Birdwatcher urbana

5 set

“Pra ver, os olhos vão de bicicleta até enxergar” – O Caroço da Cabeça – Marcelo Fromer / Nando Reis / Herbert Vianna

 

O birdwatching, ou observação de aves tem se tornado uma espécie de hobby que venho descobrindo já há algum tempo por causa das minhas pedaladas pela cidade.

Diferente dos “verdadeiros” birdwatchers, que se preparam para ir a campo nos horários mais propícios à observação de aves, cedinho ou ao entardecer, munidos de câmeras, binóculos, olhos e ouvidos treinados, eu, em cima de minha bicicleta, pelo simples ampliar dos horizontes que ela proporciona, passei a notar as aves da cidade, os diferentes cantos, cores, formas e comportamentos, tudo isso a caminho do trabalho.

Escolher caminhos alternativos e fazer deles meus trajetos de bicicleta pela cidade, além de mais seguro e agradável do que pedalar por avenidas, proporciona também grandes surpresas como ruas cheias de árvores, flores, e claro, aves.

Bem-te-vis, periquitos, sabiás, beija-flores, quero-queros e tantos outros. Seja pousado em uma árvore, num ninho em plena Avenida Rebouças ou cruzando a rua tranquilamente, eles enchem meus olhos e coração de alegria. Fico pensando se sempre estiveram ali sem serem notados, ou se surgiram há pouco. Onde foram parar os pardaizinhos da minha infância que hoje não vejo mais? E esses periquitos verdinhos que só notei há poucos meses?

Canteiro central da Av. Rebouças, cruzamento com a Rua Capitão Prudente, refúgio do joão-de-barro

Mantenho essas perguntas em mente como mistérios a serem descobertos aos poucos. Como leiga, me perco com nomes, espécies… dificilmente sei distinguir um bem-te-vi  de um suiriri (qual dos dois mesmo é o que tem a listra branca na face?) ou o sabiá-poca do sabiá-barranco, mas me encanto ao vê-los e ouvi-los, me sinto privilegiada e desejo que mais pessoas os percebam em seu dia-a-dia.

Raramente consigo fotografa-los, seja por não estar com a câmera, ou porque é meio difícil mesmo já que são ágeis e somem quando menos se espera, mas os registros ficam, talvez ainda mais valiosos, por estarem somente em minha memória.

Aquele pontinho vermelho ali no meio é um tiê-sangue! - Rua José de Souza Ferreira - zona oeste

Lembro da primeira vez em que ouvi a vocalização de um papagaio selvagem, aqui, na pracinha na frente de casa, bem diferente do “loro, loro” que infelizmente paira nas gaiolas por aí. Não foi necessário muito esforço pra perceber que o casal vem dormir aqui na praça, saindo de manhazinha, sempre na mesma direção. Pra onde será que vão? Onde passam o dia?

Papagaio de vida livre não fala "loro"

Aos poucos vou descobrindo as respostas, mas uma coisa é certa, meus dias ficam mais felizes por causa destas aves encantadoras!

 

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10 Respostas to “Birdwatcher urbana”

  1. Pedro Ayres 05/09/2011 às 3:43 PM #

    Morando na zona sul de Porto Alegre aprendi a conhecer vários pássaros desde pequeno. Pardal, sabiá, bem-te-vi (o da faixa branca ;), alma-de-gato, beija-flor, saíra, pica-pau, falcão, urubu, biguá… Onde eu moro agora tem muita caturrita, elas vivem em condomínios enormes que são uma muvuca estridente. Um dia vi elas se juntarem e perseguirem um falcão para proteger uma “colega de trabalho”. Coisa linda de se ver. Ah, e os sabiás cantam enlouquecidos madrugada adentro agora que está chegando a primavera. Abraços.

  2. aline cavalcante (@pedaline) 05/09/2011 às 4:23 PM #

    que lindo, cáááá

  3. ana rüscheüsche 06/09/2011 às 8:31 AM #

    camila!
    que lindo post! e as fotos todas – adorei.
    vou começar a fazer me fazer de dogwatcher 😉
    beijos

  4. lu 06/09/2011 às 11:07 AM #

    que gostoso 🙂

  5. 06/09/2011 às 11:21 AM #

    Pois é, as aves estão por aí. Esse relato é um exemplo de como é possível apreciar a beleza desses animais sem a necessidade de aprisioná-los. Qualquer um pode ter um papagaio na gaiola, mas poucos tem a sensibilidade necessária pra observá-los na natureza, compreender que formam casais pra vida inteira, escolhem um dormitório pra onde retornam todas as tardes pra passar a noite em segurança, depois de passar o dia usando ao maximo deus extintos aguçados na busca de alimento e se comportando como papagaios que são. Eles estão por aí, e só o que precisam de nós é o respeito por sua condição de animais livres.
    Parabéns pelo post, pela rara sensibilidade e pela consciencia das qualidades e problemas da cidade onde vive.

  6. Vitor Bob 07/09/2011 às 8:30 PM #

    Belo texto! Me identifiquei com o relato. Outro dia (há alguns meses, na verdade) escutei até uma bigorna (!), mais conhecida como araponga, no caminho do trabalho. Dificilmente teria acontecido sem a bicicleta. Pra finalizar, cabe bem um versinho conhecido que me veio à mente certa tarde numa ponte sobre o Pinheiros enquanto alguns carros passavam por mim rápidos e próximos:
    “Eles passarão. Eu passarinho.”

  7. Vitor Bob 07/09/2011 às 8:33 PM #

    Só um detalhe: pra mim, aparece a mesma foto as 4 vezes, mudando só a legenda…

  8. klebertadashi 08/09/2011 às 4:56 PM #

    Que legal há tempos atrás fiz um curso bem básico de observação, mas de bicicleta a coisa mais rara que vi foi um alma-de-gato. Tá tendo inscrição nesse mini-curso: http://centro-de-estudos-ornitologicos.blogspot.com/2011/09/x-semana-voando-com-as-aves-da-cidade.html Seria bem legal desenvolver essa modalidade de observação.

  9. Camila Oliveira 09/09/2011 às 11:36 PM #

    Que comentários legais!
    Amei o versinho!!!
    A vida de bicicleta traz essas felicidades cotidianas! As aves invadem minhas manhãs!
    Valeu pela dica do curso, pretendo ir:)
    Ouvir araponga? Que máximo! Já ouvi uma no jd botânico aqui de SP, são raras não são?
    Bjs

    ps: acho que as fotos estão ok no site, espero que consiga vê-las.

  10. . 30/09/2011 às 5:49 PM #

    esse papagaio fala coff…cofff…cof…

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