Archive | setembro, 2011

Pedal Noturno 29/set

28 set

O ritmo é forte e voltado para ciclistas experientes. Se você não tem medo de frio nem de correr, te esperamos às 20h30 na Praça da Ciclista

Pedal Noturno

26 set

“Hoje a noite vai rolar um pedal veloz para mulheres! O ritmo é forte e voltado para ciclistas experientes. Se você não tem medo de frio nem de correr, te esperamos às 20h30 na Praça da Ciclista!”

Sobre bolsas e guidões

24 set

texto e ilustração: @gabikato

Espero que isso já possa ser de alguma utilidade para alguém no cotidiano. Até porque nem todos precisam de alforges grandes no bagageiro para ir ao trabalho ou a uma balada, rs.

Uma nota sobre o uso da bicicleta na cidade de Barcelona

22 set

Depois de um bom tempo enrolando pra escrever alguma coisinha sobre o assunto, resolvi mexer os dedos e finalmente fazer esse relato/análise. Confesso que o DMSC deu um belo empurrão, embora eu esteja acompanhando a movimentação em São Paulo somente pela internet e aqui não esteja acontecendo absolutamente NADA relacionado ao assunto (já explico o “aqui”).

Bom, pra quem não me conhece, sou uma pedalina que veio morar o próximo ano em Barcelona. Estou aqui há pouco mais de um mês e há 3 semanas estou utilizando o sistema viário urbano para me locomover de bicicleta por aqui.

Carol e Foca no Parc Güell

Queria falar sobre algumas semelhanças e diferenças com relação ao que estou acostumada aí em SP e também fazer umas críticas ao modo como a circulação de bicicletas é feita aqui.

Primeiro choque: uma grande diferença em relação a São Paulo

Uma das coisas que mais estranhei quando cheguei aqui, foi saber que bicicletas podem circular pelas calçadas, desde que obedecendo as seguintes regras:

• respeitar uma velocidade de até 10km/h;

• trafegar somente em calçadas com mais de 3 metros de largura;

• de preferência, ficar mais próximo a rua – para evitar atropelar/ser atropelado por alguém saindo de algum estabelecimento;

• caso não seja possível andar mais de 5m sem ter que parar por causa do excesso de pessoas, tem que descer e empurrar.

Claro que facilita MUITO a vida de quem está de bicicleta (principalmente a de quem ainda está meio perdido pela cidade e sempre vai parar em ruas aleatórias na contra-mão. larara..) mas, como qualquer povo latino – isso não é um preconceito nem uma crítica, mas uma constatação minha que pode ser discutida a qualquer momento – , poucas pessoas respeitam efetivamente todas as regulamentações anteriores.

Felizmente até agora, não vi, nem causei (ufa!) nenhum atropelamento porque, incrivelmente, as pessoas e as bicicletas dividindo mesmo o espaço acabam definindo um ritmo muito particular: passa um daqui, passa outro dali, todo mundo vai passando sem se sobrepor a (quase) ninguém. É legal também que acaba aproximando as pessoas da bicicleta pela convivência.

Por outro lado, acho importante manter o espaço do pedestre o mais livre possível de interferências. Como já disse, embora não tenha visto ainda nenhum atropelamento, bicicleta na calçada, às vezes, significa sim, um velhinho se assustando com alguma coisa passando muito rápido por ele, ou aquela confusão de quem passa por qual lado, quase colisões etc.

Carriles Bici e Ciclofaixas

Achei bem feito, de maneira geral o sistema de ciclofaixas e ciclovias, embora, mais uma vez, elas às vezes invadam o espaço dos pedestres. Em algumas grandes avenidas (como a Gran Via C.C. e Passeig de Gràcia, por exemplo) os carriles bici, como são chamados aqui, são desenhados por cima da calçada.

Normalmente, eles são no mesmo sentido da via, mas algumas vias tem ciclovias de mão dupla, o que às vezes causa uma certa confusão nas travessias de pedestres, porque tem gente que só olha pra um lado pra atravessar.

Não tem demarcação de tráfego de bicicleta em todas as vias, o que acaba tornando necessário ir pela rua, às vezes. Ainda não entendi direito se é melhor ir pelo lado direito – que muitas vezes é preferencial de ônibus e táxi – ou pelo esquerdo. Vou estudar a lei assim que encontrá-la!

Uma crítica que tenho a fazer é que, muitas vezes, as ciclovias/ciclofaixas acabam do nada, e não achei até agora uma sinalização muito específica sobre por onde ir depois disso (claro que, pra quem pedala em São Paulo, dá pra tirar de letra e pular a guia pra avenida e continuar, mas ainda morro de medo de ser parada pela polícia por estar fazendo alguma coisa muito errada – como ilustro mais pra frente… heheheh)

Semáforos

Assim como tem semáforos pra carros, tem também pra bicicletas, estejam elas no carril bici ou atravessando uma via junto dos pedestres. Pouquíssima gente aqui respeita os semáforos. Sério, me sinto meio estúpida por fica parada sozinha no farol e todo mundo me passando como se não houvesse nada ali (quem me conhece sabe que até em São Paulo eu procuro parar no farol, mas em SP, pelo menos, sempre tem alguma coisa pra fazer, como educar algum motorista, ver o movimento, bater papo com algum conhecido ou desconhecido que parou lá do lado etc).

E foi bem numa dessas que eu, atrasada pra aula e de saco cheio de parar farol atrás de farol, um carro de polícia me fez parar e os policiais me deram um sermão sobre isso (dei uma de joão-sem-braço e mostrei interesse em conhecer as leis daqui – ainda não entendi se o código de trânsito é nacional ou municipal). Pelo menos não levei multa, que aqui DIZEM ser comum e pesada – mas pela quantidade de gente que faz isso, acho que não é tão comum assim…

A bicicleta e o transporte público

Uma das coisas mais fantásticas é poder levar a bicicleta no transporte público (trens e metrô). No metrô existem alguns horários restritos mas, ao contrário do de São Paulo, que regulamenta os poucos horários onde se pode utilizar o metrô de bicicleta, aqui eles regulamentam os poucos horários onde não pode (acho que pode sempre, exceto horários de pico dos dias úteis).

Já no trem, a bici pode embarcar em QUALQUER HORÁRIO, qualquer linha, desde que ocupando o final do último vagão. E tem catraca exclusiva para passar com bicicleta, carrinhos de bebê, cadeira de rodas etc.

Usando o trem pra ir pra faculdade hoje de manhã

Bicing

O Bicing é o sistema de aluguel público de bicicletas. Ainda não sei direito, mas pelo que me informaram, só pode ser usado por residentes da cidade de Barcelona, que pagam uma taxa de 30 euros pelo ano inteiro e podem usar o sistema à vontade. As bicicletas tem câmbio interno de 3 marchas e achei as bicis bem razoáveis. Tem lugar pra colocar bolsa e é feita uma manutenção bem regular do sistema em geral. É bem bacana ver gente de tudo quanto é idade, tipo físico, renda e roupa usando – e bastante.

Trânsito

Aqui as pessoas usam a buzina pra qualquer coisa. Qualquer coisa. E não sei se é de fábrica, mas parece que elas são bem mais altas que aí!

Assim como em São Paulo, também é preciso ultrapassar a uma distância da 1,5m do ciclista. E assim como em São Paulo, não é todo mundo que respeita. Já levei umas duas finas – de taxistas, inclusive -, mas como aqui as ruas não tem buracos loucos que nem SP, não chega a ser tãããão perigoso, a não ser pelo susto – claro que não justifica, mas não chega a 20% do perigo que isso representa aí.

Acessibilidade

TODAS as calçadas são acessíveis e tem rampa nos faróis para subir e descer a guia. Não tem buracos e, em geral, são bem limpinhas – até demais, pra falar a verdade, mas não porque a população é educada a fazê-lo, mas porque eles lavam a rua durante a noite, gastando uma quantidade absurda de água e dinheiro com isso. O asfalto é praticamente perfeito e as grelhas de bueiros e ventilação são na diagonal; não sei se pra não prender o pneu ou por qualquer outro motivo, mas é bom que não prende mesmo assim.

Comunidade ciclística

Já fui na bicicletada daqui (que se chama só Massa Crítica, porque o termo Bicicletada é usado pra qualquer passeio ciclístico em grupo) assim que peguei uma bici (ainda emprestada), mas não me integrei muito com o pessoal. Acho que porque tinha acabado de chegar, ainda estava me familiarizando com o a língua e em como abordar pessoas sem parecer a louca da bicicleta. Digo isso porque, pelo fato do uso da bicicleta ser bem cotidiano aqui, achei que a massa crítica não seria formada por pessoas tão fanáticas por bici que nem essa galera meio estranha de São Paulo e outras cidades com menos estrutura e mais reivindicações. Ledo engano.

Embora muita gente use a bici para deslocamentos diários, só os que realmente AMAM bicicleta participam da massa crítica. Acho que por isso o número reduzido de pessoas (contei perto de umas 70) e o número elevado de hipsters de fixa com tatuagens de pedivelas, correntes e outras peças pelo corpo e bicicletas de morrer de tão lindas, bem cuidadas e montadas com muito esmero. Tirando que sempre tem o cara que leva o cachorro, o cara do som, a mina linda e estilosa que pedala aquela bici linda e estilosa, a turminha que fica tirando um sarro entre si..

A carga política da bicicletada aqui é bem menor que a que temos aí e só se manifestou quando um carro de polícia foi pedir para que todos ocupassem somente a pista da esquerda e liberassem o resto da via para os carros – mas ninguém arredou o pedal da direita!

Bicicletada passando nos fundos da Sagrada Família

Pra ilustrar a idéia do que é a Massa Crítica, deixo a frase de um grande amigo, Edu: “Eu acho que sempre vai ter gente que vai usar a bike como se usasse um aspirador, uma máquina de lavar, como um negócio que é útil e nada mais, mas acho que sempre vai ter a turminha da bike, que respira bike o tempo todo. Acho que aí sim rola uma camaradagem” (MATSUOKA, 2011).

Bom, é isso! Acabou ficando mais longo do que eu planejava, mas mais completo também.

Ah! quanto ao DMSC aqui: até agora não percebi movimentação nenhuma, esperava que fosse porque não estou inscrita em nenhuma lista de emails da “turminha da bike”, mas estou achando que a importância desse dia significa muito menos aqui do que em São Paulo, onde ainda estamos lutando pra conquistar boa parte do que tenho aqui.

Ainda assim, desejo um ÓTIMO Dia Mundial Sem Carro para todos, com ou sem carro! Que seja, para muitos, um começo, uma mudança de paradigma e de postura.

Uma ótima Semana Mundial Sem Carro, Mês Mundial Sem Carro, isso sem falar no Ano Mundial Sem Carro e na VIDA Mundial Sem Carro (ou, pelo menos, com o uso consciente e moderado do mesmo)!!!

A rua é de todos. Mas e o parque?

20 set

Após minha primeira pedalada, fiquei toda animada a sair andando de bicicleta. Queria praticar ao máximo antes de voltar para a cidade-bicicletófila onde eu moro, lá bem acima do trópico de Câncer.

Como não me senti preparada para encarar o Encontro de Agosto das Pedalinas (por ainda ter receio de andar na rua, já que essa seria apenas minha segunda experiência sobre duas rodas), resolvi ir a um lugar mais tranquilo, onde eu pudesse praticar com calma, sem medo de carros, pedestres etc. E como eu também não tenho bicicleta aqui em São Paulo, o jeito foi ir a um lugar onde eu pudesse alugar uma. O lugar eleito para minha segunda aventura foi o parque Villa-Lobos. Teoricamente, seria um lugar super tranquilo para minha bicicletada iniciante. Teoricamente.

Aluguei a bike e, depois de praticar um pouco na entrada do parque, tomei coragem para encarar a ciclovia (que eles chamam de “ciclovilla”, wink-wink, nudge-nudge). É um lugar bem legal para iniciantes: ela é curta (tem apenas 3,5Km) e praticamente plana (tem uma subidinha que você quase não sente, e uma descidinha que é no mesmo esquema). O problema é que, nos finais de semana, pelo que eu vi, ela fica bem cheia – insuportavelmente cheia. E aí, para quem ainda não aprendeu a fazer curvas direitinho (como eu), a coisa fica mais desafiadora.

Por medo de atingir algum ciclista desavisado, quando estava muito perto de outra bicicleta (ou quando outra bicicleta estava muito perto de mim), freava, ia para o cantinho da ciclovia, grudava no meio-fio e esperava a onda de bikes passar antes de retomar meu passeio. E assim fui indo. Demorei um tempinho para completar os 3,5Km, mas foi relativamente tranquilo.

Uma coisa que notei, no entanto, foi a grande quantidade de pedestres caminhando, fazendo jogging, ou simplesmente passeando pela ciclovia.

E esse é um problema que muita gente encontra quando usa os espaços públicos, principalmente nas grandes cidades.  Apesar de existir a tal “ciclovia” (ou “ciclovilla”, como quiserem), que deveria ser um espaço dedicado unicamente a bicicletas, velocípedes, triciclos e afins (como sinalizado nas placas, que lembram que é proibido que pedestres caminhem ou corram na ciclovia,  devido ao risco de acidentes), é fato que as pistas para pedestres do Parque Villa-Lobos deixam a desejar e, em algumas partes, os pedestres não tem alternativa senão a de se enveredar pelo meio das bicicletas.  E aí, além do risco de acidentes, há um risco ulterior ainda maior: o surgimento de uma certa hostilidade entre pedestres e ciclistas, com cada uma das partes achando que seu espaço foi invadido ou desrespeitado.

Sou corredora (muito) amadora de média distância e entendo que a falta de espaço adequado para pedestres e corredores ainda é um grave problema em São Paulo, mas sempre que estou em um espaço público, seja como pedestre, corredora ou ciclista (mais raro), tento prestar o máximo de atenção ao ambiente e às pessoas a minha volta.  Mas nem todo mundo usa essa mesma regrinha. Na mesma ciclovia onde eu estava, ainda cambaleante, tentando aprimorar minhas curvas e freadas, havia um pessoal pedalando em altíssima velocidade (e arriscando manobras à la freestyle BMX) – ao lado de moças passeando com seus carrinhos de bebê!

Enquanto o problema dos espaços públicos de São Paulo ainda está longe de ser solucionado, vale lembrar que, para que o recadinho de “respeite o ciclista” realmente tenha impacto, é imprescindível que, em primeiro lugar, ciclistas respeitem ciclistas. E respeitem também, claro, pedestres.  Além disso, é sempre importante que os pedestres prestem atenção ao trânsito de bicicletas no parques da mesma maneira que prestam atenção ao tráfego de veículos nas ruas.  Antes de atravessar a ciclovia, olhe para os dois lados. E, se realmente não há um espaço exclusivo e seguro para pedestres, é ideal procurar manter-se à direita da ciclovia, permitido que as bicicletas possam fazer ultrapassagens de maneira segura.

Os ciclistas que frequentam parques, principalmente aos finais de semana, quando há mais famílias com crianças pequenas (tendo em mente aquela regrinha básica de que atrás de uma bola sempre vem uma criança), devem lembrar que os parques, assim como as ruas, também são de todos.

Agora, àquelas e àqueles que, como eu, aprenderam a pedalar recentemente e querem praticar em lugares mais “seguros” antes de tomar as ruas, um conselho: se possível, evitem os parques nos finais de semana, pois a lotação aumenta a ansiedade e o risco de acidentes. Imagino que as ciclofaixas sejam uma opção um pouco melhor, mas nunca usei (alguém?). E existe sempre a possibilidade de se voltar à Praça Vegana (mesmo quando as Pedalinas não estão dando oficina) e praticar por lá.

flagra

19 set

No café da Casa das Rosas (Av. Paulista, 37)

: sem hesitar, menino estaciona seu triciclo no bicicletário. Que aliás, como bem lembra a Carina, também é uma fixa.

Novas gerações emplacando na semana do Dia Mundial sem Carro!

Obras na ciclovia da Marginal Pinheiros

13 set

Na estação Santo Amaro da Linha Esmeralda (Osasco-Grajaú), estação que liga a Linha Lilás (Capão Redondo-Largo Treze).

Pelo visto, a inauguração dessa rampa um dia chega… Acompanhemos de perto. Hoje a ciclovia somente possui três acessos e serve para poucas pessoas. É até bonito que haja uma ciclovia para passear num final de semana. Bonito mesmo seria haver uma ciclovia para que todos os dias tivessem algo de final de semana.

+ saiba com detalhes no Vá de Bike

* Foto feita às 7h da manhã, no melhor do multimodal: 15 minutinhos de pedal + 30 minutos de trem + 30 minutos a pé.

 

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