Tag Archives: mulheres que pedalam

A Rua é de Todxs! Caminhada, Pedal e Piquenique – 25/03

20 mar

Andar na rua sem ninguém te atormentar deveria ser um direito de todo mundo. Mas não é. Algumas pessoas são assediadas. Por serem mulheres. Por serem transexuais. Por serem gays, lésbicas. Outras, correm risco de morrer ou ser atropeladas. Porque são ciclistas. Porque estão a pé, atravessando a faixa de pedestres.

Entendemos que isso não pode continuar. E nesse domingo, vamos nos encontrar para falar sobre isso, entre a gente e com as pessoas que encontrarmos no caminho. Um pedal e uma caminhada até o parque, aonde faremos um piquenique. E conversaremos. E trocaremos experiências. E nos afofaremos em virtude dos acontecimentos tristes do último mês – a perda de uma mulher e ciclista. Março é o mês da mulher, e um bom mês para lembrarmos que não queremos rosas, e sim, direitos. Como andar na rua. Sem ninguém encher o saco. Ou tentar nos matar.

A rua é de todxs. 😉

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p.s.: flyer lindo que a Gabi Kato fez.

p.s.s.: não esqueçam de levar comida para o piquenique!

p.s.s.s.: na Praça dx Ciclista, faremos cartazes e enfeitaremos as bikes com fitás lilás (a cor do feminismo). Mais ideias e iniciativas são muito bem-vindas. 🙂

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ontem

3 mar

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Não conheci a Juliana. Mas quando chego à Praça d@ Ciclista, logo uma querida me abraça e chora tanto. Mostra: veja o poema que escreveram. Leio o poema e logo estou eu sem conseguir respirar direito. Aparece um daqueles amigos que te ensinaram tudo e dá um abraço sufocado, difícil. Reconheço alguns dos rostos – são companheiros das Pedalinas, do Bike Anjo, do Cru, do Pedal Verde, do Vá de Dyke, da Bicicletada da Zona Oeste, do Mão na Roda e tantos outros coletivos, projetos e ações, conhecidos de paradinhas em faróis, de acenos de bom dia, de respostas firmes “se vc vai descer pra Pinheiros, já formou: vamo junto”. Aparece uma que não tem bicicleta ainda e aprendeu a dar as primeiras pedaladas com as Pedalinas. Uma outra pedestre, bem alta, traz um imenso girassol, um sol à tira-colo. Saem para buscar flores, chegam flores. Há tantas outras pessoas desconhecidas, mas conhecidas ante o mesmo amor, a mesma pedra

: em fazer das ruas de São Paulo um lugar. Um lugar de escala humana.

Comentários sobre a agonia na demora de sabermos o nome da Juliana. Mulher, com 33 anos, ali naquele horário, são muitas. Alguns telefonaram para a própria Juliana, perguntando se não era ela. Nunca respondeu. A menção ao nome “Julie” rasga em abraços seus mais próximos. O calor denso da noite que se adentra, suor misturado a lágrimas dos homens, aos lamentos das mulheres.

Plantam uma árvore na Praça d@ Ciclista. Juliana era do Pedal Verde. E outra árvore. E aplaudem com estapidos duros, não é uma celebração, é uma memória que se planta.

Muitos fotógrafos e jornalistas. Entrevistam. “Quantas pessoas temos aqui?”, não para de gritar uma jornalista para desespero de um dos membros do BikeAnjo. Mais de mil. Na realidade, ali estavam esses mais-de-mil e os que estão sempre no pensamento: seus pais, seus amigos, seus colegas, ciclistas de toda grande São Paulo, ciclistas de todo o país. “É uma fatalidade”, diz outra jornalista emocionada, que recebe logo o comentário ríspido de quem está no asfalto sempre: “Fatalidade se fosse imprevisível. Neste caso é muito previsível: a CET não multa quem infringe a norma do Código de manter a distância de 1,5m do ciclista”. A rispidez logo se dissolve na fala embargada, complicado manter o discurso aprumado nessa hora. Um jornalista ainda me cochicha sentido, “acho que vou começar a pedalar”.

Troveja. E a mãe das tempestades se anuncia à Avenida Paulista. Cai o céu. As cores dos faróis são borradas, as guias desaparecem em corredeiras. Alguns manifestantes procuram abrigo embaixo do Cervantes, na lan house. A força da água não arreda. A chuva não vai passar. Assim, lentamente, sob rajadas de vento forte, os mais-de-mil iniciam a caminhada penosa da Praça d@ Ciclista até o cruzamento da Pamplona. Vão a pé, arrastando a bicicleta, vão montados e pedalando com pesar, vão em duplas pedestres sob os guarda-chuvas que nada seguram. Aos que assistem a manifestação, apinhada nos toldos, entregam flores, panfletos, palavras.

A força da chuva e do vento tira o que vai adentro dos caminhantes: um misto de raiva com grande tristeza. Um frio inacreditável e ali se caminha. “Mais amor, menos motor”. Alguém ainda lembrou, no dia em que a Márcia Prado faleceu, também chovia à noite. Tão perto uma da outra: a Márcia e agora a Juliana.

O local. Abraçam-se. Não há uma única peça de roupa, coração ou olhar seco ali no asfalto. Todos deitam na avenida durante incontáveis minutos. A bicicleta branca é trazida. Flores são partilhadas por tantas mãos e aplausos molhados pelas rajadas de vento. Há ainda muitos silêncios. Na entrada da Estação Trianon Masp, entregam-se panfletos aos espectadores. Ouço um, com a roupa completamente seca, comentando: “não sabia que tinha tanta mulher andando de bicicleta”.

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ATUALIZAÇÃO: alguns links

Homenagem à nossa Amiga Julie Dias – Pedal Verde de Luto

Cobertura fotográfica do protesto | Coletivo Fora do Eixo

Uma vida ceifada | as bicicletas

A ciclista morreu na contramão, atrapalhando o tráfego | Sakamoto

A morte da menina que plantava árvores em São Paulo | o ((o)) eco

Quem faz 15, Faz 100 (Km)!!!

6 jul

Há tempos, eu cultivava a ideia de pegar a minha bike e sair viajando por aí, mas, por “n” motivos, adiei a minha primeira cicloviagem por mais de um ano. Até que, umas semanas atrás, foi confirmado que se realizaria a 1ª cicloviagem organizada pelas Pedalinas, especialmente para iniciantes!

A princípio, vieram três pensamentos à minha mente:
1) Nossa, estou há mais de dois meses sem chegar perto da minha bike, e meus trajetos casa-trabalho dificilmente ultrapassam 15 Km. Será que vou aguentar?
2) Putz, a previsão do tempo diz que vai chover no sábado… Como faço?
3) Daaaane-se!!! Eu vou!!!

Logo, tive que tomar vergonha na cara e sair atrás de várias coisas para a minha bike. Revisão, instalação de para-lamas e bagageiro, compra de câmaras reserva (para o caso de furar o pneu) e procura de alforge ou caixote para levar a minha bagagem.

No final, resolvi essa parte de “carregamento” com um cestinho de arame emprestado da Carina, que prendi no bagageiro com enforca-gato (também conhecido como abraçadeira ou fita Hellermann) cedido pela @pedaline. Para segurar a mochila dentro do cesto, usei uma rede de elástico, com presilha estilo aranha.

Redinha pra prender por cima do cesto e não deixar tudo voar

A rede de elástico em ação, segurando as minhas tralhas. (foto: @pedaline)

Providenciadas essas coisas básicas, fiquei torcendo para que não precisasse de capa de chuva também e… TCHARAM! Na sexta-feira, o site de previsão do tempo se atualizou e antecipou só uma manhã nublada, em vez de chuva!!!

Com uma certa dose de milagre, consegui acordar cedo no sábado e fui à Praça d@ Ciclista me encontrar com as meninas que me acompanhariam na viagem.

Madrugando na Paulista. (foto: @pedaline)

Todas reunidas, saímos às 8 da manhã e fomos enfrentar uma das partes mais tensas do trajeto: a saída da cidade de São Paulo. Primeiro, subimos dois viadutos para atravessar as marginais Pinheiros e Tietê, trocamos de faixa para subir a alça de acesso à rodovia Castelo Branco, mega adrenalina para atravessar a pista e tals.

Passados esses momentos de tensão, o restante da viagem foi bem tranquilo, com apenas um furo de pneu entre as meninas. Contudo, esse pequeno contratempo logo foi resolvido com uma bomba de ar pra quebrar o galho e com um kit remendo (item essencial para se carregar a qualquer momento de bike) no primeiro posto onde já planejávamos parar.

Entre os Km 34 e 37, uma subidinha que exigiu um pouco mais de nós. Não era muito íngreme, mas não era precedida por uma descida que pudéssemos aproveitar para pegar mais embalo e facilitar a subida. Foi o primeiro desafio psicológico que enfrentei, contornado com marchas engatadas no modo mais leve e uma pedalada beeeem mais devagar. Sempre com as meninas acompanhando o ritmo ou parando para esperar quem ficava para trás.

Paramos no Km 53 e algumas de nós fomos comer um almoço de respeito. Uma dica que a Evelyn deu é que, apesar de ter dois restaurantes caros logo à vista da estrada, ao fundo de um posto para caminhões ao lado se encontra um restaurante de prato-feito a R$8,50. E muito bom. Para quem é vegetariana, é só conversar com @ atendente, que preparam porções à parte.

Km 53, metade do caminho!

Depois, a subida ao longo de 11 km. Nada muito íngreme também, e bem mais leve do que a do Km 34. E a recompensa foi a mega descida gostosa com direito a um trecho entre paredões de pedra. Atingindo 60 km/h de bike.

Ah, certo, não nego que rolou dores nos braços e costas, além de ter que ficar mudando a posição em que me sentava a toda hora. Nada muito sofrido, porque ainda consegui me levantar, andar e pedalar no dia seguinte, rs.

Pernoitamos na casa dos pais da Evelyn, atenciosos e muito simpáticos, e conhecemos a irmã mais nova dela. Nos enchemos de pizza, algumas até de cerveja (lógico), e no dia seguinte devoramos churrasco.

Passeio pela cidade e visita ao apiário? Pffff… No sábado a gente chegou só a fim de tomar banho, jantar e conversar. E capotar de sono. No fim, a gente ficou comendo e colocando a conversa em dia. Talvez uma próxima vez a gente pegue um feriado prolongado pra passear mais, hueheuheue.

No domingo, pegamos um trecho de ciclovia até a rodoviária, onde pegaríamos ônibus de volta a São Paulo, e foi lindo passar por ruas praticamente vazias.

Mais lindo ainda foi passar ao longo de um rio que não fedia…

Uma coisa que aprendi com essa viagem é que, por mais que haja o pensamento do sedentarismo assombrando a gente, devagar e sempre chegamos (um bocado) longe. Afinal, de bike, quem consegue pedalar 15 km já está no ponto para enfrentar 100.

Editado: pra quem não foi por causa da previsão do tempo, pode ficar com mais invejinha ainda porque não caiu nem uma gota de chuva no caminho. E também não teve sol torrando as costas.

Editado 2: calça jeans não assou nem machucou, mas confesso que uma hora algumas partes do meu corpo começaram a ficar dormentes e formigando, rs. É provável que o estrago não tenha sido maior graças ao fato de ninguém ter precisado correr muito.

E malz pelo tom “meu querido diário” do texto. A ideia é mesmo só contar empolgada uma primeira aventura. =)

Debates sobre bicicleta como meio de transporte em SP

4 jul

Aline falará sobre sua vivência como ciclista urbana! Foto: Thiago Teixeira

A Shimano ta promovendo, agora no mês de julho, uma série de palestras sobre bicicleta lá na Casa das Rosas/SP. Toda semana um tema diferente e ciclistas convidados pra falar sobre algum recorte do mundo sobre duas rodas.

Amanhã, dia 05/07 a partir das 19h, começa o ciclo de debates com o tema “A mulher e a bicicleta” e entre as palestrantes está a Pedalina Aline Cavalcante que vai levar um pouco da sua experiência sobre a bike na cidade, como meio de transporte. A Claudia Franco (Ciclofemini) vai falar sobre a bicicleta como instrumento de esporte e lazer para as mulheres.

Importante lotarmos o bicicletário da Casa das Rosas (e adjacências) para que a Shimano finalmente comece a produzir ou importar peças, bicicletas e acessórios voltados ao público feminino, especialmente, para quem usa este meio de transporte todos os dias. O Brasil ainda está muito defasado nesse aspecto, mas a iniciativa de promover esse ciclo de palestras parece um bom termômetro de que as coisas estão mudando. Vamos acompanhar!

Acompanhe o restante da programação para o mês de julho:

5/7 – As Mulheres e a Bicicleta

Convidadas/palestrantes: Claudia Franco (Ciclofemini – mulheres pedalando pela autoestima) e Aline Cavalcante (membro do grupo Pedalinas e da Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo)

13/7 – A Imprensa e a Bicicleta

Convidados/palestrantes: Rodrigo Burgarelli (repórter – O Estado de São Paulo) e Leandro Valverdes (jornalista e cicloativista).

19/7 – Mobilidade Urbana

Convidados/palestrantes: Soninha Francine (ex-vereadora e ex-subprefeita da cidade de São Paulo) e Willian Cruz (Blog Vá de Bike)


26/7 – Cicloturismo

Convidados/palestrantes: Sergio Affonso (presidente da organização CAB – Clube dos Amigos da Bike) e Guilherme Cavallari (diretor da Kalapalo Editora e autor/editor de 15 livros sobre esportes de contato com a natureza com ênfase em mountain bike e cicloturismo.)

Endereço:

Casa das Rosas
Avenida Paulista, 37, Bela Vista, São Paulo – SP

Horário:

Abertura: 19h00 – Início: 19h30 – Término: 21h00

 

Cycle Chic com Mikael Colville-Andersen

A agenda de julho está recheada de coisa legal e sábado, dia 09/07 às 14h, terá início a Semana do Ciclista na cidade de São Paulo com o Fórum Semana do Ciclista – Tendências, com a participação do dinamarquês e cycle chic Mikael Colville-Andersen.

O Fórum também terá as presenças do Secretário Municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, do ex-jogador de futebol e ciclista Zetti, do Vereador Gilberto Natalini e do Dr. João Claudino Junior, presidente da Houston Bikes.

A entrada será totalmente gratuita e contará com uma surpresa adicional: um show especialmente preparado pela banda Tarântulas & Tarantinos, comandada pelo VJ, músico e cicloativista Luiz Thunderbird.

É necessária a confirmação através do e-mail: forum@libvee.com.br

Local: Auditório SESC Pinheiros – Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros

 Mobilidade  com David Byrne

Já no dia 12/07 o músico, escritor e cicloativista David Byrne  – ex-líder do Talking Heads – vem ao Brasil para discutir políticas de transportes sustentáveis.

O autor do livro ‘Diários de Bicicleta’ irá participar do fórum ‘Cidades, Bicicletas e o Futuro da Mobilidade’, que acontece no dia 12, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, no Sesc Pinheiros.

O debate também terá a presença do especialista em planejamento urbano e coordenador do Projeto Observatório da Mobilidade Cidadão, Eduardo Alcântara Vasconcellos, do cicloativista Artur Alcorta e do Secretário de Transportes da cidade São Paulo, Marcelo Branco. A conversa será mediada pela jornalista Paulina Chamorro.

O ingresso para o debate custa R$ 10, as vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas  no site www.sescsp.org.br

Cenas de uma Bicicletada

3 maio

Fotos incríveis do Ian Thomaz da Bicicletada do Chapéu – Março 2011. Muitas meninas participaram, entre novatas e veteranas. Sensação boa! Claro que estão faltando muitas ainda, esse é só um recorte do que foi aquela noite de verdade.

Toda última sexta-feira de cada mês, estão tod@s convidad@s para a BICICLETADA – concentração a partir das 18h na Praça d@ Ciclista (av paulista x consolação)

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E o dia em que, finalmente, o túnel da 9 de julho fluiu lindo, leve, desintoxicado, mas ainda bem barulhento…

Bicicleta em rede nacional

19 abr

Saiu no Jornal da Record uma reportagem grande e super bacana sobre bicicleta como alternativa ao trânsito caótico e estressante de São Paulo. “É em horário de pico que as bicicletas deixam os carros pra trás”, disse Ana Paula Padrão.

A grande sacada é que essa matéria entrou na sequência de uma outra sobre a perda de tempo do paulistano diariamente dentro de um carro – cerca de 2h30min todos os dias, o que daria 1 mês PERDIDO POR ANO.

Dá orgulho ver nossos amigos em rede nacional, fazendo aquilo que mais gostamos na cidade: PEDALAR! “O que mais eu quero no final do expediente é pegar a bicicleta! É uma forma de lazer” BINGO do Cuevas!

Foi abordada tb a iniciativa dos Bike Anjo – ciclistas experientes que ajudam os que querem começar a pedalar. As dicas do Carlos Aranha foram fundamentais para mostrar que é perfeitamente possível usar a bicicleta nos deslocamentos!

A Pedalina Camila deu um show nas palavras, elegância e serenidade! O repórter acompanhou-a durante seus 20km da Zona Sul à Zona Oeste e, mais uma vez, o exemplo de que existe SIM vida fora do carro!

Parabéns a todos! MUITO orgulho de assistir isso em horário tão nobre quanto a causa pela qual lutamos diariamente!

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