Homens que nos respeitam, pessoas que admiramos e algumas reflexões

30 abr

Fiquei extremamente feliz ao ler um post no blog FelizCidade Feliz (confira aqui). Nele, o autor faz uma pequena, porém importantíssima, reflexão sobre os comentários que tem ouvido por causa de sua mulher pedalar. As pessoas o elogiam, como se ele fosse um super herói por ele não se opor à liberdade de sua companheira e ele aproveita para deixar claro que seu respeito e apoio a ela deveriam ser tidos como algo natural (assim como sempre foi para ele.)

Pensamentos assim como o do João Paulo felizmente existem e não são poucos.

Tenho percebido posicionamentos firmes de homens que respeitam a mulher em igualdade ou, ainda, que estão percebendo que não faziam isso e nem se davam conta, como no trecho que destaco abaixo extraído de uma mensagem de um homem durante uma discussão sobre a tal fragilidade feminina:

“(…)percebi que temos que ter cuidado quando escrevemos, muitas vezes começo a ler um assunto e minha opinião muda várias vezes(…) sou menos machista e menos preconceituoso do que era antes, mas para isso tem que ter sensibilidade para fazer uma auto analise.”

Sim, ele, está certo. Ninguém nasce machista, mas pode tornar-se um sem nem perceber. E se alguém se esforça um pouco para lhe mostrar que você pode estar equivocado em seu pensamento e se você ouve e reflete sobre isso, tem grandes chances de perceber o preconceito que existia e mudar. Mas para isso é preciso ter sensibilidade e mente aberta senão nem uma  enxurrada de argumentos será suficiente. E isso vale pra muita coisa na vida. De verdade.

As Pedalinas nasceram dentro do movimento bicicletada SP e entre diversas razões para se criar este espaço feminino, uma delas era a percepção da falta de mulheres nas bicicletadas. O coletivo, ao qual me juntei meses depois, completa 2 anos em maio. De lá pra cá muita coisa mudou. A cada bicicletada vejo mais e mais mulheres. E não são só as amigas das que eu já conhecia. Há mais mulheres que se sentem cada vez  mais à vontade para chegar sozinhas, conhecer o pessoal e interagir. 

Infelizmente ainda presencio alguns participantes da bicicletada que assediam mulheres que estão nos bares por onde  passamos por exemplo, mas imediatamente também vejo outros participantes conversando com os agressores e demonstrando que isso não é nada legal, muito menos natural.

Essas mudanças acontecem não porque existem as Pedalinas, mas porque existem pessoas como o rapaz das palavras citadas acima, que são capazes de refletir e mudar. Por causa de pessoas que não tem medo de assumir suas posições perante um grupo e de demonstrar com argumentos e respeito, que rotular a mulher como frágil e reduzi-la à sua aparência física pode (e é) ruim para a sociedade como um todo. 

Uma mulher pode fazer as mesmas coisas que um homem, de forma melhor ou pior, e isso não deveria ser motivo de alarde para ninguém, deveria ser natural. Essa crença da mulher frágil foi sendo alimentada ao longo de séculos e ainda se faz presente até nos pequenos detalhes cotidianos, mas não podemos deixar de mostrar o equívoco sempre que necessário. Basta olhar em volta para perceber mas às vezes é preciso demonstrar de forma mais clara que dentro de uma frase aparentemente inofensiva pode estar um preconceito enorme.

Querer proteger através do medo é aprisionar. É preciso mostrar que é possível, apoiar, ajudar e não aterrorizar.

Há homens que nos respeitam, há pessoas que admiramos, e há pessoas que podem ser um e outro também, mas é preciso sensibilidade. E sensibilidade não é atributo só de mulher. Muitos homens já sabem, que bom!

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