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Ciclovia musical

23 jul

Evento em São Paulo: Ciclovia Musical

ciclovia musical

Rota de bicicleta, com 12 palcos onde haverá apresentações de música de câmara
24 de agosto de 2013
das 10h30 às 16h30
30 concertos de música de câmara em 12 pontos culturais na Barra Funda

Segundo a página do Facebook, “o público poderá assistir aos concertos individualmente ou, se preferir, fazer um roteiro de bicicleta com saída do Memorial da América Latina passando por 4 concertos diferentes, permanecendo 20 minutos em cada local. O roteiro será acompanhado por monitores que darão apoio ao passeio ciclístico e informações musicais de cada concerto.”

Locais:

1. Memorial da América Latina
2. Casa Mário de Andrade
3. KiaOra Barra Funda
4. Núcleo Experimental
5. Estacionamento Scala Park
6. Baró Galeria
7. Theatro São Pedro
8. Associação Cultural Cecília
9. Igreja Episcopal Brasileira
10. Metrô Barra Funda
11. Metrô Marechal Deodoro
12. Praça Olavo Bilac

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Pedal à moda antiga

22 jun

19/06/2011 (Foto: Carlos Alkmin)

Esse final de semana (além do Alicate que em breve terá relato, fotos e vídeo) aconteceu o 1º Tweed Ride São Paulo, um passeio histórico, épico e muito elegante que nos levou a uma deliciosa viagem no tempo.

Cerca de 70 ciclistas compareceram ao “Theatro Municipal” bem no estilo “vintage”, seja com roupas, acessórios, objetos e até com bicicletas de décadas passadas. A arquitetura do centro deu um charme todo especial ao evento e o passeio por lugares históricos – como o Vale do Anhangabaú e Viaduto do Chá – reviveu na memória a época em que a bicicleta era o principal (e mais luxuoso) meio de transporte das cidades.

As meninas (e os meninos) capricharam na produção. Estavam tod@s lindíssimos. Eventos assim me deixam profundamente nostálgica e inspirada. Tomara que aconteçam outros, cada vez mais e mais.

O primeiro Tweed Ride (ou Tweed Run) foi realizado em Londres em janeiro de 2009. Inspiradas no exemplo inglês, muitas cidades do mundo já realizaram passeios semelhantes, como São FranciscoBostonChicagoFiladélfiaSacramentoTorontoVictoriaAnjou,

SidneyWashingtonNagoya e Curitiba entre outros.

Praça da Cidadania

Parabéns ao Coletivo Pscycle que organizou e promoveu o Tweed Ride São Paulo.  Saiu matéria no Diário de São Paulo!

Visite o site do evento: http://tweedridesp.wordpress.com/

Veja mais fotos dos queridos:

Carlos Alkmin e Laura Sobenes

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Sobre uma notícia de jornal

30 mar

 

 

A reserva que um ovo inspira

é de espécie bastante rara:

é a que se sente ante um revólver

e não se sente ante uma bala.

(João Cabral de Melo Neto, “O ovo de galinha”)

 


O ovo insiste em aparar suas quinas mecânicas. Um ovo distinto, negro. Esse ovo toma forma de carro tateando no escuro; ele encerra em si expectativas. Dentro dele, feixes de reflexos de seus espelhos cruzam o interior em plasmas luminosos. Os vidros escuros, permeáveis à luz, como a fina casca branca do ovo. O miolo firme, prestes a transbordar os limites da película (cercado de uma estranha gosma transparente?), transgride. Chega um porvir imundo ronronando ameaças, bafo apressado em quentura de motor. Cem bicicletas rasgam o frescor, deslizando arritmadas em fluidez inventada. Rodando: o ovo-carro avança, muito rápido. E – os segundos de repente têm o peso da traição pelas costas – atropelamentos. Ciclistas escorrendo feito gema mole sobre seu pára-brisa, subindo, caindo pelas bordas em umidade vermelha. As formas arredondadas – para surpresa do ovo! – ficaram do lado de fora de sua casca de azeviche, girando no vazio, longe do chão.

Alguns dias antes, Ricardo fantasiava. Ele a admirava através do vidro, contemplando-a. Deslizando sensualmente, ela transpirava seus movimentos ágeis como a cheia de um rio, uma manada. Como essas coisas que fazem curvas que escapam da vista. Ele desdenhava a Liberdade todas as vezes em que ela esfregava a sua prisão através dos vidros calculadamente permeáveis. Homens e mulheres lhe privavam do que era seu. Do lado de dentro, ele sem ela. Mas Ricardo não ousava tocá-la. Em espirais, sobre bicicletas, ela continuava a rondá-lo em brisas cada vez mais soltas, sussurrando o silêncio da invisibilidade. Súbito, uma violência metálica e a fragilidade em ferida aberta. A gema (se é que assim podemos chamar aquilo que recheia um ovo inorgânico) teve seus nervos oleosos endurecidos pelo ciúme. A Liberdade sequer poderia ser sua amante enquanto ele cerrasse seu corpo dentro de tão dura matéria, lata quente de motor. Sentindo a pulsão, ele desejou o frescor que emanava de maneira irremediável: o lado de dentro ousou tocar o fora com bastante obscenidade. Rendeu-se aos impulsos despudorados que lhe coravam a face, cuspiu a clara translúcida que nutre a vida e a feriu. Junto com esse disparo, cem pessoas deitavam na secura do asfalto. E foi assim que o ovo negro despedaçou a Liberdade em cacos de bicicleta.

………………………………………………………………………………………………

Em 1935, um jornal mexicano noticiava a morte de uma mulher, encontrada em sua própria cama com dezenas de ferimentos. Próximo à mulher, encontraram seu marido, coberto de sangue, punhal na mão. “Unos cuantos piquetitos” (em tradução livre: “algumas punhaladinhas”) foi a expressão utilizada pelo assassino para justificar-se para a polícia. Frida Kahlo pintou um quadro com este título, inspirada por este brutal acontecimento. A moldura da obra está toda manchada de sangue e marcada por golpes de punhal, o que sugere que Frida teria arrancado esta imagem da realidade. E a realidade sempre nos ultrapassa. O fragmento acima é, por assim dizer, a imagem que voou na minha direção no dia 25 de fevereiro de 2011.

(Neste momento, Ricardo Neis está preso fora de seu automóvel.)

POA 2502: revista eletrônica

5 mar
……..sobre quando é preciso girar

.

……..é mentira
……..se eu disser que
……..nunca vi isso antes
……..isso do seu ódio
……..querer atropelar tudo
……..olha, não vou dizer
……..– e não acredito nisso –
……..que você é louco
……..porque seria um jeito
……..de tirar sua intenção
……..belicista, tão real e
……..desenfreada, minhas pernas
……..de ciclista corrente vendaval
……..cabeça pra baixo
……..sim, minha fragilidade
……..te incita
……..mas acredite
……..que meu equilíbrio
……..também sobre duas rodas
……..me mobiliza
………………………………………. – Lilian Aquino

.

A revista eletrônica POA 2502 traz 30 trabalhos de artistas solidários aos ciclistas da massa crítica de Porto Alegre.

Indignados com o atropelamento criminoso, os editores – Hugo Maciel, Lilian Aquino, Rafael Daud, Felipe Sentelhas e eu, enviaram no domingo uma convocação por e-mail pedindo colaborações. Já na terça-feira, tínhamos em nossas caixas postais os 30 trabalhos que hoje compõe a revista. Há quadrinhos, poemas, ilustrações, fotos, contos e depoimentos.

Escolhi para este post um poema da Lilian Aquino, escritora de cabelos de fogo cuja bicicleta se chama Maria Eugênia, e uma ilustração da Luisa Furman, que “adora pedalar pelo Butantã, mas está dando um tempo para não se desequilibrar com sua barriga de 8 meses”. Não são lindos?

Confira toda revista aqui:

http://www.arvoreseletricas.com/download/poa2502.pdf

[URL para twitter: http://is.gd/poa2502]

CONVITE: e pra quem não gosta muito de ficar nas virtualidades, na quarta-feira de cinzas, quando o ano realmente começa, haverá a festinha de lançamento na praça do ciclista, às 19h, com leituras de textos e abraços. te esperamos!


Uma animação para alegrar a tarde

21 fev

A qualidade do vídeo no Youtube não é das melhores, mas a animação é lindinha, vale (re)ver. 🙂

“História Trágica com Final Feliz” – Regina Pessoa, 2005. Canadá, França e Portugal.

Urgente: bicicleta roubada y secuestrada!

31 jan

O poema que segue é da argentina Cecilia Pavón, integra o livro Caramelos de Anís. Foi traduzido ao português pela Marília Garcia e publicado na revista Inimigo Rumor nº 20. Agora está disponível na revista eletrônica Modo de Usar & Co., onde você poderá ler mais sobre a escritora (e ler ainda tantas outras coisas!).

– Agradecimentos ciclistas pra Cecilia e Marília por autorizarem a publicação!

imagem: montrealgazette.com

.

Bicicleta roubada sequestrada
.
Talvez a revolução esteja em seus corpos e eu não a veja
.
Essa é a história de uma bicicleta roubada
Sei apenas que perto do canal está o dono
ou a dona
Perto do canal,
perto de um canal
Mas esqueci o nome das ruas
.
Uma madrugada saímos depois de beber em um bar revolucionário
e minha bicicleta estava presa acidentalmente a outra
uma corrente se enredava por entre os cabos do freio e
a mantinha
sujeita a um poste
Todos iam embora
em táxis
em ônibus
em carros que estavam cheios
e eu não podia pegar minha bicicleta
tive que deixá-la ali
.
Se alguém a encontrar ali
vai quebrar o cadeado
e levá-la embora
mas de qualquer jeito era roubada
comprada por um preço muito baixo
no mercado de pulgas
ou em um quintal de fundos suspeito
de uma mulher imigrante
não se entendia muito bem o que ela dizia
mas de todo modo dizia:
“esta ser bicicleta minha velha”
“esta não ser roubo”
.
São três horas da tarde de um dia de verão com vento
As árvores que até agora estavam secas
movem-se extremamente carregadas
de folhas transbordantes de vida
Em vez de neve, fibras de pólen alongadas que voam
como insetos
Alguém prendeu sua bicicleta acidentalmente à minha
não sei se é um acidente ou um roubo
não sei se é um roubo ou se é a verdadeira dona
que sei que existe porque um dia se aproximou de mim em um parque
.
Eu não sou a verdadeira dona, eu a comprei
por este preço tão baixo
neste quintal
nos fundos
ou mercado de pulgas
de uma mulher com sotaque de estrangeira
de cabelos compridos e jeans gastos
que dizia
“não perigo, esta ser bicicleta minha passado”
.
Depois de conhecer a felicidade da bicicleta
Estar sem ela é como viver sem asas
.
Passavam os dias e a bicicleta seguia ali na ponte
o dono não vinha desatá-la, era verão, voava o pólen
manchado de sol
eu pedia bebidas que me faziam mal
como expresso
café
preto
sem leite
olhava para a bicicleta do outro lado da ponte e chorava
.
A bicicleta rosada presa
através do cabo do freio
por engano
à bicicleta celeste, oxidada, de um desconhecido
.
O sequestro da bicicleta roubada acontece
durante a única semana de sol do ano
.
As coisas grandes
as coisas raras
acontecem em momentos de decisão ou de loucura
por exemplo:
deixar seu país,
cortar o cabo do freio
com um alicate para liberar a bicicleta,
desfrutar
gozar
com o crime
quebrar a roda da outra bicicleta ou
jogar ácido no banco
Algo assim.
.
A bicicleta era a minha única fonte de diversão
Agora que está chegando o verão
e são poucas as horas de verdadeira noite
a bicicleta era a minha melhor,
minha única amiga
Sei que parece besteira
é até tão simples
mas passeando de bicicleta pela cidade
me sentia livre
a cidade era como uma paisagem
que eu podia ver de graça
passando a toda velocidade
pela janela de uma trem inter-city
só que a janela não tinha caixilhos
era uma janela sem limite
e rosada
uma janela com forma de bicicleta rosada
roubada
comprada de uma garota
que dizia “não ser perigo, não roubado, minha antes bicicleta”
.
Eu sabia que era roubada
mesmo assim comprei
Um dia em um parque chegou para mim
a verdadeira dona
uma mulher de uns trinta anos
e disse que aquela era sua bicicleta
mas eu a defendi com unhas e dentes
inventei uma história estranhíssima
complicada
com muitas etapas
de como essa bicicleta tinha
vindo de Paris de barco
pelo correio, desmontada
em uma caixa de papelão
enviada como presente por um ex-amante
.
Se me tiram a bicicleta
o que mais me resta aqui?
Sim,
há os cafés revolucionários
onde se discute o futuro do mundo
Mas nada
nada
pode se comparar
a ela.
.
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Deslocamentos

1 out

Uma das coisas mais bacanas da bicicleta é a possibilidade de recuperar paisagens perdidas no cotidiano. Uma oportunidade de reparar mais no entorno, sem fechar-se no carro, e de conhecer novos lugares, na busca por alternativas. É como se um pedaço da cidade, antes roubado pelo trânsito ou ignorado pelo interesse seletivo, nos fosse novamente oferecido. E ficamos aqui, esperando e agindo para que esse espaço seja valorizado, e que coisas novas aconteçam nele, pois um pouquinho de novidade é sempre bom.

Por isso achei bem interessante que na Paulista, em meio as detestáveis plaquinhas políticas e os resistentes sinais da primavera, agora encontram-se expostas réplicas das obras do acervo do MASP. No muro cinza e no canteiro de obras estão pendurados quadros, legendas e olhares. E tudo por causa de um projeto cuja ideia poderia agradar bastante a arquiteta do MASP, Lina Bo Bardi, para quem o museu deveria representar muito mais para os paulistanos do que um simples bloco de concreto contra o céu.

"Revelarte - O MASP nas ruas"

Ah, e fica o convite: a Paulista é roteiro “obrigatório” no encontro das Pedalinas, vale dar uma olhadinha nesses quadros no nosso pedal de amanhã! 😉

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