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Vídeo

Série de vídeos sobre assédio nas ruas

6 maio

Aline Cavalcante, Drielle Alarcon e Verônica Mambrini participaram de uma série de vídeos com a Renata Falzoni, do www.bikeelegal.com, em que comentam sobre o assédio sofrido nas ruas pelas mulheres que andam de bike, principalmente. Quais são os obstáculos, como as abordagens agressivas e o preconceito sofrido.

 

Obsceno é o trânsito

18 mar
 

 

Foto Santiago Luz

Centenas de ciclistas pedalaram com pouca (ou nenhuma) roupa na 4ª edição do World Naked Bike Ride realizada sábado, dia 12/03/2011, em São Paulo. A Pedalada Pelada, como foi traduzida para o Brasil, acontece todos os anos em diversas partes do planeta e depois de 3 anos consecutivos tendo problemas com a polícia, finalmente conseguimos fazer o encontro sem transtornos e sem ela – PM.

Com MUITA alegria, cores, luzes e sorrisos os manifestantes gritavam por visibilidade e respeito no trânsito e, para isso, chamavam atenção das pessoas utilizando o próprio corpo como tela, onde fizeram desenhos e pintaram frases ativistas. As muitas partes à mostra, invariavelmente, atraíam os olhares curiosos. Mas a recepção era sempre positiva.

Foto Santiago Luz

Além da fragilidade do ciclista sobre a bicicleta e da necessidade coletiva de proteção/compreensão/compartilhamento/coexistência, o World Naked é uma oportunidade para abrir discussão sobre assédio contra mulheres. Dentro da massa pelada sentimos muita segurança em despir, mas comentários extra-bicicletada ainda são frequentes e intimidadores.

Parabéns às Pedalinas que participaram, tiraram (ou não) a roupa e mais uma vez mostraram sua indignação diante de tantas questões polêmicas que rondam nosso dia a dia! Pq obsceno MESMO é esse trânsito que tira a cidade das pessoas, polui e mata quem vive nela!

 

Foto Santiago Luz

Foto Martin

Foto Carlos Alkmin

Veja mais relatos:

FelizCidadeFeliz – Pedalada Pelada do jeitinho que a gente gosta

Outras Vias – Sem pudor de mudar o mundo

Vá de Bike – Como foi Pedalada Pelada 2011

ESPN Renata Falzoni – O sucesso da quarta edição do WNBR em SP

Clipping com TUDO que saiu sobre o WNBR, fotos, relatos, noticias e videos


Pedalada Pelada 2011 # WNBR from Palmas on Vimeo.

Os números de 2010

7 jan

considerações sobre esse post:

1- só fiz copiar e colar o que o wordpress mandou

2- fiquei chocada com a busca das pessoas por “gostosa” faze-las chegarem aqui

3- PARABENS MENINAAAAAAAAAS!

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Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Cerca de 3 milhões de pessoas visitam o Taj Mahal todos os anos. Este blog foi visitado cerca de 35,000 vezes em 2010. Se este blog fosse o Taj Mahal, eram precisos 4 dias para que essas pessoas o visitassem.

In 2010, there were 106 new posts, growing the total archive of this blog to 125 posts. Fez upload de 265 imagens, ocupando um total de 125mb. Isso equivale a cerca de 5 imagens por semana.

The busiest day of the year was 15 de julho with 1,682 views. The most popular post that day was Pedalinas na Folha.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram twitter.com, facebook.com, folha.uol.com.br, orkut.com.br e fixasampa.wordpress.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por pedalinas, gostosa, pedalina, as pedalinas e pedalinas blog

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Pedalinas na Folha julho, 2010
7 comentários e 1 “Like” no WordPress.com,

2

“vai coisa gostosa!!!” outubro, 2010
55 comentários

3

Apresentação maio, 2009
7 comentários

4

Assédio nas Ruas setembro, 2010
59 comentários

5

CPTM, deixe a minha dobrável em paz! setembro, 2010
15 comentários

“vai coisa gostosa!!!”

25 out

Assédio no trânsito não é assunto novo por aqui. Agressões verbais todas nós, mulheres que pedalam, provavelmente já sofremos.

Mas vem cá, ja imaginou estar subindo uma avenida (a sumaré, no caso), em pleno domingo, feliz e contente por  ter poucos carros na rua, e perceber que um carro reduz a velocidade e sentir uma palmada bem dada na bunda seguido de um “vaaaaai coisa gostooooosa” e várias risadas de um bando de playboys?

Nunca imaginou? Nem eu. Mas isso aconteceu comigo, mas o carro preto de placa 2416 e a cara do mauricinho orgulhoso de seu ato machão-ogro de camisa amarela olhando e rindo de mim no retrovisor, eu nunca vou esquecer.

Pra mim, um cara que faz algo desse tipo, é o mesmo que estupra e bate na mãe. O caráter (zero) e a certeza de que o mundo gira em volta do seu pinto são características comuns a esses seres desprezíveis.

Poderia fazer uma lista do que senti ao tomar o tapa: ódio, vergonha, humilhação, revolta, raiva, etc, etc, etc. E todos esses sentimentos juntos me deram forças nas pernas para pedalar na velocidade maior que eu pude com o intuito de alcançar o 2416, 2416, 2416 – repetia para mim mesma.

Rá! Lá estavam eles, distraídos e cantando esperando o sinal verde. Cheguei devagarzinho sem ser percebida pela direita. Com muita vontade, cuspi e vomitei na cara do de amarelo, arremesei-o para fora do carro, chutei bem no meio do seu saco. Não tive pena da sua cara de pavor, me pedindo peloamordedeus para parar. Não parei. Seus amigos-super-machões, se envergonharam do amigão que dá tapas em bundas de mulheres estar apanhando de uma de suas vítimas, e fugiram, deixando-o para trás.

Obviamente esse é o final que minha criatividade alimentada de ódio e revolta produziu.

O final real é bem diferente disso: Infelizmente (ou felizmente) todos os sinais estavam abertos, não tinha congestionamento e os perdi de vista. Me recolhi no meu suor e humilhação e engoli seco para conseguir terminar o dia sem matar um.

Postei essa foto no início do meu post, que é o resultado de uma busca no google das palavras “mulher + bicicleta”. E isso resume muito bem tudo o que escrevi.  Tirem suas próprias conclusões.

Desculpem o relato meio pesado para uma segunda feira. E sorte pra todas nós, que vamos pedalar muito ainda durante toda a semana. Que pessoas como essas não cruzem nosso caminho e não estraguem nosso dia (e muito menos nossa dignidade).

Marina Chevrand

Assédio nas Ruas

28 set

Foi ao fazer um outro post que cheguei ao assunto e à sua possível ligação com a pequena proporção de mulheres que utilizam a bicicleta como meio de transporte. Me deparei com a hipótese nesse blog, e agora, após fazer uma pequena pesquisa e organizar os pensamentos, volto a desenvolver o tema.

Pois então, a que me refiro quando falo em “assédio”? A resposta é bem ampla, e vai desde estupro até os mais “inocentes” assovios bem conhecidos por qualquer mulher que transita nas ruas desta e outras grandes cidades. Mas minha intenção agora é focar nessa segunda maneira de assédio, que me preocupa justo por ser tão comum, ter relativa aceitação social e por sua falsa aparência inofensiva.

Tais assédios expõem a mulher publicamente, independente de sua vontade, e a coloca numa situação constrangedora, quando não humilhante. O espaço individual é violado ao momento em que ocorre uma interação forçada. Alem do que, declara que  a pessoa abordada é um objeto a ser utilizado pelo outro. Trata-se de um objeto sexual, e nada mais.

Seguindo essa linha de pensamento, não fica difícil entender porquê o assédio nas ruas pode ser um dos motivos pelos quais há menos mulheres do que homens pedalando. Como pode alguém se apropriar tranquilamente de um espaço no qual não se sente à vontade, onde há o risco de ser constrangida a quase qualquer momento? Sobre a bicicleta isso parece mais difícil ainda, já que ciclistas destacam-se visualmente. Alem, é claro, de chamar atenção pela  imagem “excêntrica”: a mulher pedalando se mostra forte e corajosa ao encarar certas avenidas movimentadas, atitude não muito esperada do tal “sexo frágil”. Parece papo de décadas atrás, mas, acreditem, esse valor ainda está vigorando fortemente hoje em dia.

A mulher sair de casa sozinha e ir trabalhar já não é novidade; entretanto, quando pisa a rua, comumente é tratada de maneira hostil, como não pertencente ao espaço público –  “se o faz, é por sua conta e risco”, como citado nesse artigo –  ainda relegada ao espaço privado, à proteção do lar ou mesmo do local de trabalho, mas não à rua.

A esfera privada – seja a casa ou o carro – oferece uma (questionável) sensação de privacidade e segurança que não se tem no ônibus, na calçada, nem sobre a bike. E isso tudo é somado à vigente carrocracia, opressora a qualquer ser não motorizado. É de se esperar que alguem queira alienar-se de um mundo que lhe parece hostil.

(acima, video da campanha Stop Street Harassment)

O medo tambem é um fator de peso nessa história toda. Dependendo da abordagem, algumas mulheres podem se sentir ameaçadas. A propósito, uma pesquisa mostra que é comum estupradores provocarem verbalmente uma vítima potencial para avaliar se ela reagiria a um ataque físico. Seria exagero dizer que um mero “ê, lá em casa” pode soar como uma ameaça para uma pessoa que a maior parte dos dias é publicamente afirmada como objeto sexual? Por mais clara que seja a não-intenção de que a ameaça seja efetivada, uma “brincadeira” dessas não é brincadeira.

Tá. Diante disso, o que fazer?

Podemos começar pela conversa com amigos homens. Muitas vezes pessoas queridas têm dificuldade em se colocar no lugar dos outros, não sabem o quanto algumas atitudes são violentas e prejudiciais. E cabe a nós ajudá-los a entender. Contar como se sente, mostrar que isso não é bacana…

Para o momento do assédio, há uma série de dicas aqui. Eu geralmente respondo, diferentemente da maioria das mulheres, que prefere apenas ignorar. Por um lado, entendo que essa é uma postura conivente com a violência; por outro, às vezes é melhor se preservar, e desenvolver um trabalho emocional para se deixar atingir o mínimo possível, já que não há como criar uma barreira absoluta que não seja sair da rua. Mas sair da rua não é uma possibilidade, nem um desejo, nem seria uma solução.

reação de algumas mulheres - "aqui pra voces, ó"

Não vou me inibir em ir para onde e como quero. Deixar de sentir os espaços, ver os detalhes, ter acesso à cidade sem precisar de motor nem dinheiro está fora de cogitação. Esconder não vai ajudar em nada, pelo contrário. Aliás,  sabe aquele papo de “não pedalar pelo canto da rua, e sim próximo ao centro da faixa”? Pois é, isso é se impor, é tomar o espaço que é seu! Essa postura é importantíssima para uma mulher que pedale ou mesmo caminhe pela cidade. É não se deixar inibir; é dizer, com o corpo, “Estou aqui e não vou me desviar tão fácil”. A rua é nossa!

Investigação – Um pouco além em “Como Colocar Mais Ciclistas nas Ruas”

20 ago

Lendo o texto “Como Colocar Mais Ciclistas nas Ruas”, que foi postado ontem nesse mesmo blog, senti alguns incômodos que não soube explicar muito bem na hora, mas com um pouco mais de tempo consegui elaborar algumas coisas…

O artigo constata que deve-se dar atenção especial às preocupações das mulheres com relação à segurança e praticidade na locomoção urbana. Não discordo, mas acho importante levar a discussão um pouco adiante, pensando de maneira mais ampla e a longo prazo.  Porque será que um padrão de comportamento se repete mais frequentemente em mulheres, e aquele outro é mais comum entre os homens?

O próprio texto aponta uma hipótese: as mulheres mais frequentemente são incumbidas de afazeres domésticos que

Mulher em Biguaçu, SC, leva três crianças na bicicleta

requerem o uso do automóvel. Levar as crianças à escola e fazer compras seriam bons exemplos. Não conheço a realidade estadounidense, à qual se refere o artigo, entretanto creio que não seja demasiadamente diferente a ponto de impedir a comparação com a realidade no brasil, em que, por exemplo, é maioria a quantidade de mães que assumem a criação dos filhos, como se tal dever lhes coubesse mais que aos pais das crianças. Ou seja, banalizamos e ignoramos questões fundamentais se afirmamos que “faltam ciclovias para o mercado, a escola e a creche, e por isso as mulheres não pedalam.” Não podemos negar que, no geral, a situação atual das mulheres na sociedade seja essa, mas tambem não podemos deixar de fazer essas observações (, que sei que parecem até datadas de décadas atrás mas, como vemos, mudanças muito profundas parecem não ter acontecido).

Vasculhando a internet achei uma outra hipótese nesse post, que fala sobre os assédios de que as mulheres são vítimas nas ruas e sobre como isso influencia a escolha do meio de transporte utilizado.

Ou seriam as mulheres “naturalmente” mais cautelosas, como poderia alguem interpretar ao ler no referido texto a afirmação de que “a mulher é mais aversiva a riscos”?  Ora, pensamento muito perigoso, esse! A suposição de que há comportamentos simplesmente inerentes a um grupo, determinados por fatores como gênero, cor, classe social, etnia, etc, é forte geradora de preconceitos. Não há comportamentos inerentes ou “naturais”. Hoje em dia pode parecer clichê repetir essas idéias, mas infelizmente elas ainda não parecem ter sido muito bem assimiladas: um ciclista não precisa ser esbelto e forte para ser ciclista, um homossexual não é necessariamente afeminado, uma mulher não precisa ser delicada para ser mulher, um homem não precisa saber carregar peso para ser homem, e por aí vai. Assim como não podemos cair na crença de que mulheres são mais cautelosas porque isso é inerente a elas, nem que homens se expõem mais aos riscos porque isso é inerente a eles.

Nossos corpos e personalidades são formados não apenas geneticamente, determinados no momento da concepção. Somos majoritariamente formados no decorrer de nossas vidas, ou seja, tambem cultural e socialmente. Logo, vale questionar essa cultura em que mulheres são formadas de maneira a terem mais receios/cautelas enquanto homens se tornam mais corajosos/ inconseqüentes. O que produz tais comportamentos? Não é muito difícil arriscar alguma resposta se olharmos com mais atenção para crianças de sexos diferentes em seu ambiente familiar ou escolar, para as novelas exibidas na TV, ou para qualquer espaço de convivência. Mas isso é assunto interminável, que fica para uma outra ocasião…

A infra-estrutura segura como pré-requisito para o uso da bicicleta é associada mais à mulher que ao homem. Acredito que é válido, porem, insuficiente apenas focar em atender às preocupações específicas de cada gênero. Alem disso, devemos trabalhar para que, a longo prazo, tais preocupações não possam mais ser identificadas em função de gênero, agindo em busca de uma mudança profunda nos valores da sociedade.

Aliás, essa questão da “segurança como pré-requisito para começar a pedalar” tambem foi uma que me incomodou. Acontece que não podemos esperar que existam meios absolutamente seguros antes de começar a pedalar. É claro que cada um conhece os próprios limites, mas a necessidade de abandonar o automóvel como meio de transporte cotidiano é urgente. (Até porque é ele mesmo o principal gerador dos riscos que enfrentamos no trânsito.) Não podemos continuar destruindo a vida alheia e a nossa própria enquanto esperamos a cidade “ficar pronta para nós”.

Sem iniciativa, não há mudança. Quer dizer, alguém tem que botar a cara.

E porque nós, mulheres, deveríamos delegar esse papel aos homens? Esperar que eles se arrisquem mais do que nós, como se fôssemos “naturalmente” cautelosas (ou receosas?) e assim nos acomodarmos nesse argumento? Não é fácil. Não é fácil para ninguem. Quem já abriu uma trilha no meio do mato fechado, sabe do que estou falando. Arranhões, suor, facão na mão, muito trabalho e o avançar lento.

Assumir um modo de vida no qual acreditamos, mesmo enfrentando dificuldades por estar num meio que nos é hostil, é inevitável no processo de construção do mundo que queremos. Nós todxs abrimos caminhos, independentemente do gênero.

Aliás,  ninguém disse que seria fácil… Mas estamos aqui para mostrar que é menos difícil do que parece.


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