Arquivo | janeiro, 2011

Urgente: bicicleta roubada y secuestrada!

31 jan

O poema que segue é da argentina Cecilia Pavón, integra o livro Caramelos de Anís. Foi traduzido ao português pela Marília Garcia e publicado na revista Inimigo Rumor nº 20. Agora está disponível na revista eletrônica Modo de Usar & Co., onde você poderá ler mais sobre a escritora (e ler ainda tantas outras coisas!).

– Agradecimentos ciclistas pra Cecilia e Marília por autorizarem a publicação!

imagem: montrealgazette.com

.

Bicicleta roubada sequestrada
.
Talvez a revolução esteja em seus corpos e eu não a veja
.
Essa é a história de uma bicicleta roubada
Sei apenas que perto do canal está o dono
ou a dona
Perto do canal,
perto de um canal
Mas esqueci o nome das ruas
.
Uma madrugada saímos depois de beber em um bar revolucionário
e minha bicicleta estava presa acidentalmente a outra
uma corrente se enredava por entre os cabos do freio e
a mantinha
sujeita a um poste
Todos iam embora
em táxis
em ônibus
em carros que estavam cheios
e eu não podia pegar minha bicicleta
tive que deixá-la ali
.
Se alguém a encontrar ali
vai quebrar o cadeado
e levá-la embora
mas de qualquer jeito era roubada
comprada por um preço muito baixo
no mercado de pulgas
ou em um quintal de fundos suspeito
de uma mulher imigrante
não se entendia muito bem o que ela dizia
mas de todo modo dizia:
“esta ser bicicleta minha velha”
“esta não ser roubo”
.
São três horas da tarde de um dia de verão com vento
As árvores que até agora estavam secas
movem-se extremamente carregadas
de folhas transbordantes de vida
Em vez de neve, fibras de pólen alongadas que voam
como insetos
Alguém prendeu sua bicicleta acidentalmente à minha
não sei se é um acidente ou um roubo
não sei se é um roubo ou se é a verdadeira dona
que sei que existe porque um dia se aproximou de mim em um parque
.
Eu não sou a verdadeira dona, eu a comprei
por este preço tão baixo
neste quintal
nos fundos
ou mercado de pulgas
de uma mulher com sotaque de estrangeira
de cabelos compridos e jeans gastos
que dizia
“não perigo, esta ser bicicleta minha passado”
.
Depois de conhecer a felicidade da bicicleta
Estar sem ela é como viver sem asas
.
Passavam os dias e a bicicleta seguia ali na ponte
o dono não vinha desatá-la, era verão, voava o pólen
manchado de sol
eu pedia bebidas que me faziam mal
como expresso
café
preto
sem leite
olhava para a bicicleta do outro lado da ponte e chorava
.
A bicicleta rosada presa
através do cabo do freio
por engano
à bicicleta celeste, oxidada, de um desconhecido
.
O sequestro da bicicleta roubada acontece
durante a única semana de sol do ano
.
As coisas grandes
as coisas raras
acontecem em momentos de decisão ou de loucura
por exemplo:
deixar seu país,
cortar o cabo do freio
com um alicate para liberar a bicicleta,
desfrutar
gozar
com o crime
quebrar a roda da outra bicicleta ou
jogar ácido no banco
Algo assim.
.
A bicicleta era a minha única fonte de diversão
Agora que está chegando o verão
e são poucas as horas de verdadeira noite
a bicicleta era a minha melhor,
minha única amiga
Sei que parece besteira
é até tão simples
mas passeando de bicicleta pela cidade
me sentia livre
a cidade era como uma paisagem
que eu podia ver de graça
passando a toda velocidade
pela janela de uma trem inter-city
só que a janela não tinha caixilhos
era uma janela sem limite
e rosada
uma janela com forma de bicicleta rosada
roubada
comprada de uma garota
que dizia “não ser perigo, não roubado, minha antes bicicleta”
.
Eu sabia que era roubada
mesmo assim comprei
Um dia em um parque chegou para mim
a verdadeira dona
uma mulher de uns trinta anos
e disse que aquela era sua bicicleta
mas eu a defendi com unhas e dentes
inventei uma história estranhíssima
complicada
com muitas etapas
de como essa bicicleta tinha
vindo de Paris de barco
pelo correio, desmontada
em uma caixa de papelão
enviada como presente por um ex-amante
.
Se me tiram a bicicleta
o que mais me resta aqui?
Sim,
há os cafés revolucionários
onde se discute o futuro do mundo
Mas nada
nada
pode se comparar
a ela.
.
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Bom final de semana

29 jan

Utilizo algumas gravuras incríveis do Adams Carvalho pra desejar um ótimo final de semana a tod@s! Em tempo: amanhã vamos nos encontrar na Verdurada SP (meninos e meninas) para uma conversa sobre o coletivo Pedalinas e a relação da mulher com a bicicleta nos centros urbanos. Além disso, próximo sábado – dia 05/02 – rola  o pedal + batepapo oficial do grupo (exclusivo para meninas)

#vadebike

Aproveite para ouvir o Gilberto Dimentein falando das Pedalinas na rádio CBN

 

 

Bici-anjas no Bike Tour 2011

27 jan

No aniversário da cidade de São Paulo milhares de bicicletas tomaram as ruas e deram vida a paisagens que normalmente são entupidas de carros, mau humor e poluição. Mesmo com todo apelo publicitário e apropriação das marcas patrocinadoras, o World Bike Tour proporcionou momentos muito bonitos e esse ano, em especial, contou com uma iniciativa fantástica!

Ciclistas mais experientes insatisfeitos com o tratamento que a organização e a CET dá aos participantes (abandonando-os no final do percurso, depois de ter usado eles para tirar a foto-capa-de-revista), resolveram se mexer e montaram esquemas de “bondes” no intuito de ajudar as pessoas no retorno, com segurança.

Os bondes auxiliam os iniciantes a voltarem pedalando, deixando claro que é possível SIM utilizar a bicicleta como meio de locomoção na cidade de São Paulo (ao contrário do que a Companhia de Engenharia de Tráfego sugere).

Foi lindo! O momento mais emocionante do dia!

Pessoas se aglomerando, querendo pedalar mesmo sob um sol de racha o crânio. Ouvi uma senhora de uns 50 anos falando ao telefone “calma filho, tem um pessoal de uma Ong organizando a volta das pessoas, vou pedalando até a estação de metrô e você me busca lá!”. De arrepiar!

Várias meninas ajudaram nos bondes: Silvia, Camila, Paty, Nataly, Elisa (me ajudem a lembrar de maaais). Pedalinas marcando presença!

Parabéns a tod@s os envolvidos!!

E vamo que vamo revertendo a lógica dessa sociedade. ESSE FOI NOSSO PRESENTE PARA SÃO PAULO!

Fotos do Ian Thomaz

Veja também as minhas fotos (@pedaline) tanto do evento quanto dos preparativos

Pedalinas no 18º Festival Hardcore de SP

24 jan

festival

No sábado e domingo agora vai rolar o 18º Festival Hardcore de São Paulo, são dois dias de Verdurada, um evento realizado em São Paulo desde 1996. A Vedurada consiste num show de bandas (especialmente de hardcore, mas o palco é aberto a outros gêneros) e palestras sobre assuntos políticos, além de oficinas, debates, exposição de vídeos e de arte de conteúdo político e divergente. No final é distribuído um jantar totalmente vegetariano.

Este é o mais antigo e talvez o mais importante evento do calendário faça-você-mesmo brasileiro. Isso quer dizer que a organização é totalmente feita pela própria comunidade hardcore-punk-straightedge de São Paulo, que se encarrega tanto do contato com as bandas e palestrantes, quanto da locação do espaço, contratação das equipes de som e divulgação. Tudo sem fins lucrativos ou patrocínios de empresas. A renda é destinada a cobrir os custos e colaborar com atividades e iniciativas realizadas, ou apoiadas pelo coletivo.

Os objetivos de quem organiza a verdurada são basicamente dois: mostrar que se pode fazer com sucesso eventos sem o patrocínio de grandes empresas e sem divulgação paga na mídia e levar até o público a música feita pela juventude e as idéias e opiniões de pensadores e ativistas divergentes.

No domingo dia 30 além dos shows vai haver uma palestra com as Pedalinas, vai ser mais uma oportunidade pra gente falar da história do grupo e incentivar mais meninas (e meninos também, é lógico) a usar a bike como meio de transporte! Todos estão convidados!

18º FESTIVAL HARDCORE DE SÃO PAULO
Dois Dias de Verdurada

Quando: Sábado, 29/01/2011 e Domingo, 30/01/2011
Horário: 16hs às 22hs
Quanto: R$ 10,00
Onde: Rua Nestor Pestana, 189, Centro (A uma quadra da Praça Roosevelt – entre Rua Augusta e Rua da Consolação – 5 minutos a pé dos metrôs República e Anhangabaú)

PROGRAMAÇÃO

SÁBADO – 29/01

Bandas:
Violator
Sweet Suburbia
Jah-Hell Kick
Western Day
Homem Elefante

Palestra/Debate: CICAS

DOMINGO – 30/01

Bandas:
Confronto
La Revancha
Futuro
Against All My Fears
Final Round

Palestra/Debate: Pedalinas

Cidade para Pessoas

20 jan

É com MUITA alegria que compartilho isso com vocês! Esse dias recebi um email da Natália Garcia (uma das Pedalinas que anda sumida) apresentando um novo projeto que vai dar outro rumo pra sua vida/carreira. Chama Cidade para Pessoas!

Convidativo, não?! Afinal de contas é por isso que também lutamos aqui nas Pedalinas, por cidades pedaláveis, calmas, arborizadas, onde pedestres e ciclistas tenham prioridade e políticas públicas em favor da qualidade de vida.

Uma vez ouvi/li uma frase que NUNCA saiu da minha cabeça (me desculpe o autor), era algo como: “Quando se estrutura uma cidade é preciso fazer escolhas: ou você faz isso para as pessoas ou para os automóveis, é IMPOSSÍVEL priorizar os dois ao mesmo tempo”. Mesmo sendo radical faz muito sentido.

O que a VOCÊ prefere? Carros ou pessoas? Velocidade ou calma? Árvores ou estacionamento?

“Desde que comecei a andar de bicicleta, minha relação com São Paulo melhorou muito. Mas a proximidade com os problemas da cidade também aumentou um bocado”, disse a Natália ao apresentar o projeto. A idéia é ao invés de simplesmente reclamar de São Paulo ela pretende viajar pelo mundo e conhecer as soluções de mobilidade que tanto buscamos! Ver in loco os exemplos de sucesso para quem sabe um dia influenciar nossa cidade.

“Vou passar um ano conhecendo 12 cidades (e morando durante um mês em cada uma delas) para coletar boas ideias de planejamento urbano e entender como elas melhoraram (ou não) a vida de quem mora lá.

O critério de escolha dessas cidades é o urbanista dinamarquês Jan Gehl, principal responsável pelo atual desenho urbano de Copenhagen. Graças ao trabalho dele, hoje Copenhagen é a cidade que tem o maior número de usuários de bicicleta no cotidiano. Depois de implantar algumas de suas ideias por lá, ele fundou o Gehl Architects e se dedicou a “Copenhaguizar” o mundo, atuando como planejador ou consultor em várias cidades.”

A lista de cidades abaixo é uma pré seleção dos destinos a serem visitados durante a realização do projeto. Essa lista está sendo analisada pelo próprio Jan Gehl e foi submetida a autoridades do planejamento urbano em São Paulo. A ideia é que, da lista abaixo, sejam selecionadas 12 cidades como destino.

Curitiba (essa é a “cidade 0”, onde será produzido o piloto do projeto durante a primeira quinzena de março)

1. Copenhagen
2. Oslo
3. Estolcomo
4. Amsterdan
5.  Roterdan
6.  Zurique
7.  Lyon
8.  Paris
9. Estrasburgo
10. Berlin
11. Perth
12. Barcelona
13. Madrid
14. Lisboa
15. Nova Iorque
16. São Francisco
17. Portland
18. Cidade do México
19. Sidney
20. Melbourne

E não tem desculpa, pois vários desses lugares têm características muito próximas à São Paulo, desde desenvolvimento econômico, relevo até a cultura do automóvel como status. Particularmente estou MUITO curiosa pra acompanhar a dinâmica desse projeto. Achei fenomenal e partindo de uma Pedalina que largou o carro e utiliza a bicicleta como meio de transporte!

Desejo (desejamos) boa sorte nessa nova empreitada, Nat, que você volte cheia de histórias boas pra contar e energia pra renovar as pessoas!

A metrópole de quem pedala

17 jan

Como você se locomove pela cidade? Uma pergunta simples que fala muito sobre a relação entre o homem e o meio no qual está envolvido, seja nas conexões sociais, com a natureza ou consigo mesmo. Em cada meio de transporte um mundo é descoberto e pronto para ser vivido, explorado, seja a pé, de carro, ônibus ou bicicleta, o importante é poder escolher aquilo que te faz bem.

Mas quando se vive numa sociedade que impõe padrões – em todos os aspectos – fica difícil subverter o óbvio, sair da órbita. Assim muitas pessoas são “enlatadas” pelos seus automóveis e não conseguem enxergar a vida além do insulfilm.

Que tal experimentar um meio de transporte barato, saudável e sustentável? Pedalar nos centros urbanos não só é possível como também é libertador, uma forma lúdica de expressar a liberdade de escolha e ao mesmo tempo contribuir com ruas mais calmas, arborizadas e vivas.

A bicicleta é uma grande aliada no processo de “descongestionamento” e de combate ao stress e sedentarismo – gargalos que têm tirado o sono de muita gente! Sem falar na melhora da qualidade do ar, da redução do barulho, economia nos gastos e possibilidade de reapropriação dos espaços públicos pelas pessoas.

Alguns cuidados iniciais são super importantes para quem quer tirar a poeira da bicicleta e experimentar olhar a cidade de outra forma:

• Procure fazer caminhos alternativos tentando ao máximo evitar as avenidas e ruas mais movimentadas – pelo menos no começo, enquanto se adquire equilíbrio e experiência.

• Sinalize suas intenções e se posicione com firmeza na via, mostrando para o motorista que você tem direito de estar ali e, mesmo que ele não goste, precisa te respeitar.

• Ande na mesma direção do fluxo, se mantendo sempre visível (seja utilizando roupas claras, luzinhas ou refletivos)

• Caso se sinta inseguro ou com medo, procure fazer o que for melhor no momento – mesmo que isso signifique pedalar um trecho na calçada. Não esqueça que em primeiro lugar está sua segurança.

Mesmo que não seja possível substituir totalmente o carro pela magrela, tente inseri-la aos poucos em pequenos deslocamentos, seja pra ir à esquina, à padaria, ou parque. Só não se surpreenda quando estiver pensando em maneiras de vencer seus caminhos sobre duas rodas, movido a arroz e feijão!!

Veja mais dicas aqui e aqui

“Pedalar é uma forma de vir relaxando”

15 jan

     Matéria do Último Segundo-IG sobre a ansiedade dos estudantes que prestariam a segunda prova da Fuvest no dia 09/01/2011 e um belo exemplo de como se beneficiar do deslocamento de bicicleta num momento tão importante:

Pedalando até a porta
No mesmo prédio, Nina Anderson, de 18 anos, chegou para prestar a prova de bicicleta. Moradora do bairro da USP, o Butantã, ela disse que pedalar a deixa relaxada.

 

“Não tenho carteira de motorista e nem vontade de dirigir, acredito que pedalar é uma forma de vir relaxando.”

Foto: Amana Salles/Fotoarena

Nina Anderson, 18 anos, garante a pontualidade indo de bicicleta para a prova da segunda etapa da Fuvest 2011

 

 Garota de atitude! Inspire-se!

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