Arquivo | dezembro, 2011

bolsas e alforjes

27 dez

Durante a oficina de dezembro do Bike Anjo no Parque das Bicicletas, gravei esse videozinho a respeito de soluções para incrementar teu bagageiro: como amarrar bolsas e usar alforjes.

A segunda parte do vídeo tá meio merchandising, hehe, mas acho que as demonstrações serão úteis pra fornecer ideias.

Bom pedal nestes finais de ano!

Agradecimentos às estrelas: Priscila Moreno (Alforjaria) e Michele Mamede.

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Oficina Aprendendo a Pedalar 18/12 Domingo!

17 dez

A bicicleta e a calça

15 dez

Le Chalet du cycle au bois de Boulogne, Jean Beraud, c. 1900

Estudando a história da moda, fui coletando, sem querer, fotos de mulheres com bicicleta. Quando a bicicleta moderna surgiu, no final do século XIX, o ciclismo não foi prontamente definido como “coisa de homem” ou “coisa de mulher”. Os homens tinham uma vantagem, porém: eles usavam calças. Em lugares como Paris, o uso de calças era proibido por lei para mulheres. Essa lei foi logo suspensa, exclusivamente para o uso das bicicletas, e as européias adotaram essas calças folgadas para andar nos parques.

Traje “Bloomer” para bicicleta, 1891.

No começo, as mulheres preferiam usar calças apenas em parques, porque eram ridicularizadas na rua. Foi um longo processo até as calças jeans dos anos 1940 e os tailleurs com calça dos anos 1980. Porém, mais que outras atividades como andar de cavalo, o ciclismo foi fundamental para a aceitação do uso de calça por mulheres.

Inglaterra, 1942.

Traje para bicicleta de Claire McCardell, 1940

Susan B. Anthony foi uma sufragista americana e viveu durante a popularização da bicicleta no final do século XIX. Ela deu uma declaração famosa a respeito: “Eu acho que [a bicicleta] fez mais pela emancipação das mulheres que qualquer outra coisa no mundo. (…) Ela dá à mulher um sentimento de liberdade e auto-confiança.”

Em inglês: “I think [the bicycle] has done more to emancipate women than anything else in the world,” feminist pioneer Susan B. Anthony said in 1896. “It gives a woman a feeling of freedom and self-reliance. The moment she takes her seat she knows she can’t get into harm unless she gets off her bicycle, and away she goes, the picture of free, untrammeled womanhood.”

O Mito da Super-Ciclista

11 dez

[Texto da nossa querida Esther Sá]

Já contei um monte aqui sobre como foi aprender a andar de bike depois de adulta. Desde maio, ganhei uma cidade nova. Aprendi a respirar melhor, a ter mais força psicológica e física, criei coragem e, me tornei, de certa forma, Super. Assim como as mulheres que eu admiro. Notei que dizer para as pessoas do dia a dia que “eu pedalo para vir pra cá”, costuma gerar respostas que dão desde “Que Coragem!” até “Eu até queria, mas sou sedentárix/não tenho habilidade”…

Bem, que habilidade uma pessoa com apenas seis meses de prática, e NENHUMA experiência prévia na magrela haveria de ter?

Queridxs, eu mal sei subir e descer de guias de calçada. Às vezes (e não é raro) me canso em algumas ladeiras. Não sei fazer nenhuma manobra. Não me arrisco muito em corredores. Também sou horrível com mapas, e me perco com bastante facilidade. Hoje mesmo tropecei loucamente subindo a Avenida Rebouças, e, aos risos, me reequilibrei
para largar no farol verde.

Mesmo assim, pedalo ida e volta, para todos os lugares que vou. Mesmo grandes avenidas – no caso de eu não conhecer uma rota alternativa mais adequada – não mais me intimidam. Como? Bom, eu basicamente, não tenho vergonha. Cansei? Desloco-me para a calçada, e empurro a bici até recuperar o fôlego.

Me senti insegura com algum obstáculo? Sem pressa. Desvio, ou desmonto e empurro, sem crise. Pra mim que não vivenciei a bike desde pequena, os movimentos não são tão naturais, e, se não me sinto confortável, sem o menor pudor, simplesmente não me forço. É assim que quase 20 km diários se tornaram um prazer, entre ladeiras sofridas que, dia sim, dia não, são até divertidas e banais.

Então, é óbvio, admiro imensamente minhas companheiras de pedal, com suas manobras, track-stands, sprints e pernas de aço. Espero chegar ao nível delas algum dia! Contudo, do alto de minha franguísse, garanto de peito cheio: você também pode.

Não há topografia, fluxo de tráfego, maquiagem que derreta ou vestido que amasse que valha a pena nos desestimular verdadeiramente. Pedale com alguém. Solicite um bike- anjo. Converse com as meninas daqui!

O que eu ganhei em qualidade de vida nestes seis meses, não se deve a nenhum ímpeto super-heróico. É uma decisão consciente, que faz bem para mim, para a cidade e para o meio ambiente. Isso independe da capacidade do pulmão ou da habilidade com o guidão. Pedalar, meu bem, a gente faz com o coração.

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