A rua é de todos. Mas e o parque?

20 set

Após minha primeira pedalada, fiquei toda animada a sair andando de bicicleta. Queria praticar ao máximo antes de voltar para a cidade-bicicletófila onde eu moro, lá bem acima do trópico de Câncer.

Como não me senti preparada para encarar o Encontro de Agosto das Pedalinas (por ainda ter receio de andar na rua, já que essa seria apenas minha segunda experiência sobre duas rodas), resolvi ir a um lugar mais tranquilo, onde eu pudesse praticar com calma, sem medo de carros, pedestres etc. E como eu também não tenho bicicleta aqui em São Paulo, o jeito foi ir a um lugar onde eu pudesse alugar uma. O lugar eleito para minha segunda aventura foi o parque Villa-Lobos. Teoricamente, seria um lugar super tranquilo para minha bicicletada iniciante. Teoricamente.

Aluguei a bike e, depois de praticar um pouco na entrada do parque, tomei coragem para encarar a ciclovia (que eles chamam de “ciclovilla”, wink-wink, nudge-nudge). É um lugar bem legal para iniciantes: ela é curta (tem apenas 3,5Km) e praticamente plana (tem uma subidinha que você quase não sente, e uma descidinha que é no mesmo esquema). O problema é que, nos finais de semana, pelo que eu vi, ela fica bem cheia – insuportavelmente cheia. E aí, para quem ainda não aprendeu a fazer curvas direitinho (como eu), a coisa fica mais desafiadora.

Por medo de atingir algum ciclista desavisado, quando estava muito perto de outra bicicleta (ou quando outra bicicleta estava muito perto de mim), freava, ia para o cantinho da ciclovia, grudava no meio-fio e esperava a onda de bikes passar antes de retomar meu passeio. E assim fui indo. Demorei um tempinho para completar os 3,5Km, mas foi relativamente tranquilo.

Uma coisa que notei, no entanto, foi a grande quantidade de pedestres caminhando, fazendo jogging, ou simplesmente passeando pela ciclovia.

E esse é um problema que muita gente encontra quando usa os espaços públicos, principalmente nas grandes cidades.  Apesar de existir a tal “ciclovia” (ou “ciclovilla”, como quiserem), que deveria ser um espaço dedicado unicamente a bicicletas, velocípedes, triciclos e afins (como sinalizado nas placas, que lembram que é proibido que pedestres caminhem ou corram na ciclovia,  devido ao risco de acidentes), é fato que as pistas para pedestres do Parque Villa-Lobos deixam a desejar e, em algumas partes, os pedestres não tem alternativa senão a de se enveredar pelo meio das bicicletas.  E aí, além do risco de acidentes, há um risco ulterior ainda maior: o surgimento de uma certa hostilidade entre pedestres e ciclistas, com cada uma das partes achando que seu espaço foi invadido ou desrespeitado.

Sou corredora (muito) amadora de média distância e entendo que a falta de espaço adequado para pedestres e corredores ainda é um grave problema em São Paulo, mas sempre que estou em um espaço público, seja como pedestre, corredora ou ciclista (mais raro), tento prestar o máximo de atenção ao ambiente e às pessoas a minha volta.  Mas nem todo mundo usa essa mesma regrinha. Na mesma ciclovia onde eu estava, ainda cambaleante, tentando aprimorar minhas curvas e freadas, havia um pessoal pedalando em altíssima velocidade (e arriscando manobras à la freestyle BMX) – ao lado de moças passeando com seus carrinhos de bebê!

Enquanto o problema dos espaços públicos de São Paulo ainda está longe de ser solucionado, vale lembrar que, para que o recadinho de “respeite o ciclista” realmente tenha impacto, é imprescindível que, em primeiro lugar, ciclistas respeitem ciclistas. E respeitem também, claro, pedestres.  Além disso, é sempre importante que os pedestres prestem atenção ao trânsito de bicicletas no parques da mesma maneira que prestam atenção ao tráfego de veículos nas ruas.  Antes de atravessar a ciclovia, olhe para os dois lados. E, se realmente não há um espaço exclusivo e seguro para pedestres, é ideal procurar manter-se à direita da ciclovia, permitido que as bicicletas possam fazer ultrapassagens de maneira segura.

Os ciclistas que frequentam parques, principalmente aos finais de semana, quando há mais famílias com crianças pequenas (tendo em mente aquela regrinha básica de que atrás de uma bola sempre vem uma criança), devem lembrar que os parques, assim como as ruas, também são de todos.

Agora, àquelas e àqueles que, como eu, aprenderam a pedalar recentemente e querem praticar em lugares mais “seguros” antes de tomar as ruas, um conselho: se possível, evitem os parques nos finais de semana, pois a lotação aumenta a ansiedade e o risco de acidentes. Imagino que as ciclofaixas sejam uma opção um pouco melhor, mas nunca usei (alguém?). E existe sempre a possibilidade de se voltar à Praça Vegana (mesmo quando as Pedalinas não estão dando oficina) e praticar por lá.

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5 Respostas to “A rua é de todos. Mas e o parque?”

  1. Fabricio Semmler 20/09/2011 às 9:39 PM #

    Acredito que uma boa rua ou quarteirão residencial tranquilo seja uma boa opção para praticar. Ta certo que esse tipo de lugar é cada vez mais raro, mas desde que seja razoavelmente largo, os eventuais carros passando ao lado servirão até de incentivo ao ciclista iniciante. “O que? Ele passou por mim e eu não morri? Uau!”
    Pelo menos pra mim foi assim…

    • Aline M. Ramos (@alinemramos) 24/09/2011 às 11:58 AM #

      É, o problema é que eu ainda estou para encontrar uma rua residencial assim, tranquila, e PLANA (afinal, sou muuuuito iniciante) e perto de algum lugar onde possa alugar uma bicicleta (ou perto de casa). Eu sei que aí já estou pedindo demais, mas que seria bom, seria.

      E uma outra parte dos meu medo em andar perto de carros não é só por eles passarem em velocidades altas. Também tenho medo dos carros estacionados! Medo de cair em cima, ou de fazer uma curva errado e “entrar” em um carro, quebrar o espelho, essas coisas…

      Mas eu ainda chego lá, vocês vão ver!! 😉

  2. subversiveopendiscourse 24/09/2011 às 9:25 AM #

    Pois é Aline! Falando sobre respeito para com pedestres, eu desço todo dia a Lins a pé, e fico pasmada! SEMPRE vejo ciclistas andando de bicicleta na calçada e ainda na contra-mão! e a calçada já é bem apertada! não tem nada que me incomode mais do que isso, pois as calçadas de sp já são bem ruins e se os pedestres tem que prestar atenção nos ciclistas que andam nas calçadas, pior fica!
    Vejo muit@s ciclistas andando na calçada da paulista, e embora me incomode também, pelo menos tem mais espaço…

    • Aline M. Ramos 24/09/2011 às 12:14 PM #

      Concordo. Quando eu era só pedestre (e ainda não sonhava aprender a andar de bicicleta), sempre ficava irritada com as calçadas estreitas e mal-cuidadas de SP (eu vivia caindo depois de pisar em buracos!) e, principalmente, com o fato de ter que dividi-las com ciclistas.

      Agora que já me atrevo a andar de bicicleta de vez em quando, consegui ganhar um pouco da visão do ciclita e, a cada lugar a que vou fico imaginando se seria possível andar tranquilamente sobre duas rodas ali. E aí vejo como, em SP (asim como em muitos outros lugares), a falta de ciclovias e/ou espaços adequados para se pedalar forçam os ciclistas a ir pela calçada, muitas vezes, justamente para evitar os carros, que andam em altíssima velocidade e com motoristas de comportamento bastante agressivo.

      Ter aprendido a andar de bicicleta me fez entender e apreciar mais o pessoal que usa a bicicleta como meio de transporte, mas eu confesso que ainda fico bem irritada quando vejo algum ciclista em alta velocidade na calçada, tentando “levantar” os pedestres da frente – especialmente em calçadas estreitas ou lugares muito movimentados. Afinal, essa pessoa não nasceu sobre duas rodas. Em algum momento, ela vai ter que descer de sua bike e… ta-ráá! Será um pedestre como todos nós. Então, acho que não custa nada nos colocarmos no lugar do outro e ver como a coisa “não tá fácil pra ninguém” 😉

  3. Jarbas 13/03/2013 às 1:45 PM #

    A verdade pessoal… é que o Brasileiro na sua grande maioria é mau educado mesmo, egoísta ao máximo, tipo, é proíbido mas eu posso…. e isso não é uma questão financeira, onde o mais pobre é sempre o errado, tenho visto “elite” assim se acham, sem um pingo de educação ou respeito, enfim, so existirá uma convivência pacifica entre as pessoas, quando estas mesmas pessoas deixarem de pensar que o mundo gira em torno delas, mas como isso vai demorar ( ou nunca vai ) acontecer, temos que nos acostumar e convicer com essa falta de cultura e polimento.

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