Bem-vinda à vida!

13 ago

Sobre como a bicicleta entrou na minha vida…

Casei e me mudei de São Paulo para Osasco. Em seguida comecei a trabalhar em Barueri, a 6 km de casa, o que significaria uma facilidade incrível para chegar a empresa diariamente. Ou não… O que parecia maravilhoso e extremamente fácil transformou-se numa maratona diária de estresse… Parece até mentira, mas para percorrer estes 6 kms diariamente eu pegava dois ônibus e demorava entre esperar o ônibus e chegar à empresa, mais de uma hora. Definitivamente aquilo não era legal. Era uma distância muito curta pra demorar e gastar tanto! Sem falar na precariedade do transporte coletivo de Osasco: falta educação e treinamento aos motoristas e cobradores, faltam ônibus, falta espaço dentro dos que existem…

Qual seria a solução? Comprar um segundo carro para um casal?
Confesso que por algum tempo mantive esta idéia, achava que um carro resolveria o problema do tempo e do conforto, já que eu demoraria no máximo 10 minutos.

Bem, analisando melhor, eu demoraria uma meia hora, prevendo os congestionamentos da região para chegar com folga na empresa. Acabei descobrindo que poderia demorar mais… Minhas idas ao trabalho de carro demonstraram que não bastava sair do ônibus pois o congestionamento continuava lá também para quem se deslocava de carro, e, na prática percebi: ficar parada no trânsito dentro de um carro não era em nada mais confortável que o ônibus, era na verdade mais estressante. Lembro do dia em que desisti de esperar no congestionamento, encostei o carro na rua em frente a empresa depois de meia hora parada e fui caminhar. Voltei depois de algumas horas para buscar o carro. Mais questionamentos: um carro para andar 6 km e nem isso consigo fazer? Todo aquele gasto com combustível, manutenções, estacionamento.. para uma distância tão curta?

Não, definitivamente não era viável, teria que encontrar outra alternativa.

Este “pequeno” martírio diário onde eu alternava ônibus e carro se estendeu por mais de 1 ano até que finalmente eu não aguentei mais e surtei! Simplesmente não aceitava o fato de estar tão perto e não desfrutar de nenhum conforto com isso, de esperar uma eternidade e pegar 4 ônibus por dia, de pagar caro e ir espremida dentro deles.. de estar no ponto e o motorista parar ou mais pra frente ou mais pra trás.. ou de ir de carro achando que tinha encontrado a solução e descobrir que tanta gente achava mais confortável se deslocar de carro quando na verdade ele não aliviava em nada o problema, só agravava a situação… Cansei de sair de casa cada dia com mais antecedência e mesmo assim chegar atrasada por causa do trânsito.

Foi aí que finalmente abri os olhos para elas: as bicicletas!

Via vários ciclistas passarem enquanto estava parada no trânsito.

Seria viável ir de bike pro trabalho? Será que eu aguentaria pedalar todo dia? E quanto tempo eu demoraria? Será que não era perigoso?

Comecei a me questionar e a prestar atenção ao percurso, além de curto, quase não tinha subidas! (no começo a gente sempre tem medo delas né?) Passei então a pesquisar na internet sobre o assunto e encontrei diversos sites com informações sobre como pedalar no trânsito, como escolher uma bicicleta e ainda, com vários exemplos de pessoas que adotaram as magrelas como meio de transporte. Foi então que eu me decidi! Eu ía de bike! Merecia ao menos tentar!

Como eu não tinha uma bicicleta, teria que investir na compra de uma. Por ainda ter meus receios se esta empreitada daria certo, decidi comprar uma bike simples e o mais barato possível, mas que me passasse confiança. Escolhi uma cujo preço era somente um pouco a mais do que eu gastava em 1 mês de ônibus ou combustível, portanto, se desse certo, teria o retorno do investimento quase que imediatamente! Como minhas pesquisas sugeriam, também teria que investir na compra de algumas coisinhas como capacete, luvas, faróis e lanternas, nada exorbitante também.

De bike e equipamentos comprados, era hora de fazer o teste! Escolhi um dia do feriado prolongado de 01 de maio de 2008 para fazer o trajeto com meu novo veículo. Foi super tranquilo! Pedalar nas ruas quando se tem informações de como se portar é totalmente possível e agradável! Era um feriado, tudo mais tranquilo, mas a experiência nos dias que se seguiram não foi muito diferente. Fui e voltei até a empresa naquele dia, demorei em torno de 40 minutos, pedalando tranquilamente e cheguei em casa com a sensação de que tinha feito uma das melhores escolhas da minha vida!

E desde então sigo pedalando com esta certeza!

Esta foi a minha primeira foto de bicicleta, no dia em que eu descobri que não gostava de andar de bicicleta no parque, nunca gostei muito de bicicleta! Na infância e adolescência minha paixão era por patins! Mas com 26 anos eu descobri a bicicleta como veículo, que pode tornar meus deslocamentos mais agradáveis, muitas vezes mais rápidos do que outros meios de transporte, e principalmente, que me faz chegar aos meus compromissos sempre animada, cheia de disposição e pontualmente! Quem dera tê-la descoberto antes…

Camila

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11 Respostas to “Bem-vinda à vida!”

  1. Evelyn Araripe 13/08/2010 às 12:47 PM #

    Lindo o seu relato Camila!!!!
    Eu te conheci pedalando nessa Caloi Terra e o quanto você era orgulhosa dela! Também comecei com amesma bike e não me arrependo nunca… eita bichinha guerreira né?!!!

    Só acho que agora você fica nos devendo uma “Parte II” do seu relato, contanto tudo o que você já “aprontou” desde esse dia que a bicicleta entrou na sua vida e que, sabemos, vai muito além de suas idas ao trabalho!!!!

    Beijos,
    Evelyn

  2. Renata Ramos 13/08/2010 às 12:51 PM #

    Nossa, Camila, que emocionante!

    Estou pensando em algo para colocar a bike no meu dia-a-dia. Imagino como deve ser bom isso!

  3. Willian Cruz 13/08/2010 às 2:40 PM #

    Camila, parabéns pelo relato, que sirva de exemplo para muita gente. Meninas, vocês estão mandando muito bem nos assuntos do blog, continuem assim.

  4. Rayane Souza 13/08/2010 às 2:52 PM #

    Depoimento emocionante!

    Realmente é inexplicável como um objeto tão simples, como a bike, nos desperta sentimentos tão grandiosos.

    Parabéns pelo post!

  5. Thiago Nunes 13/08/2010 às 3:02 PM #

    Parabéns pela escolha e pelo post. Também optei pela bike como meu principal meio de transporte, e só encontro benefícios.

    PAZ!!!

  6. Tauana 13/08/2010 às 3:04 PM #

    A Camila me vendeu esta primeira Bike dela e hoje sinto a mesmíssima sensação usando a bike pra vir trabalhar!

    🙂

  7. acruzcosta 13/08/2010 às 3:46 PM #

    Muito legal !!!!! Acho que valeu contar mais sobre como foi depois. Parabens pela escolha.

  8. Aline Cavalcante 13/08/2010 às 3:51 PM #

    emocionante camila!!
    mais uma vez, parabens pelo relato..
    como a evelyn disse.. prepare a parte II heim
    =)
    e bem vinda à vidA

  9. anabadue 13/08/2010 às 4:07 PM #

    Essas histórias são legais demais!

  10. Camila 14/08/2010 às 11:00 AM #

    Obrigada a todos pelas palavras!

    Evelyn,
    Sim, a Terra foi uma grande felicidade pra mim. Ela não só cumpriu perfeitamente o objetivo de me levar pro trabalho diariamente, como me levou para pequenas viagens! Eu conquistei o caminho até o mar com ela! Nossa, são tantas coisas! E eu lembro como fiquei feliz quando nos conhecemos e você falou que tinha usado uma também! Guerreira mesmo!

    Tauana,
    Que máximo saber que você está usando a bike!!! Tinha ficado muito feliz eu poder vendê-la para uma mulher! Mais feliz ainda sabendo que ela continua girando a cidade! Que legal!!! Apareça nos encontros das Pedalinas! Queria muito revê-la! (você!! – a bicicleta também, vai, rs..) No dia mem que nos despedimos lá na estação, olhei depois na ponte e você e sua amiga voltavam pedalando, essa imagem ficou marcada pra mim já que a sua amiga tinha empurrado a bicicleta até lá, então acho que foi um momento novo pras duas, rs.. queria ter tirado uma foto daquilo;)

    Renata,
    Deixei umas diquinhas no seu relato, lindo por sinal!
    Sua bike é muito parecida com a Terra, só o quadro que muda, acho. Quando nos encontrarmos novamente posso te ajudar com as trocas de marchas.

    Ah Willian,
    Como o seu blog me ajudou nesta fase inicial! Eu chegava cedinho na empresa e devorava todas as informações! E continua ajudando! Tem tanta, tanta coisa legal que até hoje eu encontro uns textos que nunca tinha lido e sempre tiro dicas e mais motivação dali! (não sei se tá aqui no nosso blogroll, estamos ajustando as coisas ainda, mas com certeza precisa estar!)

    E vocês estão pedindo mais? Que perigo isso! rs.. tem taaaanta coisa pra falar! Com certeza teremos mais! rs..

    E o título do post é uma frase que eu ouvi de uma galera depois da minha primeira viagenzinha com a bicicleta! Bem-vinda à vida! É isso aí!

    bjs

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  1. Mulheres… « Outras Vias - 20/08/2010

    […] Luiza Franco, em Missão muito bem cumprida, pedalinas!; ) Sabe aquela sensação gostosa de liberdade quando o vento bate frio em seu rosto e seu sorriso se abre automático, junto de um suspiro profundo? Já sentiu o prazer de ver pessoas te olhando com olhos arregalados de susto e admiração? E um “olho-no-olho”, sem dizer nada, dizendo tudo, e ter a certeza de que a pessoa te entendeu totalmente? Pois é… Isso tudo eu senti quando fui passear com as Pedalinas no último sábado. Além disso, o carinho, o respeito, o apoio e a receptividade das “veteranas”, pessoas que já passaram pela experiência da “primeira vez”, nos deixaram tão à vontade e nos sentindo tão bem-vindas, que entrei já me sentindo parte do grupo. Parabéns pela iniciativa. É assim que se faz um mundo melhor e pretendo ajudá-las nisso!” Renata Ramos, em A emoção da primeira vez Esta foi a minha primeira foto de bicicleta, no dia em que eu descobri que não gostava de andar de bicicleta no parque, nunca gostei muito de bicicleta! Na infância e adolescência minha paixão era por patins! Mas com 26 anos eu descobri a bicicleta como veículo, que pode tornar meus deslocamentos mais agradáveis, muitas vezes mais rápidos do que outros meios de transporte, e principalmente, que me faz chegar aos meus compromissos sempre animada, cheia de disposição e pontualmente! Quem dera tê-la descoberto antes…” Camila Oliveira, em Bem-vinda à vida […]

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