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Mãos dormentes: e agora?

15 maio

Uma apresentação rapidinha: meu nome é Verônica, estou na lista das Pedalinas desde sempre, e tenho participado mais ativamente de uns tempos para cá. Já faz quase quatro anos que eu pedalo, e tenho um blog meio largado de cycle chic, que é o nome que ganhou a prática de andar com suas roupas comuns do dia a dia, em vez de um uniforme esportivo. De um ano para cá, me interessei também por ciclismo de longa distância (o que explica um pouco aquele meu último post no meu blog pessoal, usando roupa de lycra e com uma bicicleta speed). Sempre prometo posts que nunca posto aqui. Na nossa lista, percebi que um textinho meu podia ser útil para outras meninas, e resolvi compartilhar. Vamos a ele?

Ao ficar algum tempo sobre a bicicleta, muitas pessoas experimentam dormência nas mãos. Pode ser uma leve sensação de formigamento, dormência mesmo e até dificuldade de movimentar os dedos. Isso acontece quando a posição das mãos no guidão por um tempo prolongado  (seja um pedal mais longo de um dia ou uma cicloviagem, por exemplo) dificulta a circulação sanguínea ou pressiona os nervos da mão (nervo ulnar, geralmente). Os dedos mais afetados são o mindinho e o anelar. Se isso já aconteceu com você, calma! O problema costuma ser temporário. Dependendo da distância e da pressão na mão, pode passar em algumas horas ou até mesmo meses. O que fazer?

Quando for pedalar, é importante mudar a posição da mão no guidão de tempo em tempo. Nas pausas dos semáforos, vale dar chacoalhadinhas de leve e movimentar a mão para o sangue voltar a circular. No trânsito, na trilha ou em estradas, temos a tendência de ficar tensos sem perceber, e segurar o guidão com força, o que também é prejudicial. Tente relaxar os ombros e braços durante pedal, e segurar o guidão de forma firme mas delicada; não precisa agarrá-lo. Isso vai reduzir muito a possibilidade de dormência e dores no braço no dia seguinte, já que braços relaxados sofrem muito menos com a trepidação. Confira também sua postura: o peso do corpo do ciclista deve estar bem distribuído na bike e apoiado nos ísquios (ossinhos do quadril). Se você joga todo o peso do corpo nos braços, vai sentir dores e favorecer a dormência depois de uma certa quilometragem.

Ajuste fino
Se mesmo assim o problema continuar, talvez seja necessário fazer ajustes na sua bike (o tal do bike-fit), porque pode ser que peças do tamanho errado estejam causando os pontos de pressão nos  nervos que controlam a sensibilidade da mão. Tem dois jeitos de fazer: procurar um profissional, que vai tirar todas as suas medidas e sugerir ajustes (trocar a mesa da bike, por exemplo) para que o tamanho dela esteja ajustado perfeitamente à você. Custa um pouco caro, mas quem passa muito tempo na bike costuma se beneficiar muito do investimento.

Dá para fazer em casa também, preenchendo planilhas com seus dados, lendo e pesquisando. Foi meu caso. Fiz o primeiro sozinha para definir o tamanho da speed, e depois refiz para ver que peças eu tinha que trocar. Coloquei um guidão mais estreito e uma mesa mais curta e meu problema de dormência em pedais longos quase sumiu. Dá trabalho de de qualquer forma talvez você precise gastar com a troca de peças, mas traz uma grande vantagem: o aprendizado sobre a bicicleta e sobre seu próprio corpo fica para a vida toda.

Luvas para que te quero
Além de proteger as mãos no caso de queda, essa é outra função das luvas. Luvas comuns ajudam a prevenir calos e vergões (depois de um pedal muito longo sem luvas, já fiquei com as mãos vermelhas e esfoladas…). A luva tem que estar justa na mão, mas sem apertar, e sem fazer dobras no tecido. Se elas não estiverem ajudando com relação a dormência, outra dica é procurar luvas mais técnicas, com gel na região da palma da mão.

Se nenhuma dessas dicas ajudar, você pode estar com Síndrome de Túnel do Carpo, com inflamação crônica de tendões da mão, na região do nervo mediano (que passa bem no punho, onde costumamos apoiar o peso do corpo ao pedalar).  Procure um bom ortopedista, que poderá fazer um diagnóstico preciso e encaminhar uma solução – de preferência sem precisar parar nunca de pedalar!

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