Minha primeira pedalada

9 ago

Vou logo começando com confissões politicamente incorretas. Sou motorista convicta e não abdico do meu carro desde que tirei minha carteira de motorista, aos 18 anos. Desde 2005, eu mantenho dois carros na garagem, para uso exclusivamente meu. Fui morar fora do Brasil em 2007, mas deixei (vergonha!) meus DOIS carros em São Paulo, para usar quando viesse de férias.  A “vergonha” está ali nos parênteses porque eu sou dessas pessoas que pregam a vida sustentável, compram comidas orgânicas e offsets de carbono… Aí, as pessoas me perguntam, então, por que eu não troco meu carro por uma bicicleta (ou deixo o carro na garagem, quando possível). Ah, então: é porque eu não sei andar de bicicleta. Ou melhor: não sabia.

Quando eu tinha uns 6 anos, ganhei uma bicicleta: andei nela algumas vezes (sempre com rodinhas), e nunca mais. Depois de “grande”, naquela fase em que já dá um pouco de vergonha admitir para os outros que não sabia andar de bicicleta, já não me importava muito, porque sempre tive carro, e sempre pensei na bicicleta como um lazer, e não como meio de transporte.

Até que, em janeiro de 2011, me mudei para uma dessas cidades ultra-civilizadas, com vários quilômetros de ciclovias/ciclofaixas, bicicletas para se alugar (baratinho!) a cada esquina. Uma cidade onde as pessoas usam bicicletas como meio de transporte! Passado o choque cultural, fui criando essa ideia de que, cedo ou tarde, eu teria que aprender a pedalar.

Sem carro por lá, passei quatro meses fazendo tudo a pé. Até que, em maio, “ganhei” uma bicicleta. Ganhei entre aspas. Na verdade, ela me foi emprestada por tempo indeterminado por um amigo. Mas dessa vez, ao invés de repetir aquele “obrigada, mas não sei andar de bicicleta”, mandei um “obrigada, porque vou aprender a andar de bicicleta nos próximos meses.”

Porém,  de férias em São Paulo, desanimei de novo. Como eu poderia aprender a andar de bicicleta aqui? Coincidência enorme (“serendipidade”, eu diria) uma amiga comentou sobre a Oficina Aprendendo a Pedalar. Na hora, animei e fiz os planos para o Dia D. Era agora ou nunca (já estou chegando nos 30 anos, então, o “agora ou nunca” para mim tem tido um peso maior).

No domingo à tarde, cheguei toda apreensiva na Praça Vegana, mas encontrei só sorrisos – e várias bicicletas que as meninas disponibilizaram para nós. O pessoal estava super animado para nos ensinar a ter coragem de ir tirando os pezinhos do chão.

Comecei assim mesmo, seguindo os ótimos conselhos da Aline: sentada na bicicleta com o banco bem baixinho, para eu poder apoiar os dois pés inteiros nos chão, e sem chegar perto dos pedais. Fui andando assim , até entender o basicão do equilíbrio e criar coragem para tentar dar a primeira pedalada. Não que eu já tenha saído pegando velocidade. A primeira pedalada foi só para sentir o tempo da bicicleta, a hora certa de dar o impulso e começar a pedalar.

A partir daí, fui de volta à infância, dando algumas voltinhas (aí sim, pedalando!), mas com a Aline ali atrás, firme e forte segurando a bicicleta. E ela não soltou! Aliás, ela ficou lá (coitada!) correndo horrores atrás de mim, equilibrando a bicicleta à força quando eu começava a tombar para um lado ou para o outro. E sabe aquela coisa clássica de gente que, querendo te ensinar, percebe que você já pegou o ritmo e te solta? Isso era a coisa que eu mais temia. Mas dessa vez, não aconteceu. A Aline só soltou quando eu estava 100% (bom, 70%, na verdade) confiante de que eu conseguiria pedalar. E aí, ela avisou que já dava para e ir sozinha e que iria me soltar. Concordei e… pedalei! Eu aprendi a andar de bicicleta!!

Contando assim, parece que o processo foi super longo, mas acho que levou uns 20 minutos. Depois de superado esse medo inicial, fiquei mais um bom tempo pedalando, aprendendo a ter um pouco mais de controle sobre a estabilidade – e aprendendo a frear (porque uma hora a gente tem que parar)! E ainda experimentei alguns tipos diferentes de bicicleta (dobráveis, maiores, menores).

Claro, não virei uma expert, afinal foi só uma tarde de pedaladas. Preciso dedicar mais tempo a aprender a fazer curvas, trocar marchas etc. Não é de um dia para o outro que eu vou sair por aí, andando de bicicleta pelas grandes avenidas de São Paulo. Mas, para quem esperou 28 anos para dar a primeira pedalada, algumas semanas a mais de prática não farão mal algum.

Ah, e se alguém estiver querendo comprar um carro, o meu está à venda!

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14 Respostas to “Minha primeira pedalada”

  1. Fabricio Semmler 09/08/2011 às 1:49 PM #

    Parabéns! Quem sabe num futuro próximo um estrangeiro não virá morar na nossa “ultra-civilizada” cidade de São Paulo?

  2. Camila Oliveira 09/08/2011 às 3:15 PM #

    Que lindo! Parabéns por acreditar e experimentar!

  3. Aline Cavalcante 09/08/2011 às 6:35 PM #

    Que lindo seu depoimento, xará!!!!!! vamos marcar outras pedaladas??? vc foi uma aluna super aplicada e determinada! ADOREI… beijoooooooooooooooooooo

    • Aline M. Ramos 10/08/2011 às 11:26 AM #

      Obrigada, xará! Fiquei um pouco receosa de ir no encontro de agosto porque eu ainda estava um pouco “crua” demais. Mas não perdi o dia: fui ao Parque Villa-Lobos praticar (o que foi toda uma outra aventura, que deverá ser contada em outra ocasião). Mas certamente vamos pedalar juntas novamente. Pena que eu já parto para a “tundra” nesse final de semana. =( Mas volto para SP em dezembro, e aí, quem sabe eu já não “peguei o jeito” de vez e participo de todas as atividades das pedalinas? Maior agradecimento do mundo a você. E até dezembro!

  4. bicicreteiro 09/08/2011 às 7:06 PM #

    Tá pedindo quanto no carro? Aceita a bike de entrada? rs.

    Um conselho, pegue um dia ou final de semana e vá até a Ciclovia da Marginal. Lá é plano, sem carros e sem muitos ciclistas como nos parques. Lá é mais fácil para aprender a trocar as marchas e descobrir qual é sua melhor cadência.

    Cadência é a quantidade de giros do pedal, cada um tem a sua, uns dão mais giros e outros menos, mas lá você vai conhecer o seu ritmo. Descobrindo sua cadência, você vai saber qual é a marcha ideal para você colocar se o pedal estiver muito leve ou mais pesado. Se for num domingo, pode entrar na Vila Olimpia e seguir direto até a Jurubatuba e de lá voltar de trem. Se fizer isso vai reparar que sua confiança só vai aumentar

    De qualquer forma parabéns, bem vindo a esse mundo maluco. Hoje você é uma motorista convicta, mas não conheço nenhum motorista convicto que continuou com essa mesma “convicção” depois que entrou para o mundo das magrelas.

    Parabéns e bem vinda.

    André Pasqualini

    • Aline M. Ramos 10/08/2011 às 11:22 AM #

      Uau! Muito obrigada mesmo pelas dicas, André! Na minha próxima passagem por São Paulo, vou explorar as ciclovias e ciclofaixas, sim. A coisa mais legal de ter entrado no mundo das bikes foi ver o quanto o pessoal se ajuda. Me surpreendeu mesmo! =) Ah, e, felizmente, já consegui vender meu carro. E viva!

  5. Juliana 09/08/2011 às 8:44 PM #

    Aaaaahhhh!!!!! Que demais!!!! Parabens!!!! Desejo muuuuuuitas pedaladas pra vc!!!!!!

  6. ana rüsche 10/08/2011 às 9:00 AM #

    aline!!! que delícia! parabéns.
    muito bonito o relato. um beijo grande.

  7. Leticia 10/08/2011 às 9:35 AM #

    Adorei! Parabéns, companheira de oficina!! Em breve estaremos nós duas por aí, pedalinas convictas.

  8. Aline M. Ramos 10/08/2011 às 11:18 AM #

    Obrigada pelo apoio, gente! Vocês não imaginam o quão orgulhosa eu estou por ter aprendido! =)

  9. Aline Almeida 10/08/2011 às 5:02 PM #

    Xará, lindo depoimento! Pode ter certeza q tbm estamos todas muito orgulhosas de vc! Seja bem vinda!

  10. pricabf 10/08/2011 às 6:03 PM #

    LIndooo, parece a minha historinha! 😀

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