Contagem de ciclistas

15 out

A Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo – Ciclocidade – tem feito um trabalho muito bacana na direção de legitimar o uso da bicicleta como meio de transporte e tornar cada vez mais possível a convivência pacífica no trânsito.

Mas dois levantamentos em especial tiveram uma importância histórica para embasar discussões ligadas à mobilidade urbana e ao uso crescente deste veículo na cidade. Foram as contagens de ciclistas realizadas nas avenidas Eliseu de Almeida (dia 13 de agosto) e Paulista (17 de setembro).

“A contagem de ciclistas em ruas e avenidas de São Paulo, realizada sistematicamente pela Ciclocidade, é uma forma simples de comprovar que uma quantidade considerável – e sempre crescente – de moradores da cidade vêm utilizando a bicicleta como meio de transporte em seu dia-a-dia. Este uso supera a barreira construída pelo fato de este veículo ainda não ter sido notoriamente reconhecido pelos órgãos públicos na sinalização viária permanente.”

Os relatórios estão disponíveis para download aqui e aqui.

Entre os parâmetro analisados estavam, sexo, idade, mão/contramão, capacete, mochila, roupa, etc. Características que traçam um perfil aproximado do público que freqüenta determinada região e quais suas preferências/particularidades.

Questão de gênero

Observem a gritante diferença entre a quantidade de homens e mulheres pedalando:

  Eliseu Av Paulista
Total 561 733
Homens 447 (98%) 649 (96%)
Mulheres 9 (2%) 27 (4%)



O que se pode concluir com esses números (especificamente relacionados ao gênero)??

O trânsito ainda é um ambiente masculino, onde os homens se sentem menos intimidados  a enfrentar os dificuldades e hostilidades. A bicicleta expõe o ciclista, ele fica vulnerável e fragilizado. Para a mulher sair da bolha (seja o carro, a casa, o quarto, o escritório, a proteção do marido) exige um pouco mais de iniciativa e força de vontade, já que as dificuldades que enfrentamos são particulares ao sexo feminino. Esta é, inclusive, uma das justificativas para a existência desse grupo. Quebrar barreiras, paradigmas.

Se somos poucas ocupando nossos espaços nas ruas, somos mais que antes e menos que amanhã. O processo é lento e gradual, mas constante. A conquista da liberdade e autonomia da mulher deu a ela espaço e coragem.

Ao mesmo tempo que é triste ver um número tão ínfimo nessas contagens, por outro lado é muito bom saber que estamos aumentando. Até o momento em que sejamos várias, espelhando outras, encorajando pessoas e contribuindo (à nossa maneira) por uma cidade mais humana, justa e tranquila.

A revolução virá de bicicleta!!! Enquanto isso, seguimos pedalando…

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10 Respostas to “Contagem de ciclistas”

  1. philsteffen 15/10/2010 às 5:11 PM #

    Gostaria de aproveitar o post para pedir as meninas argumentos e iniciativas que eu possa usar para minha esposa se sentir mais interessada pela bike.

    Pois ela constantemente tem idéia de comprar um carro(repudiada por mim, claro!)

  2. Luiza 15/10/2010 às 5:18 PM #

    Infelizmente a maioria das mulheres ainda vê a bike como um transporte que é preciso utilizar a força para usá-la, coisa de homem: de suar, de cair, de correr. Digo isso por mim, que até 2 anos atrás nem pensava em pedalar pq achava o trânsito um lugar muito hostil. Os homens talvez se sintam mais a vontade justamente por saberem que dificilmente serão intimidados na rua ou por terem essa tal de natureza mais “aventureira” de se jogar no trânsito.

    Concordo com vcs, que para nós mulheres, não é só a questão de andar de bike nas ruas, mas também das mulheres conquistarem mais esse espaço, de terem a força de vontade de mudar e se impor numa sociedade que apesar de tudo, ainda é machista. É como se tivéssemos que lutar em dobro, pelo espaço das bikes nas ruas e pela espaço das mulheres nas bikes.

    Muitas mulheres também usam da desculpa de que andar de bike não é prático pq assanha o cabelo, tira a maquiagem e que vc chega suada para trabalhar; isso pra mim não faz sentido; mas com essa diferença gritante nessa pesquisa dá pra ter uma ideia de onde ela vem.

    Bjos a todas!

  3. Aline Cavalcante 15/10/2010 às 5:33 PM #

    ótima pauta pra um post, phil!!

  4. philsteffen 15/10/2010 às 5:35 PM #

    Que bom! aguardarei um poste futuro então?!

  5. Aline Cavalcante 15/10/2010 às 5:39 PM #

    sim.. posso tentar..
    alias, vou jogar isso na lista de discussão!!
    pq essa sua fala me preocupa em um aspecto:
    o interesse pela bicicleta nao pode ser uma imposição, ao contrario, é natural e depende de várias coisas, tipo, relacionamento com a cidade, vontade de pedalar, aproximação e manifestação pessoal mesmo….
    o que dá pra se pensar são maneiras de tentar aflorar esses sentimentos em pessoas que não sabem que tem… mas caso ela nao tenha (conheço varias pessoas) aí acho que nao tem muito jeito…
    mas vamos discutir isso!!!
    valeu
    =)

  6. Willian Cruz 18/10/2010 às 12:03 AM #

    Quem pedala todos os dias sabe que tem bem mais mulheres pedalando. Mas a contagem é fotográfica, o que a torna confiável e “auditável”. Será que as mulheres evitam as grandes avenidas, preferindo caminhos mais tranquilos e agradáveis? É um ponto a se considerar.

    De qualquer forma, se a Av. Paulista fosse mais receptiva aos ciclistas, haveria bem mais mulheres pedalando por lá.

  7. diana 18/10/2010 às 12:46 AM #

    parabens aline, ótimo post

  8. marina chevrand 18/10/2010 às 11:24 AM #

    so pra constar, essa medicao foi feita das 6h00 às 20h00, certo?
    o Willian levantou outra coisa importante: acho que as mulheres realmente preferem outras vias. A Santos por exemplo é bem mais bike friendly que a Paulista, por ter menos motoboys, menos carros e mais arvores, o que faz o percurso ser mto mais agradavel. De qq forma acho super valida a contagem. Parabens a Ciclocidade!

  9. Anderson Araujo 19/10/2010 às 2:26 PM #

    A Eliseu é horrível, incrivel como tem tanta gente pedalando por lá, isso nos mostra que a prefeitura deveria realmente recapear a avenida e pensar numa ciclovia por ali, por que como está é uma vergonha.

    • philsteffen 19/10/2010 às 2:45 PM #

      O Recarregamento DEVE(deve no sentido de “dever” mesmo, não de “possibilidade”) ocorrer após o termino das obras. Agora por quanto tempo ela ficara “recapeada” são outro 500… minha dica pra Eliseu é pedalar pela faixa da esquerda impressionante como a quantidade de buracos lá é pequena…

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