo curioso uma pessoa que já está fazendo os seus 150km da volta querer ajuda de alguém que ainda está indo. Parei, esperei ele atravessar as duas pistas, me perguntou se eu tinha algum remendo, disse que sim e lhe dei junto com minhas ferramentas, ele abriu um sorrisão e se desculpou por estar me fazendo esperar, mas eu teria carregado em vão essas parafernalhas caso ele não existisse no meu caminho, porque não precisei delas do começo ao fim, aliás: #infitasanti-furoIbelieveforeverandever! Quando o perguntei sobre os seus 300km, veja que inusitado, o moço nem sabia a quê eu me referia, disse que treina todos os dias uns 50km naquela estrada, ele é da cidade vizinha e até havia reparado na quantidade incomum de ciclistas por ali essa tarde, mas, como todos estavam com pressa e nenhum tinha remendo para emprestá-lo, ele não tinha tido ainda a oportunidade de saber o que estava acontecendo.

Cheguei ao PC2 com as costas em pedaços e super cansada daquele sol, não sentia vontade de comer nem beber nada, mas me forcei a tomar uns goles para não desidratar. Uma senhora, esposa de um dos participantes que ainda não tinha chegado ali, reparou que minha mochila de hidratação estava absurdamente pesada, de tanto carregar já tinha me acostumado, achando normal, mas ela insistiu para eu esvaziar um pouco, pois ela deixaria no carro dela e me entregaria no final, aceitei a gentileza dela e, nooooooossa, que diferença maravilhosa quando voltei a pedalar! Estava carregando milhões de gramas de guloseimas à toa, porque não sentia vontade de comer nada daquilo desde o PC1, pois, inclusive, comi muito mais as frutas do pessoal, mas deixei uma ou duas comidas, para garantir alguma urgência no meio do caminho. O marido dela chegou quando eu estava pronta para sair, desanimado, disse que ia desistir porque pegou gripe uns dias antes do Audax e sentia-se mal, porém quando se deu conta do tipo de bicicleta que eu estava pretendendo completar os 300km, ficou perplexo e me aconselhou a desistir também, porque segundo ele, eu não iria aguentar, ainda mais com as minhas “perninhas mixurucas” – denominação dele (só porque eu não tenho master músculos ciclísticos nas coxas será?), então eu disse que ainda sentia energia para continuar e iria tentar até sentir o contrário.

Meus primeiros 300km (Parte 1)

13 set

Nunca sei por onde começar, por isso protelei tanto esse relato, mas não digo apenas por este relato, como tudo, em geral, na minha vida. Talvez por uma dificuldade enorme de acreditar em mim, talvez por “esperar” apoio de pessoas importantes (meus familiares principalmente) que raramente concordam com minhas ideias e meus ideais, ou simplesmente por pensar demais em 500 possibilidades, hehehe…Bom, este aqui deve ser um começo. Devo avisar que minha noção de síntese não coincide com o sentido do dicionário. E que em alguns momentos pode conter emoções singulares, no entanto, dentro do meu contexto, fica impossível omiti-las.

o horizonte

Pré-Audax

Também não soube por onde começar e não houve planejamento algum. Afinal, já havia lido algo sobre o Audax e sabia que aconteceria no segundo semestre, mas minha cabeça estava tão confusa com meus problemas pessoais que não pensei mais nisso, era algo que tinha em mente participar, porém não cheguei a me programar. Muito repentinamente, e cá entre nós, num momento mais que necessário, surgiu um email informando que o evento seria dentro de uma semana.

Definitivamente eu pirei, – e dessa vez, num bom sentido – fixei meus pensamentos, energias, dinheiros e até conversas no “planejamento” de última hora. Confesso que devo ter ficado um pouco insuportável, mas as pessoas percebiam o brilho da minha vontade, algumas outras desconfiadas, encararam como mais uma tentativa autodestrutiva. O mais importante nesse passo inicial foi ter percebido uma oportunidade de fazer desse desafio não apenas um teste físico de ciclismo ou de resistência. Além dessas intenções interessantes, vi no Audax uma possível ferramenta complementar para o meu processo e projeto de tratamento para a depressão desesperadora que estava mergulhada há meses e estava me afundando rápida e intensamente, por isso me referi ao tempo que fui informada sobre o Audax ser muito oportuno, pois estava mesmo seguindo em uma direção negativa.

Todos os meus pensamentos ruins ficaram “aguardando na sala de espera”, enquanto me ocupei integralmente com as correrias pré-Audax. Precisei de muitos acessórios que eu não tinha, fiz as contas e percebi que se eu comprasse tudo ficaria lesada e então, tive a magnífica ideia de pedir emprestado a pessoas generosas alguns deles e outros eu acabei comprando mesmo:

-pneu mais grosso (só deu pra colocar na roda da frente ¬¬)
-comidinhas (acabei não comendo quase nada no final das contas)
-fita de guidão (feia)
-velocímetro (falho)
-fita anti-furo (urru!)
-short de performance (vergões nas coxas)
-ferramenta decente (um dia usarei)
-câmaras reserva (ainda vou precisar)
-pastilha de freio (tá lá)
-pilhas (ok)

Sem contar os dinheiros do hotel, passagens, happy hour…

E emprestado:

-bomba de ar (Célia)
-mochila de hidratação (André)
-luz dianteira (André)
-luz traseira (Edu e Jeanne)
-colete e bolsa de hidratação (Verônica)
-protetor solar (mamis)
-ipod (titio)
-capa-de-chuva (Salada)

(tenho que dar os créditos né…)

As luzes eram obrigatórias apenas para quem faria os 300km, não era certo de que iria tentar esse percurso, não treinei com antecedência, mas a vontade de me desafiar a isso era pulsante. Daí me veio a ideia (de girico) de comprar um velocímetro, pois poderia perceber se agüentaria mais de 150km e menos de 300km, então faria 200km por minha conta e como não havia essa marcação nesse Audax, meu velocímetro me indicaria o momento de voltar (que bagunça, deu para entender?). No final das contas ainda bem que não precisei dele, pois falhou na volta.

Enfim, me atrapalhei demais nessa semana pré-Audax porque além de ter que comprar muitas coisas em lugares diferentes e pegar os emprestados nas casas diferentes, havia os afazeres cotidianos. Apesar da correria danada e tudo em cima da hora, deu certo. Não foi diferente na sexta-feira, dia que teríamos de viajar, deixei muitos compromissos para a pobre sexta e chegou um momento que estava tão atrasada que bloqueei. Por um tempo não consegui fazer nada de tantos múltiplos medos e ansiedades, minha cabeça repetia: “não vou conseguir, não vai dar certo, melhor desistir, etc…” Minha mochila ficou hiper pesada, mas lá fui eu pedalando, desajeitada para a bicicletada, encontrar a Aline que já me ligava ameaçando de ir sem mim, para completar a minha agonia, hahaha. Chegando na bicicletada ofegante, a Aline ainda me diz para esperar porque o namorado da Jeanne estava vindo nos entregar o capacete que ela esqueceu, quase mastiguei a cabeça da Aline nessa hora, hahaha. Fomos pedalando muito felizes para a Barra Funda e compartilhando as ansiedades. Chegamos antecipadas e de tão pilhadas que estávamos, colocamos as bikes no ônibus errado.

A largada

Quando chegamos em Boituva sentimos um friozinho na barriga (do tipo, pronto estamos aqui e agora?) e um sorriso largo abrimos quando nos olhamos, daí fomos pedalando até o hotel. Encontramos a Jeanne e por incrível que pareça ela estava ansiosa também, que coincidência, hahaha. Nenhuma estratégia nos ajudou a aliviar a ansiedade, nem “vaca-amarela”. Estávamos fora de controle e de tanto conversar, em alguma hora bem tarde da madrugada, acho que cochilamos finalmente.

Pela minha percepção se passaram apenas alguns míseros minutos esse cochilo e logo quando abri os olhos, a pilhada da Aline estava no banho! E do outro lado a companheira Je balbuciava algumas palavras que não entendi. Estava frio e deu preguicinha de levantar, nem estava clareando ainda. Mas me senti intimidada a levantar quando a Je levantou e em seguida começou a yogar, pensei: “preciso disso!”. Ela muito opostamente a Aline estava aparentemente calma e relaxada, claro que era só aparência, então nós decidimos imitar os movimentos dela e nos alongar. Foi muito precioso! Tomamos café-da-manhã, checamos se nada faltava e voamos até a praça.

Lá encontrei os outros amigos, mas como estávamos todos tão agitados, não deu para papear muito. Achei que a organização teria que checar os meus equipamentos mesmo sendo “pipoca”, ou seja, não inscrita, mas não precisou. Quando vi todo mundo saindo, pensei: “ih, caramba, já?”. Lenta até para pensar, como sempre, fui uma das últimas a sair. A Je me deu um isotônico e super inteligentemente coloquei no elástico da minha bolsinha de guidão, assim que comecei a pedalar, com ela e com o Márcio gentilmente dando algumas dicas, a garrafinha caiu e saiu rolando em outra direção. Pedalei em busca dela e quando me voltei para a rua: “oh-ow, cadê todo mundo?”. Nem sabia em qual pista foram, e os pedestres que passavam por mim comentavam sem piedade “Corre moça, todo mundo já passou faz tempo!”. Peguei o mapa, entendi errado, mas fui certo. De repente me dou conta de que estava indo errado pelo que eu havia entendido do mapa. A neblina era tão intensa que não dava para ver ciclista em lado algum da estrada. Então fiquei na paranóia de que precisava voltar porque estava errada. Voltando, parei num posto e perguntei se haviam visto ciclistas passarem por ali, disseram que sim, rezei muito para ser verdade isso e continuei pelo mesmo caminho que tinha voltado um pouco. Que confusão! Depois de um tempinho pedalando já me deparo com alguns ciclistas consertando seus pneus, ufa!

Mais a frente encontro a Je parada, colocando seus fones e contemplando a paisagem, parei, trocamos algumas palavras e segui em frente, o sol nascendo e eu pedalando-despertando, que sensação! Depois de um tempo, ouço um grito: “Sarinhaaaaa!”, quando olhei para o lado era a Aline num posto, dando tchauzinho, não sei como ela me reconheceu de longe. Continuei, o sol começava a apertar, assim que passei por um pedágio decidi fazer uma parada para tirar o corta-vento, nesse momento a Aline chegou e também decidiu fazer uma parada, comemos, conversamos e lubrificamos a corrente. Voltamos a pedalar e fomos juntas até o PC1 a partir disso, sem nos forçar a manter o mesmo ritmo, estávamos mesmo em sincronia, foi a parte mais gostosinha do meu percurso. Tiramos fotos, cantamos, gritamos, filmamos, interagimos com outros ciclistas, demos muitas risadas, tudo sem parar de pedalar.

eu e Aline (foto: Facebook do Audax)

Numa descida um speedeiro passou por mim e me informou: “Você não precisa ficar pedalando na descida mocinha, é melhor economizar suas energias.” Respondi: “No meu caso preciso sim, minha bicicleta não me dá outra opção, hehehe”, ele olhou com um ar de dúvida eu pedalando e depois de uns minutos, muito surpreso: “Nossa, a sua bike é de velódromo! Você é corajosa, não é boa pra esse tipo de coisa, porque não veio com uma de marcha?”, expliquei que gostava da minha bike assim, quando ele soube que estava cogitando tentar os 300km então… Mas de fato, comecei a não pedalar mais nas descidas e apoiava os pés no quadro.

Chegou uma subida árdua justamente quando o sol não estava mais nem um pouco carinhoso, era a primeira vez que estava usando a bermuda de performance e posso dizer que não me aliviou muito, a minha virílha parecia ter vontade de fugir do meu corpo!

Finalmente no PC1, por volta das 11h., a organização foi gigantescamente solícita, me ofereceram tudo como se eu fosse uma digna participante, mas a verdade é que eu era clandestina e eles sabiam. Encontramos o Gola, o Leandro e o Shadow num descontraído picnic. O Denis, da organização, ficou indignado por eu e o Gola estarmos de bicicleta fixa, perguntou onde costumo treinar e a Aline, muito bondosa, respondeu que no bar do Pedrão, hehehe.

Aline e eu

Enquanto ela enchia seu pneu, disse a ela: “Amiga, me sinto bem para tentar os 300km, acho que vamos ter que nos separar aqui, não quero voltar agora”. Nesse momento o caminho não seria mais o mesmo para quem faria cada tipo de percuso e ela estava inscrita para os 150km. Ela implorou para eu mudar de ideia, dizendo que era loucura, que ela ficaria preocupada e etc. O Gola falou com aquela calma dele: “_Deeeeixa ela, qualquer pepino a organização pega ela de carro, deixa ela tentar, de boa.” e a Aline ainda que com um ar de mãezona concordou. Apesar de ter tentado me ludibriar com um caminho hipotético, que seria o mesmo que o dela inclusive, eu já estava bem atenta com os mapas e realmente me separei da safadinha. Não me sentia completamente segura nesse novo rumo, mas me alegrava ao pensar na imensa ousadia que estava prestes a cometer, e muito mais se ela desse certo.

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