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no morro eu não morro

28 mar

Entre os questionamentos iniciais sobre usar a bike como meio de transporte, aparece muito aquele: ah, mas tem subida!

Vendo os exemplos de Bogotá e São Francisco, cidades com muitos ciclistas e com relevo nada monótono, parece que isso não seria um fator pra não pedalar… Seja como for, algumas pedalinas respondem o.

qual sua estratégia psico-astro-física

para lidar com as subidas no teu trajeto?

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“Dou a volta no morro”

“Essa é a rua de casa. Sinceramente, não pensava em pedalar por aqui (Vila Medeiros/ZN). Mas a vontade de andar de bike era tanta que me mudei para Pinheiros e descobri que o relevo de São Paulo é democrático.

Eu precisava pegar a Heitor Penteado para ir ao trabalho e aí encontrei a primeira dificuldade na subida (além da própria): semáforo. Eu entrava em pânico ao ter que parar, quase desequilibrando, e ter que pegar impulso enquanto o trânsito estava furioso atrás de mim. Mas, é tudo questão de jeito: ciclista conhece melhor o tempo dos semáforos que a própria CET. Com isso consegui me adaptar melhor, e sempre pedalar no meio da faixa para diminuir a chance de encontrar um entulho ou buraco no caminho.

Aí passei um mês em Londres, pedalando todo dia toda hora, e invejei como tudo é plano. Quando voltei, eu não conseguia subir a Angélica. Mas foi só na primeira semana. A resistência que as subidas proporcionam é inacreditável.

Ainda não expliquei como eu enfrento essa subida aí da foto. Pois bem, eu não passo por ela. Dou a volta no morro, transformando 1 km de ladeira em 3 km muito mais tranquilos”.

…….Renata Cardamoni

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“Se for preciso eu empurro mesmo”

“Bom, eu moro no alto, então para chegar em casa é subida. Na verdade, na Pompéia, é subida, descida, subida, descida, subida… Não interessa para onde eu vou, se é perto ou longe, na saída de casa já tenho uma.

Como eu não tenho um super preparo físico eu sempre tive medo delas, acho que ainda tenho, E o medo muitas vezes me faz fazer besteira: tento vencê-la rapidamente colocando toda a força e na metade do caminho estou sem fôlego e sem perna.

Tenho tentado enfrentar melhor isso: se for preciso eu empurro mesmo, saio da bicicleta, vou pra calçada e empurro. Já conversei com muito porteiro de prédio por conta disso, falando da própria subida em si ou da bicicleta no dia a dia.

Acho que preciso de umas aulas sobre trocar as marchas de forma correta.

Realização foi o dia em que subi a Pompéia de volta pra casa sem descer pra empurrar”.

…….Simone Miletic

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“Subindo a montanha, sem fazer manha”

“Aprendi a gostar de subidas e faço questão de encarar as que aparecem no caminho (é uma coisa de superação mesmo, mostrar pra mim mesma que posso, que consigo).

Vou trocando de marchas antes de encarar o paredão e jogo na catraca mais leve (mega range ajuda, obrigada), controlo a respiração, abaixo a cabeça e vou pedalando lentamente, perna por perna, sem pressa, giro por giro, sem ligar para quem sobe num ritmo mais forte e me ultrapassa, fixo o olhar no pneu dianteiro e vou devagar e sempre, no meu ritmo… Quando vejo, já venci a subida e o cansaço se torna algo delicioso pra mim.

Uma coisa que me motiva mto a encarar e gostar de subidas: Depois da subida, sempre tem uma delícia de descida, é a recompensa pelo meu esforço naquele momento!

É como se fosse uma maneira de mostrar pros problemas e obstáculos (no caso, a subida) que eu posso encará-los e seguir feliz (chegar no topo e ter uma bela descida me esperando).

Foto escalando os quase 10 km de pirambeira do Pico do Jaraguá”.

…….Mary Balmiza

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no JT

27 mar

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O Jornal da Tarde publica, durante esta semana, uma série de matérias a respeito do uso da bicicleta como meio de transporte.

A matéria de hoje, sobre melhores rotas, traz depoimento de nossa querida Aline (@pedaline):

“O ideal é testar os caminhos nos finais de semana, antes de fazê-lo propriamente para ir ao trabalho, principalmente aos domingos quando os motoristas estão mais ‘dispostos’ a ver as bicicletas”, ensina Aline Cavalcante, de 26 anos, do Pedalinas.Org. “Sugiro ao ciclista iniciante acessar sites e fóruns de discussão sobre mobilidade urbana onde é possível encontrar gente que pedala como meio de transporte”, diz ela.

Leia na íntegra aqui: Ciclistas criam ‘atalhos’ para fugir dos carros

o que levar na bike? | parte iii

22 mar

Último (ou não) post da série o que levar na bike?.

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Estilo veganarquista sobrevivente na selva

“Dentro da minha messenger bag, que não é a bag de uma messenger, contém:

– Capa de chuva: toda embolada, porque eu não tenho paciência de dobrar direitinho.

– Espátulas para tirar o pneu.

– Kit remendo.

– Luvas, muito importantes para patas que vivem caindo, como moi.

– Capacete feat luzinha traseira, pelo mesmo motivo citado acima.

Bônus points!

+ Manual básico do Anarquismo (chamo assim) & Vitamina B12: tudo que uma veganarquista precisa para sobreviver na selva.

Outros por-que-não’s?

+ Bomba eu não carrego, porque sempre acho que terá algum posto por perto, onde eu encherei a bichinha com mais facilidade do que me matar com a minha tranqueira chinesa de ar.

Lencinhos umidecidos, retoque de maquiagem, parafernalha para o cabelo: thanks, but no, thanks. Tomo um banho de pia, e uso lápis de olho que não sai fácil. haha

Desodorante: dgaf. Uso um 24h e entrego pra deusa. Se feder, fedeu. Hahaha” – depoimento da lynda Esther Sá

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E, saindo um pouco do assunto sobre o que sempre carregamos, não poderíamos deixar de lado o que, às vezes, transportamos:

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A Cecilia, que retorna pra casa com plantas…

… e a Camila, com o jantar.

o que levar na bike? | parte ii

21 mar

Seguindo com a série o que levar na bike, apresentamos mais estilos sobre o que as ciclistas levam consigo.

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Estilo virginiana pós-prevenida

“Em tópicos, claro:

(a) mecânica: o mínimo pra trocar um pneu ou arrumar algo que deu errado – câmara (às vezes uma câmera tb, pra fazer fotos de flores); chave: veja se tua bike tem blocagem nos aros (aquela pecinha pra soltar o pneu rápido), senão é legal ter uma chave e um mínimo de noção de como usar; espátulas: pra soltar o pneu do aro;  bomba de encher pneu de mão e pano pra limpar a mão e pra ajudar na hora de fazer força.

(b) conforto: a maioria a gente já tem na bolsa (ou não) – lenços umedecidos e de papel, desodorante, escova, elástico e algum saco/sacola pra carregar algo, vai saber o que o mundo nos oferece.

(c) imprevistos/segurança: capa de chuva (lyndas aquelas amarelas de PVC!, em loja de construção sai uns r$ 10,00), lanternas pra bike (dianteira e traseira), lanterninha (com pilha!) e o tal jaleco refletivo se vc tiver coragem de brilhar… e muito!

(d) previstos/segurança:  caneta & o caderninho que ganhou de presente de natal pra anotar poemas” – Ana Rüsche

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Estilo sem lenço, sem documento, nativa de peixes

“Eu sempre carrego água, outra camiseta, desodorante e celular…é, sou optante do táxi ou do telefonema… não tenho muita “paciência” para parar e trocar pneus… admiro muito quem faz.
Inclui o protetor e as luvas que tinha esquecido de citar… ah, e minha mochila reflexiva… rs.” – Anna Gadelha

(continuará)

o que levar na bike? | parte i

20 mar

Uma vez que a pessoa decidiu usar/testar a bike como meio de transporte, a perguntinha aparece. Deslumbradx com as milhões de possibilidades que o mercado de bugigangas inúteis-incríveis ligadas à bicicleta apresenta, logo aparecem demandas que vc nem imaginava existir! São equipamentos de segurança, mimos, cosméticos e sei lá o quê (nessa hora, lembro da amiga saudosa da infância: “só pedalava de short, camiseta e chinelo”).

Então, como responder à perguntinha?

Bem, as Pedalinas trazem alguns depoimentos.

Uma bike pode carregar muito. Ou pouquíssimo.

Quem decide é vc, ciclista!

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Estilo sonhadora

Imagem“Eu carrego o mínimo: garrafa de água e bomba de ar. Na bolsa: lenços umedecidos e comuns e desodorante. Dependendo do dia outra camiseta ou capa de chuva. Na brincadeira: o telefone para ligar pro marido ou pro táxi caso algo de errado já que não sei trocar pneu (a bicicleta é dobrável, então eu sempre adio aprender, falo que se um dia precisar eu dobro e coloco no porta-malas de um táxi).

Isso só por conta da bicicleta. Mas algo que eu sempre carrego na bolsa, mesmo para ir a pé é um livro. SEMPRE tenho um!

Não sei se isso faz diferença, mas sou geminiana.” – Simone Miletic

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Estilo cicloviajante das galáxias

“Eu realmente levo tudo que dá na telha: skate, patins, computador, comida, além de sempre disponibilizar a garupa!

Uma vez coloquei um guarda-chuva (daqueles grandes) no quadro e não consegui fazer curvas :O”. – Renata Cardamoni

ImagemOlhaí o guarda-chuva no quadro!

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E o vaso na cestinha.

(continuará)

ontem

3 mar

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Não conheci a Juliana. Mas quando chego à Praça d@ Ciclista, logo uma querida me abraça e chora tanto. Mostra: veja o poema que escreveram. Leio o poema e logo estou eu sem conseguir respirar direito. Aparece um daqueles amigos que te ensinaram tudo e dá um abraço sufocado, difícil. Reconheço alguns dos rostos – são companheiros das Pedalinas, do Bike Anjo, do Cru, do Pedal Verde, do Vá de Dyke, da Bicicletada da Zona Oeste, do Mão na Roda e tantos outros coletivos, projetos e ações, conhecidos de paradinhas em faróis, de acenos de bom dia, de respostas firmes “se vc vai descer pra Pinheiros, já formou: vamo junto”. Aparece uma que não tem bicicleta ainda e aprendeu a dar as primeiras pedaladas com as Pedalinas. Uma outra pedestre, bem alta, traz um imenso girassol, um sol à tira-colo. Saem para buscar flores, chegam flores. Há tantas outras pessoas desconhecidas, mas conhecidas ante o mesmo amor, a mesma pedra

: em fazer das ruas de São Paulo um lugar. Um lugar de escala humana.

Comentários sobre a agonia na demora de sabermos o nome da Juliana. Mulher, com 33 anos, ali naquele horário, são muitas. Alguns telefonaram para a própria Juliana, perguntando se não era ela. Nunca respondeu. A menção ao nome “Julie” rasga em abraços seus mais próximos. O calor denso da noite que se adentra, suor misturado a lágrimas dos homens, aos lamentos das mulheres.

Plantam uma árvore na Praça d@ Ciclista. Juliana era do Pedal Verde. E outra árvore. E aplaudem com estapidos duros, não é uma celebração, é uma memória que se planta.

Muitos fotógrafos e jornalistas. Entrevistam. “Quantas pessoas temos aqui?”, não para de gritar uma jornalista para desespero de um dos membros do BikeAnjo. Mais de mil. Na realidade, ali estavam esses mais-de-mil e os que estão sempre no pensamento: seus pais, seus amigos, seus colegas, ciclistas de toda grande São Paulo, ciclistas de todo o país. “É uma fatalidade”, diz outra jornalista emocionada, que recebe logo o comentário ríspido de quem está no asfalto sempre: “Fatalidade se fosse imprevisível. Neste caso é muito previsível: a CET não multa quem infringe a norma do Código de manter a distância de 1,5m do ciclista”. A rispidez logo se dissolve na fala embargada, complicado manter o discurso aprumado nessa hora. Um jornalista ainda me cochicha sentido, “acho que vou começar a pedalar”.

Troveja. E a mãe das tempestades se anuncia à Avenida Paulista. Cai o céu. As cores dos faróis são borradas, as guias desaparecem em corredeiras. Alguns manifestantes procuram abrigo embaixo do Cervantes, na lan house. A força da água não arreda. A chuva não vai passar. Assim, lentamente, sob rajadas de vento forte, os mais-de-mil iniciam a caminhada penosa da Praça d@ Ciclista até o cruzamento da Pamplona. Vão a pé, arrastando a bicicleta, vão montados e pedalando com pesar, vão em duplas pedestres sob os guarda-chuvas que nada seguram. Aos que assistem a manifestação, apinhada nos toldos, entregam flores, panfletos, palavras.

A força da chuva e do vento tira o que vai adentro dos caminhantes: um misto de raiva com grande tristeza. Um frio inacreditável e ali se caminha. “Mais amor, menos motor”. Alguém ainda lembrou, no dia em que a Márcia Prado faleceu, também chovia à noite. Tão perto uma da outra: a Márcia e agora a Juliana.

O local. Abraçam-se. Não há uma única peça de roupa, coração ou olhar seco ali no asfalto. Todos deitam na avenida durante incontáveis minutos. A bicicleta branca é trazida. Flores são partilhadas por tantas mãos e aplausos molhados pelas rajadas de vento. Há ainda muitos silêncios. Na entrada da Estação Trianon Masp, entregam-se panfletos aos espectadores. Ouço um, com a roupa completamente seca, comentando: “não sabia que tinha tanta mulher andando de bicicleta”.

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ATUALIZAÇÃO: alguns links

Homenagem à nossa Amiga Julie Dias – Pedal Verde de Luto

Cobertura fotográfica do protesto | Coletivo Fora do Eixo

Uma vida ceifada | as bicicletas

A ciclista morreu na contramão, atrapalhando o tráfego | Sakamoto

A morte da menina que plantava árvores em São Paulo | o ((o)) eco

bolsas e alforjes

27 dez

Durante a oficina de dezembro do Bike Anjo no Parque das Bicicletas, gravei esse videozinho a respeito de soluções para incrementar teu bagageiro: como amarrar bolsas e usar alforjes.

A segunda parte do vídeo tá meio merchandising, hehe, mas acho que as demonstrações serão úteis pra fornecer ideias.

Bom pedal nestes finais de ano!

Agradecimentos às estrelas: Priscila Moreno (Alforjaria) e Michele Mamede.

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