Archive | fevereiro, 2011

Não foi acidente

28 fev

O que leva um cidadão a apontar o carro/arma pra uma massa de ciclistas e pisar fundo no acelerador/gatilho?? Que tipo de distúrbio considera tal atitude banal e justificável diante do “congestionamento” de bicicletas??

Perguntas que não saem da minha cabeça desde que Ricardo José Neis, funcionário do Banco Central de Porto Alegre, se sentiu no direito de atropelar dezenas de pessoas que pedalavam pelas ruas da cidade.

Particularmente não aguento mais ver os vídeos dessa barbárie, meus olhos enchem de lágrima e a revolta não sai de mim. A vontade de tocar fogo no carro, na casa, na vida dessa pessoa é incalculável, porém seguro essa raiva na tentativa de canalizá-la pra algo realmente produtivo.

Ao mesmo tempo quero abraçar os gaúchos, dizer que não estão sozinhos nessa selvageria chamada BRASIL. Por isso estamos juntando quem ta a fim de participar da Massa Critica de Porto Alegre (dia 25/03) para engrossarmos o caldo e gritar juntos por justiça. Aos interessados escrever para pedalinee@gmail.com que adiciono na lista paralela.

Tudo que sei até agora é que vamos à tarde de avião, para dar tempo de chegar na bicicletada, e a estadia estamos tentando com amig@s de lá.

Em tempo.. Daqui a pouquinho tem BICICLETADA EXTRA (no mesmo horário e local) em repúdio à tentativa de homicídio contra os ciclistas gaúchos e um pedido desesperado por JUSTIÇA, PAZ e COEXISTÊNCIA entre os agentes que transitam nessa cidade.

Acompanhe o andamento do caso pelo blog da Massa Crítica de Porto Alegre ou twitter @massacriticaPOA

Posts:

Renata Falzoni

Vá de bike

FelizCidadeFeliz

Outras Vias

Bons Fluidos de março

25 fev

Revista Bons Fluidos desse mês tem destaque para bicicleta como meio de transporte! A matéria ficou bem legal e tem depoimento meu (Aline), da Aninha, Renata Falzoni e da Silmara.

Quando me entrevistaram para essa pauta escrevi vários emails explicando o que é o coletivo Pedalinas, a jornalista perguntou sobre tudo, mas no final rendeu um boxe com 3 linhas indicando o nosso blog.

Confesso que fiquei meio decepcionada, não pq falaram pouco da gente, mas principalmente pq me fizeram perder um tempo precioso para nada. Enfim, estamos aí! Ainda não disponibilizaram a matéria no site, então quem quiser ler só comprando a revista!

 

Aninha

Silmara

Pedaline

Eu e minha bicicleta

23 fev

Definitivamente minha bicicleta precisa de um nome

Lembro como se fosse ontem de quando fiz meus 18 anos. Meus pais realizaram o sonhos de muitos outros pais ao me darem meu primeiro carro, um golzinho azul, daqueles quadradinhos, motor 1.0, a quem eu dei o nome de Frederico.

Naquele tempo, como muita gente faz até hoje, eu associava o carro, a carta de motorista, à liberdade de ir e vir. Adorei todo o processo de aprender a dirigir e, modéstia à parte, aprendi muito bem todos os macetes. E nem poderia ser de outra forma: morando em Guarulhos e trabalhando como auditora eu atravessava a cidade de São Paulo diariamente, quase sempre nos horários mais complicados.

Eu ainda adoro dirigir… Na estrada. Após anos e anos passando em média três, quatro horas por dia parada em alguma avenida, a ideia de que carro e liberdade são equivalente não existe mais. A única exigência feita na escolha do apartamento para mudar após o casamento: no meio de São Paulo, perto de uma estação de metrô. Foi assim que eu fui parar na Vila Pompéia, entre as estações Vila Madalena e Barra Funda. Foi por isso que os dois carros que tínhamos, eu e meu marido antes do casamento, viraram apenas um.

Depois que nasceu a Carol a distância entre eu e o carro só aumentou: passei a buscar solução para tudo perto de casa, do supermercado a escola, passando por médicos, lojas de roupas, petshop, boteco e restaurante. Se for possível ir a pé é a escolha ideal.

Quando voltei a trabalhar, a Carol com um ano de idade, escolhi um emprego na Avenida Paulista. Seis quilometros me separam de meu escritório – quando eu morava em Guarulhos a conta era sempre acima de 30 – que fica ao lado de outra estação de metrô. Sim, eu sei que a maioria não consegue, pelos mais diversos motivos, ter a comodidade que tenho, mas também não agradeço aos céus pelo que consegui: fiz certos sacrifícios na carreira, pago mais pelo financiamento do apartamento, o que significa gastar menos com outras coisas, tudo para realizar o sonho de não depender mais de um carro.

Hoje, 07 anos depois da Carol ter nascido, 08 anos depois de eu ter assinado um caminhão de promissórias e 06 depois de ter escolhido a comodidade como prioridade na opção por um emprego, eu raramente uso o carro. Algumas vezes meu marido viaja e eu poderia vir com o carro para o trabalho, a escolha é deixá-lo próximo a estação de metrô, após deixar a Carol na escola, e pegá-lo apenas no final do dia. Troco 30 minutos de carro por 20 entre metrô e caminhada, mas me sinto muito mais livre e ainda leio um livro.

Não sei ao certo quando eu comecei a olhar para a bicicleta de outra forma. Entendam que eu até tinha certo preconceito: não sou dada a atividades físicas e meu irmão é daqueles obcecado por esporte, que desce a serra de bicicleta como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Mas a questão é que eu olhei e percebi que, antes de ser o objeto de tortura das academias, a bicicleta era um meio de transporte.

Isso é tão óbvio que é até ridículo eu nunca ter pensado nisso antes.

Comecei então a procurar sites que falassem da bicicleta de forma diferente, comecei a prestar mais atenção ao pessoal que usa a bicicleta no dia a dia, aqui mesmo na Avenida Paulista. Descobri que o movimento Cyclechic também existia em São Paulo e coloquei na cabeça de que essa sim era uma opção pela liberdade.

Primeiro de tudo eu tinha que resolver uma questão de ordem prática: eu precisava de uma bicicleta. Tá, eu tinha uma bicicleta, uma Caloi usada para passeios. Mas ela tinha um problema que talvez tivesse me afastado da bicicleta muito antes da ideia de que ela é para esporte: ela era grande demais para mim. Você já parou para pensar que para uma pessoa que tenha menos de 1,60m, tipo eu e os meus enormes 1,54 (meu pai disse que eu tenho horário e não altura), uma bicicleta aro 26 é ENORME? Eu não consigo simplesmente parar a bicicleta e ficar com ela em pé. É impossível.

Foi quando eu descobri as bicicletas da Dahon, uma marca americana que faz bicicletas que dobram – olha que ideia SENSACIONAL – e que tem aro 20, o que torna muito mais fácil a minha relação com a magrela. Problema? Só o preço, não é? Mas teimosa determinada como sou, estabeleci a meta e comecei a guardar um pouquinho por mês. Foi um ano fazendo contas e então pude comprar a minha bicicleta à vista e ainda coloquei uma cestinha linda, de vime, na magrela.

A bicicleta está sendo muito bem usada em todos os finais de semana, temos aproveitado a ciclovia do Parque Villa Lobos em família – no embalo meu marido comprou uma bike nova para ele e a Carol está usando a que ganhou no ano passado – o que me permitiu aprender melhor como controlar a bicicleta, que é mais arisca por conta do corpo ser menor. Não foi só isso que ganhei: a Carol está adorando o programa em família, depois de andar de bicicleta, brincamos de pega pega, fazemos piquenique e empinamos pipa, voltamos todos a ser crianças.

Ah, também tenho dormido muito melhor e ganho novo fôlego, me sentindo mais saudável.

Mas o projeto vai mais longe: eu quero usá-la para vir trabalhar, algo totalmente plausível na distância que tenho, ainda mais se considerarmos que boa parte dela são duas retas seguidas, as Avenidas Dr. Arnaldo e Paulista.

Para poder fazê-lo eu preciso de duas coisas: primeiro convencer meu marido que isso é possível, de que não serei atropelada logo na primeira tentativa (para isso eu tenho contado com os vários blogs e relatos do pessoal que já faz isso todo dia); segundo, preciso acertar a rotina da Carol, já que fica meio complicado levar a pimpolha de 07 anos na garupa com uma mochila enorme.

Por isso em 2011 a rotina muda um pouco: Carol mudará para uma escola mais perto ainda de casa, o que me permitirá levá-la a pé mais cedo e depois pegar minha bike e seguir, seja para o trabalho seja para a estação de metrô – a da Vila Madalena tem até bicicletário, mas minha intenção é dobrar a bike e carregar comigo até a estação Brigadeiro, seguindo então até o escritório com ela.

Ah, sabe o que é mais engraçado? A Carol tem repetido constantemente que, por ela, todo mundo abandonava o carro e usava bicicleta no dia a dia. Acho legal isso porque nunca falei para ela sobre minhas intenções assim, de forma séria ou fazendo a defesa disso, sabem o que eu quero dizer? É claro que crianças são super inteligentes e pegam as coisas a sua volta, mas mesmo assim achei sensacional ela externalizar dessa forma. Isso significa que, para ela, a bicicleta já está muito mais associado ao bem estar do que estava para mim no passado.

Eu prometo contar para vocês aqui da evolução do meu plano de ir de bike para todo lado. E, para quem já adotou a bike de vez, me ajuda aí a convencer meu marido de que é possível, mesmo que você more na terra das cabras, ops Pompéia.

Meu rolê com as Fix Without Dix!

22 fev

Recentemente fiz uma viagem pros EUA e tive a oportunidade de pedalar novamente com essas garotas que foram uma das inspirações pro início das pedalinas, na qual falei neste post. Fiquei na casa de uma das meninas que fazem parte do grupo (a Alicia) e que conheci da outra vez que estive por lá e me programei pro próximo encontro (que acontece toda quarta à noite). Me encontrei com elas numa saída de metrô em Oakland (cidade na Bay Area, próxima de San Francisco) umas 6 da tarde, já estava escuro e lá estavam umas 5 ou 6, uma delas me reconheceu do outro rolê. A maioria delas tem bike fixa e poucos minutos depois começamos o rolê com cerca de 8 meninas. Combinamos de dar um rolê meio curto dessa vez, apenas ao redor do Lago Merrit (que é muito bonito) e ir comer num lugar de comida soul vegan (que é perfeito huauah!).

Durante meu trajeto um susto! Quando fui mudar de marcha o pedal travou de vez e eu dei um grito pra Alicia pra parar o comboio! Mas nada que não tenhamos conseguido arrumar (a Alicia sempre anda com esses kitzinhos de ferramentas, muito útil pra qualquer um que ande de bike, aliás) e continuamos a jornada!

Paramos primeiro em um bar que tinha uma photobooth, essas cabines de tirar fotinhas, infelizmente não tem por aqui do mesmo jeito, ela dispara quatro vezes e em cada uma você tira a foto do jeito que quer. Fizemos mil combinações pra sair todo mundo huhauh, foi bem engraçado (quando scanearem as fotinhas eu ponho aqui!)

E depois fomos para o restaurante, onde comemos uma comida vegan brutal e as meninas pediram umas cervejas diferentes! Hora de bater papo e confesso que fiquei mais ouvindo mesmo, é algo que eu gosto muito quando estou em outro país, ouvir o que as pessoas tem a dizer, perspectivas diferentes!

Com certeza foi um dos melhores momentos dessa minha viagem e eu recomendo total a qualquer menina que vá para a Bay Area dar um rolê com elas! Assim como nas pedalinas, qualquer menina é bem-vinda!

Uma animação para alegrar a tarde

21 fev

A qualidade do vídeo no Youtube não é das melhores, mas a animação é lindinha, vale (re)ver. 🙂

“História Trágica com Final Feliz” – Regina Pessoa, 2005. Canadá, França e Portugal.

Como uma mulher se sente em uma bicicleta

19 fev

É sobre liberdade. É sobre independência.

Eu posso ir aonde eu quiser, quando eu quiser, rápido ou lento o quanto eu quiser. Eu não fico presa por restrições de riqueza. Eu não fico presa por restrições de status. Eu não fico presa por restrições de tempo.

Eu chego ao meu destino dentro daquele milisegundo que eu previ que estaria lá. Eu posso parar bem em frente ao bar, restaurante ou qualquer outro destino acarpetado sem ter de pagar um manobrista. Sem ter me prendido. Sem ter pisado em um pedal sujo de gasolina. Sem ter feito qualquer pagamento a ninguém.

No caminho até lá, eu sentirei a energia de estar viva. Eu vou encher meus pulmões com ar. Eu vou sentir meu sangue pulsando nas minhas veias. Eu vou sentir meu coração batendo no meu peito.

Abaixo do meu selim eu sinto a conexão com a terra. Em minha aula de yoga, meu professor sempre me diz para sentir a terra tocando o solo com meus pés. Na minha bicicleta, quando eu estou pedalando, eu sinto a energia vindo pelos meus ossos. Meus pés estão pedalando, e a cada rodada, a Terra sobre pelas minhas pernas, minhas coxas, minha pélvis. Eu sei aonde eu estou.

Eu estou nas ruas de São Francisco.

Eu ouço a conversa dos passantes bêbados. Aonde você vai terminar essa noite? Aonde você vai para o próximo drinque? Como será difícil ir ao escritório amanhã? Alguém o vê fora de seu elemento?

Sim, era eu. Eu realmente estava tão perto das pessoas que eu vi aquele olhar roubado, aquele beijo secreto… Você não achava que eu poderia ver ou ouvir você, mas eu estava perto o bastante para testemunhar tudo.

Algumas vezes eu imagino o quanto Ralph Lauren, Betsey Johnson, Karl Lagerfeld, Vivienne Westwood, John Fluevog e (RIP) Alexander McQueen valorizaria este tipo de conexão que eu sinto com as pessoas quando eu estou quando estou guiando minha bicicleta pelas ruas. Não é esta pessoa voltando para casa, bebâda e fabulosa, com renda sobrando, que eles querem alcançar? Seria benéfico para eles tirá-los de seus carrões, limousines, janelas filmadas, para experimentar a vida da forma mais pura e vibrante?

Toda vez que eu me sento em meu selim e vivo essa experiência de vida (meu transporte diário do ponto A para o ponto B) minha bicicleta me lembra o quanto é bom se sentir viva.

Tradução de um belo texto do blog  Vélo Vogue

Travando (U-Lock e Cabo)

18 fev

Já apareceram na lista algumas discussões sobre que tipo de trava usar e como prender a bike, então aproveitei para fazer um post falando da minha experiência e do que pesquisei e ouvi por ai. Mas é claro que eu não sou nenhuma especialista, e novas informações são muito bem-vindas 🙂

Para prender a minha bicicleta uso uma U-Lock e um cabo. Essa foi a forma mais segura que encontrei, embora ache o cabo dispensável quando vou ficar perto da bike ou quando prendo-a com várias outras (nos botecos da vida).

No meu caso, o cabo serve para prender a roda da frente. Ouvi que é importante sempre deixar o cabo bem colado na bike, pois uma parte mais frouxa pode ser torcida, rompendo as “fibras” e facilitando o corte do cabo. A opção de usar parafusos ao invés de blocagens dificulta um pouco o roubo das rodas e selim, mas não tanto assim – basta uma chave simples para retirá-los -, por isso o uso de uma blocagem segura – as com segredo ou as que só abrem quando você vira a bike de ponta-cabeça – pode ser a melhor forma de dispensar o cabo. Porém, embora não seja a situação ideal, o cabo ainda é uma boa solução quando a sua U-Lock não encaixa em local algum, então pode ser bem útil ter um desses na bolsa.

Já a U-Lock prende a roda de trás (que é a mais importante – mais componentes, mais $), o quadro, o poste e o próprio cabo. Uso aquela U-Lock “grandinha” (que é o tipo que eu mais vejo por aqui), e consigo parar em praticamente todos os lugares. Esse modelo cabe naqueles postes de placa ou de luz, então fica bem fácil de estacionar, e vem com um suporte para ser transportado no quadro. Mas também tem a opção de comprar as U-Locks menores, mais leves e práticas, só que elas não cabem em qualquer poste. Então antes de decidir o tamanho da trava é bom pensar onde se costuma parar e no que fica mais prático e seguro.

O resultado é o “belo” slideshow abaixo (use a imaginação para visualizar um poste no lugar do taco de Bike Polo…hehe):

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