Paixão passada de MÃE para FILHO

8 maio

"Partilhamos o gosto pela bicicleta, conversamos sobre rotas, roteiros de viagem... Quantas mães têm esse privilégio?"

 

Considero a Fátima, além de amiga, uma inspiração! Foi ela quem me acompanhou em minha primeira pedalada pela emblemática Avenida Paulista.

Quando a conheci, em meu primeiro passeio ciclístico, eu já ía de bike pro trabalho, perto de casa, mas não ousava ir além. Logo surgiu o convite para a minha primeira cicloviagem, até Embú das Artes, pertinho, mas um desafio transformador.

Sempre achei o máximo a Fátima pedalar com o filho, Thiago (mais uma pessoa especial que conheci pedalando). A história deles com a bicicleta merece ser contada nas palavras da própria Fátima:

 

“Comecei a pedalar em São Paulo em 1997, após dezoito anos sem pedalar, quando meu filho Thiago (23 anos), na época com 9 anos, ganhou uma bicicleta aro 24. Próximo de casa não tinha espaço seguro para ele andar, então íamos até o Parque do Ibirapuera.

No início levava ele sentado no quadro, depois instalei um bagageiro. Até a nossa cachorrinha pincher, a Minie, ia junto. De vez em quando eu alugava outra bicicleta lá, para andar com ele.
 
 
Isso foi um retorno ao ciclismo, pois comecei a pedalar (em duas rodas) aos 7 anos, levando meu irmão, José, na “garupa” da bicicleta. Ao mesmo tempo em que segurava, para que eu não caísse, ele ia de carona. Esperto ele, não?!
 
Nessa época morávamos com minha avó, em Votorantim, interior de São Paulo, e não tínhamos bicicleta. Mas tínhamos os triciclos, que inclinávamos, tirando uma roda traseira do chão, para parecer bicicleta (molecagem). Ou então andávamos na bicicleta de meu tio quando ia nos visitar. Isso tudo pelas ruas do bairro.
 
Dos 12 aos 16 anos passei a andar numa “Monaretta” (aro 20) da minha prima Rosana, depois em outra da minha tia e também em uma “barra circular” (quase maior que eu). Aí as distâncias ficaram menores para nós. Pedalávamos até o centro da cidade, e outros bairros. Em ruas de terras, avenidas asfaltadas ou trilhas.  Como meio de transporte e por lazer.
 
 
Thiago e as bicicletas
 

Desde cedo: Um carrinho pra brincar, uma bicicleta pra se locomover

     Ele ganhou sua primeira bicicleta quando tinha quase dois anos e meio, no Natal de 1989 (21 anos atrás). Ele nem se lembra. Para ele, já nasceu sabendo.
 
Quando decidi dar um brinquedo que lhe desse mobilidade, pensei em algo que fosse para mais que uma curta fase, é o caso dos triciclos de plástico que usaria no máximo dois anos. Eu quis dar algo que fizesse parte de sua vida, então (em setembro) decidi comprar a bicicleta – aro 12, com rodinhas, é claro, mas suas perninhas, ainda curtas, não conseguiam girar os pedais.
 
Empurrei da loja até em casa, aproximadamente dez quarteirões, e ele foi sentado, apoiando os pés nos pedais, com tranqüilidade, como se fosse algo habitual, curtindo seu primeiro passeio nas calçadas das ruas e avenidas de São Paulo. (Mas só ganhou o presente no Natal!)
 
Aos 4 anos pediu que tirasse as rodinhas, pois estavam atrapalhando. Então lhe disse que se tirasse, não colocaria novamente. Ele concordou e eu tirei. E na, pracinha, após algumas quedas, sem grandes marcas aprendeu a pedalar sua bicicleta.
 
Além disso, desde essa época ele se interessou em conhecer a mecânica e o funcionamento, aprendendo a fazer a manutenção das bicicletas.  
 
Em 2002 dei outra bicicleta para o Thiago, uma aro 26, pois a outra já estava “pequena” pra ele. Nesse momento nossas aventuras pelas ruas das cidades e rodovias, começaram participando de passeios ciclísticos ou indo aos parques Ibirapuera e Villa Lobos.
 
Conhecemos outros ciclistas nos passeios ciclísticos, começamos a andar em grupo e de lá pra cá, logo que alguém fica sabendo de outros passeios, já divulgamos pra todos, combinamos como e para onde vamos.
 
 
Juntos, de bicicleta
 
Geralmente aos domingos e feriados participamos de passeios ciclísticos organizados por instituições ou bicicletarias, em alguns, colaboramos na organização durante a realização do evento.  Já participamos de passeios em diversos bairros e municípios de São Paulo, ABCD, Guarulhos, Mauá, Osasco e Ribeirão Pires.
 
Quando não há passeios, combinamos com os amigos algum roteiro, dentro ou fora da cidade.
 
Também participamos de encontro de cicloativistas, como a Bicicletada, para conscientizar os motoristas de que existem ciclistas utilizando as ruas e devem ser tratados com respeito, permitindo que transitem com segurança.   
 
 
O significado da bicicleta 
 
   
Um meio (além das pernas e pés) para o movimento com liberdade, boa para o físico, para a mente e para o bolso…
 
Uma paixão, hábito saudável! Encurta as distâncias. Aproxima as pessoas, ciclistas e não ciclistas, pois muitos se sentem atraídos para ver um passeio ciclístico passando ou chegar próximo a um grupo de ciclistas e conversar sobre a época  que andava ou bicicleta que teve.
 
Nós representamos o incentivo e para os pequenos que estão começando, podemos ser referência em postura e atitude. 
 
Também a alternativa para o trânsito caótico das grandes cidades. Uma forma rápida, prática e econômica. E mais, é ecologicamente correta, não polui.
 
Senti muita falta no período que fique sem pedalar, mas pensava que não conseguiria pedalar numa cidade com trânsito tão movimentado, como São Paulo.
 
 
Relação mãe e filho (+ pedais)
 
Partilhamos o gosto pela bicicleta, conversamos sobre o uso, o funcionamento, ajustes, peças, desempenho, rotas e roteiros de viagem.  Quantas mães têm esse privilégio?
 
 
E mais: é uma satisfação, pois eu a apresentei a ele e ensinei algumas coisas, mas ele aprendeu muito mais porque adquiriu o gosto pela bicicleta.  
  
Há muitas histórias, como as das quedas da infância e adolescência e as marcas que ficaram na pele, quando andava com minha prima e meu irmão. Às vezes andávamos os três em uma monark “barra circular” dele (eu sentava no quadro e minha prima no bagageiro).
 
Dois momentos inesquecíveis: um quando eu aprendi e o outro quando o Thiago aprendeu a se equilibrar e dar as primeiras pedaladas.
 
Um susto quando minha prima prendeu o dedo entre a corrente e a coroa, quase atravessou. E alguns anos mais tarde aconteceu o mesmo com o Thiago, com menor gravidade.
 
Num aniversário do Thiago, de 7 anos, me atrevi a fazer um bolo e decorá-lo com uma bicicleta. O bolo ficou gostoso…bom, a bicicleta mais ou menos.
 

Bolo especial aos 7 anos

 
Fomos a lugares bonitos como Solo Sagrado, na zona sul à beira da represa Guarapiranga, vencemos dificuldades para chegar a Santana de Parnaíba e agora por último Salesópolis, na nascente do Rio Tietê, onde há quatro anos eu esperava ir.
 
Ultrapassar seus próprios limites, isso é especial.”
 
 
 
 
Sabemos que dia das mães é todo dia, mas já que temos uma data para celebra-las, vamos aproveitar e, pedalando ou não, homenagear essas mulheres que fizeram de nós muito do que somos hoje!

Às que estão longe (como a minha) ou que já se foram, todo nosso carinho, os mais lindos pensamentos e lembranças.

 PS: Arrisco um palpite: A Fátima e o Thiago vão pedalar juntos hoje:)

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7 Respostas to “Paixão passada de MÃE para FILHO”

  1. ana rüsche 08/05/2011 às 11:19 AM #

    puxa, camila, que post ótimo! a foto do bolo com bicicleta é a campeã – um beijo!

  2. felizcidadefeliz 08/05/2011 às 1:16 PM #

    Que história linda! Que mãezona essa Fátima, hein?! Parabéns e muito orgulho de vocês! Relação linda de mãe e filho que a bike proporcionou a vocês!

    Feliz Dia das Mães!

  3. Carina 08/05/2011 às 9:39 PM #

    Acho lindo os dois!

  4. Fátima 08/05/2011 às 10:14 PM #

    Camila, mais uma vez te agradeço pela amizade e pelo carinho, por mim e pelo Thiago. Fico feliz por ter colaborado para que você ultrapassasse sues limites. A matéria ficou muito legal! E as fotos ajudam a contar a história. Agradeço também os comentários, da ana rüsche da felizcidadefeliz. Desejo feliz todos dias a todas as mães e que aproveitem, ao máximo, os pequenos e grandes momentos com seus filhos, pois é isso que fica, para nós mães e nossos filhos também levam com eles.

  5. youkaidag 09/05/2011 às 2:04 AM #

    Lendo esse post não posso deixar de comentar.
    Primeiro parabéns para a Fatima e para o Thiago, que mesmo após tanto tempo, ainda mantém essa forma de contato juntos. Gostaria de algo assim pra mim também.
    Segundo que esse post siga de exemplo para as mães e pais de primeira viagem, ou para futuras mães, porque assim o mundo pode mudar.

  6. Jeanne Callegari 09/05/2011 às 5:20 PM #

    Que lindos! Parabéns, Fátima e Tniago!
    Camila, obrigada pelo post. Muito apropriado para o Dia das Mães!
    Que muitas famílias possam compartilhar essa paixão pelas bicis, em segurnaça e sem medos…
    Abraço!

  7. maryanna 23/05/2011 às 6:20 PM #

    Parabéns Fátima!

    Espero conseguir passar essa paixão pros meus filhos assim como você fez!

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