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Quem faz 15, Faz 100 (Km)!!!

6 jul

Há tempos, eu cultivava a ideia de pegar a minha bike e sair viajando por aí, mas, por “n” motivos, adiei a minha primeira cicloviagem por mais de um ano. Até que, umas semanas atrás, foi confirmado que se realizaria a 1ª cicloviagem organizada pelas Pedalinas, especialmente para iniciantes!

A princípio, vieram três pensamentos à minha mente:
1) Nossa, estou há mais de dois meses sem chegar perto da minha bike, e meus trajetos casa-trabalho dificilmente ultrapassam 15 Km. Será que vou aguentar?
2) Putz, a previsão do tempo diz que vai chover no sábado… Como faço?
3) Daaaane-se!!! Eu vou!!!

Logo, tive que tomar vergonha na cara e sair atrás de várias coisas para a minha bike. Revisão, instalação de para-lamas e bagageiro, compra de câmaras reserva (para o caso de furar o pneu) e procura de alforge ou caixote para levar a minha bagagem.

No final, resolvi essa parte de “carregamento” com um cestinho de arame emprestado da Carina, que prendi no bagageiro com enforca-gato (também conhecido como abraçadeira ou fita Hellermann) cedido pela @pedaline. Para segurar a mochila dentro do cesto, usei uma rede de elástico, com presilha estilo aranha.

Redinha pra prender por cima do cesto e não deixar tudo voar

A rede de elástico em ação, segurando as minhas tralhas. (foto: @pedaline)

Providenciadas essas coisas básicas, fiquei torcendo para que não precisasse de capa de chuva também e… TCHARAM! Na sexta-feira, o site de previsão do tempo se atualizou e antecipou só uma manhã nublada, em vez de chuva!!!

Com uma certa dose de milagre, consegui acordar cedo no sábado e fui à Praça d@ Ciclista me encontrar com as meninas que me acompanhariam na viagem.

Madrugando na Paulista. (foto: @pedaline)

Todas reunidas, saímos às 8 da manhã e fomos enfrentar uma das partes mais tensas do trajeto: a saída da cidade de São Paulo. Primeiro, subimos dois viadutos para atravessar as marginais Pinheiros e Tietê, trocamos de faixa para subir a alça de acesso à rodovia Castelo Branco, mega adrenalina para atravessar a pista e tals.

Passados esses momentos de tensão, o restante da viagem foi bem tranquilo, com apenas um furo de pneu entre as meninas. Contudo, esse pequeno contratempo logo foi resolvido com uma bomba de ar pra quebrar o galho e com um kit remendo (item essencial para se carregar a qualquer momento de bike) no primeiro posto onde já planejávamos parar.

Entre os Km 34 e 37, uma subidinha que exigiu um pouco mais de nós. Não era muito íngreme, mas não era precedida por uma descida que pudéssemos aproveitar para pegar mais embalo e facilitar a subida. Foi o primeiro desafio psicológico que enfrentei, contornado com marchas engatadas no modo mais leve e uma pedalada beeeem mais devagar. Sempre com as meninas acompanhando o ritmo ou parando para esperar quem ficava para trás.

Paramos no Km 53 e algumas de nós fomos comer um almoço de respeito. Uma dica que a Evelyn deu é que, apesar de ter dois restaurantes caros logo à vista da estrada, ao fundo de um posto para caminhões ao lado se encontra um restaurante de prato-feito a R$8,50. E muito bom. Para quem é vegetariana, é só conversar com @ atendente, que preparam porções à parte.

Km 53, metade do caminho!

Depois, a subida ao longo de 11 km. Nada muito íngreme também, e bem mais leve do que a do Km 34. E a recompensa foi a mega descida gostosa com direito a um trecho entre paredões de pedra. Atingindo 60 km/h de bike.

Ah, certo, não nego que rolou dores nos braços e costas, além de ter que ficar mudando a posição em que me sentava a toda hora. Nada muito sofrido, porque ainda consegui me levantar, andar e pedalar no dia seguinte, rs.

Pernoitamos na casa dos pais da Evelyn, atenciosos e muito simpáticos, e conhecemos a irmã mais nova dela. Nos enchemos de pizza, algumas até de cerveja (lógico), e no dia seguinte devoramos churrasco.

Passeio pela cidade e visita ao apiário? Pffff… No sábado a gente chegou só a fim de tomar banho, jantar e conversar. E capotar de sono. No fim, a gente ficou comendo e colocando a conversa em dia. Talvez uma próxima vez a gente pegue um feriado prolongado pra passear mais, hueheuheue.

No domingo, pegamos um trecho de ciclovia até a rodoviária, onde pegaríamos ônibus de volta a São Paulo, e foi lindo passar por ruas praticamente vazias.

Mais lindo ainda foi passar ao longo de um rio que não fedia…

Uma coisa que aprendi com essa viagem é que, por mais que haja o pensamento do sedentarismo assombrando a gente, devagar e sempre chegamos (um bocado) longe. Afinal, de bike, quem consegue pedalar 15 km já está no ponto para enfrentar 100.

Editado: pra quem não foi por causa da previsão do tempo, pode ficar com mais invejinha ainda porque não caiu nem uma gota de chuva no caminho. E também não teve sol torrando as costas.

Editado 2: calça jeans não assou nem machucou, mas confesso que uma hora algumas partes do meu corpo começaram a ficar dormentes e formigando, rs. É provável que o estrago não tenha sido maior graças ao fato de ninguém ter precisado correr muito.

E malz pelo tom “meu querido diário” do texto. A ideia é mesmo só contar empolgada uma primeira aventura. =)

Dicas valiosas de segurança e posicionamento nas vias

15 mar
As dicas abaixo são do Bicycle Safe, tradução do Onde Pedalar. (aos quais agradecemos imensamente!)
 
Elas demonstram como acontecem as principais situações de perigo de colisão envolvendo veículos automotores e dão dicas valiosas de como evita-las com atitudes simples. (e ainda de forma bem humorada e ilustrada:) 
 
Muitas destas dicas me foram passadas verbalmente por ciclistas mais experientes que fui conhecendo. Espalhe você também este conhecimento! 
 
 
COMO EVITAR COLISÕES COM CARROS
 

 

 

 

1 :Cruzamento com carro à direita.

Cruzamento de carro e bikeEsta é a mais comum das formas de ser abalroado (ou quase).  Um carro saindo de uma rua lateral, estacionamento ou entrada à direita. Observe que há na verdade dois tipos possíveis de colisões aqui: Ou você está na frente do carro e o carro te acerta no meio, ou o carro aparece muito rápido e você não consegue frear e o acerta no meio.

Como evitar este tipo de colisão:

1.      Tenha um farol.

Se você estiver andando à noite, você deve usar uma luz na frente. É exigido por lei, de qualquer maneira. Mesmo para um pedal diurno, uma luz branca brilhante que tem um modo intermitente pode torná-lo mais visível para os motoristas que chegam ao cruzamento. Os novos faróis de LED duram dez vezes mais que os anteriores e podem ficar ligados o tempo todo. As lanternas de capacete são as melhores porque quando você olha para o motorista não tem como ele não ver a luz branca.

2.      Buzina

Um bom e alto som pode chamar a atenção do carro que se aproxima a sua frente ou à direita. Caso não tenha uma, não se envergonhe de gritar “Ei”. É melhor ser a atração da rua do que ser atropelado. Em alguns países a buzina é obrigatória.

3.      Reduza a velocidade

Parece meio chato a todo cruzamento que você vai passar ter que reduzir, mas essa é uma precaução que salva vidas. Estando mais devagar, você consegue frear completamente evitando uma colisão. Lembre-se você é o elo mais fraco. Mesmo que tenha razão é o cara que vai ficar com mais dor no final das contas.

4.      Pedale mais à esquerda.

Olhe para as duas linhas azuis “A” e “B” na imagem. Você está acostumado a andar na “A”, muito próximo ao meio fio, isto porque você está preocupado em ser atingido por trás. Mas dê uma olhada no carro. O condutor está sempre olhando para a estrada e para o tráfego, não está olhando para a faixa das bikes ou para perto do meio fio, ele está preocupado com o meio da pista, com outros carros. Quanto mais à esquerda você estiver (como em “B”), mais provável que o motorista te enxergue. Há um outro detalhe aqui: se o motorista não lhe ver e começar a arrancar, você pode ir ainda mais longe à esquerda, ou pode ser capaz de acelerar e sair do caminho antes do impacto. Assim pode dar tempo dele frear antes de colidir.  Em suma, você e ele terão mais opções. Ficando totalmente à direita, sua única “opção” pode ser bem na porta do lado do condutor. Usando este método já me salvei em três ocasiões em que um motorista avançou sobre mim, e no qual eu definitivamente teria golpeado na porta lado do condutor se eu não tivesse me deslocado à esquerda.

Evidentemente, há um troca-troca aqui. Pedalar à extrema direita te faz invisível para os motoristas à sua frente nas intersecções, mas andar para a esquerda torna-lo mais vulnerável aos carros atrás de você. Sua posição atual na faixa pode variar dependendo do quão grande é a rua, quantos carros existem, quão rápidos e quão próximos eles passam você, e até que distância você estiver do próximo cruzamento. Em ruas rápidas e com poucas travessas, você vai andar mais à direita e, em ruas lentas e com muitos cruzamentos, você vai andar mais à esquerda.

 

2: Ser sorteado com uma porta no seu caminho

Uma porta no caminho do ciclistasO Motorista abre a porta bem na sua frente. Dependendo da sua velocidade, não vai dar tempo para parar. Com um pouco de sorte, o distinto motorista vai sair do carro a tempo de você ter o prazer de acertá-lo junto. Assim você quebra uns ossos dele e amortece seu impacto. Este tipo de acidente é mais comum do que você imagina e é a causa número um acidentes com bikes em Santa Bárbara na Califórnia. Nós compilamos uma lista de ciclistas mortos ao baterem com portas abertas de carros.

Como evitar esta colisão:

Pedale mais à esquerda.

Pedale suficientemente longe para a esquerda que você não irá bater em qualquer porta que está aberta inesperadamente. Você pode ter algum medo em pedalar muito a esquerda e os carros não terem espaço para ultrapassá-lo. Mas é bem mais provável de você ser surpreendido por uma porta do que ser atropelado por um carro que vem atrás e que claramente vai te enxergar. 

 

3 :Cruzando pela faixa de pedestre

Pedalando pela faixa de pedestreVocê está andando na calçada e atravessa a rua na faixa de pedestres, um carro faz uma curva à direita e vai direto em cima de você. Isto acontece porque carros não estão esperando bicicleta na faixa. Por isso, você tem que ter muito cuidado para evitar este tipo de acidente. Esta colisão é tão comum que já perdi a noção do número de pessoas que já nos disseram que foram atingidas dessa maneira, tais como John Ray Ray.  Um estudo mostrou que pedalar na calçada é duas vezes tão perigosa do que pedalar na rua e um outro estudo disse que é ainda mais perigoso do que isso.

1. Ter um farol. 

Se você estiver andando, à noite, você deve usar um na frente. É exigido por lei,  de qualquer maneira.

2. Vá devagar. 

Você deve ir tão devagar que consiga parar por completo e imediatamente se for necessário.

3. Não andar na calçada, em primeiro lugar. 

Cruzamento entre calçadas pode ser uma manobra bastante perigosa. Se você vai sobre o lado esquerdo da rua, corre o risco de ser atingido como no desenho ao lado. Se você vai sobre o direito do lado da rua, corre o risco de ser abalroado por um carro que está atrás de você vai virar direita. Você também corre o risco de ser atingido por carros saindo de estacionamentos. Esses tipos de acidentes são difíceis de evitar, o que é uma razão para não andar na calçada, em primeiro lugar.

E outra razão para não andar na calçada é que você estará ameaçando pedestres. Sua bicicleta é tão ameaçadora para uma pessoa a pé como um carro é ameaça para você. Por último, andar na calçada é ilegal em alguns locais. Se você fizer plano de andar nas calçadas, faça-o devagar e com cuidado extra, especialmente quando atravessar a rua entre as duas calçadas.

 

4: Pedalando na contramão

Pedalando na contamãoVocê esta pedalando na contramão perto do meio fio pela esquerda da rua. Um carro que vai entrar nesta pista virando a direita vai direto pra você. Ele não vai te ver porque estará olhando somente para a esquerda de onde supostamente deveria vir o tráfego. Eles não tem qualquer razão para suspeitar que uma bicicleta venha do outro lado. Do lado errado do fluxo.

E ainda pior, você poderia ser atingido por um carro vindo em sentido contrário. Eles teriam menos tempo de te ver e tomar ações evasivas porque estariam se aproximando muito mais rápido de você do que se os dois estivessem no mesmo sentido. E para completar, o impacto contra é o mais forte que pode se ter, pois as velocidades contrárias se somam no efeito final.

Como evitar esta colisão:

Não trafegue na contramão. Pedale com o trânsito, no mesmo sentido.

Pedalar contra o tráfego pode parecer uma boa idéia porque você pode ver os carros que estão passando por você, mas não é. Veja os motivos:

1.      Carros que saem de garagens, estacionamentos e vão atravessar a rua (à sua frente e à esquerda) ou que vão entrar à direita na rua, não estão esperando o tráfego que vem contra a eles de forma errada. Eles não vão te ver, e vão direto contra você.

2.      Como diabos é que você vai fazer uma curva à direita?

3.      O carro vai te abalroar a uma velocidade relativa muito maior. Se você está indo 20 km/h e um carro te atinge por trás a 30 km/h a velocidade relativa que resultará no impacto é de 10km/h (30–20). Mas se você está do lado errado da estrada e um carro se aproxima na mesma velocidade, o resultado de forças será de 50 km/h (20+30), que é cinco vezes mais rápido! Uma vez que vocês se aproximam mais rápidos, você e muito menos o motorista tem tempo para reagir. E se ocorrer uma colisão, ela vai ser dez vezes pior.

4.      Pedalar pelo caminho errado é ilegal.


Um estudo mostrou que andar na direção errada é três vezes mais perigoso que pedalar no caminho certo, e para crianças, o risco é sete vezes maior.

Quase um quarto das colisões envolve ciclistas andando na direção errada. Alguns leitores têm contestado esta situação, dizendo que 25% das colisões são de ir na direção errada, então pedalar no caminho certo é mais perigosa porque representa 75% das ocorrências. Esse pensamento está errado. Primeiro, apenas 8% dos ciclistas pedalam no sentido errado, mas quase 25% deles sofrem acidentes – o que significa que ciclistas no sentido contrário tem três vezes mais chances de serem atingidos do que os que pedalam no sentido certo. Em segundo lugar, o problema em pedalar no sentido contrário promove colisões, enquanto no sentido certo não. Por exemplo, 17% dos ciclistas que furam sinal vermelho colidem por causa desse ato (fonte). Mas não podemos concluir que não furar sinal vermelho ou placa de pare causa as outras 83% das colisões.


5:      Luz vermelha da Morte

Farol vermelhoVocê para a direita de um carro esperando o farol abrir. Ele provavelmente não te viu chegar. Quando a luz fica verde, vocês dois avançam e ele vai virar a direita. Exatamente sobre você. Mesmo carros pequenos são perigosos, agora o perigo maior está com caminhões, ônibus e carretas. Veículos desse porte com certeza não vão te ver ali parado. Em Austin um ciclista foi morto em 94 quando parou ao lado de um carro com reboque. Com a virada a direita ele foi engolido pelas rodas.

Como evitar esta colisão:

Não pare no ponto cego. Basta ficar um pouco para trás do carro em vez de se enfiar na direita dele, veja o diagrama. Esta atitude lhe faz visível para todo o tráfego em todos os lados. É impossível que o carro logo atrás de você não lhe veja.

Outra opção é parar no ponto A ou B demonstrado no diagrama. No A o primeiro motorista irá te ver e no B o segundo. O que não vale é parar ao lado do segundo carro no ponto cego. Você pode escapar do primeiro, mas o segundo oferecerá a mesma ameaça.

Estando no ponto A, quando o farol abrir arranque. Não fique olhando para o motorista para ver se ele vai virar ou não. Você já esta no caminho dele, o melhor a fazer é ir à frente e liberar o caminho. Não tem porque você assumir o ponto A se você não tem intenção de cruzar a rua assim que o farol abrir. Só tome cuidado com algum espertinho furando o sinal vermelho na perpendicular.Farol vermelho

Se você escolher o ponto B, assim que o farol virar verde, não passe o carro a sua frente. Fique atrás dele. Isto porque, mesmo que ele não esteja dando sinal de virar, ele poder virar a qualquer momento. Mesmo que ele cruze a rua, ele pode virar a direita em uma garagem no meio do quarteirão a frente. Sempre assuma que um carro possa virar a direita a qualquer momento. NUNCA passe um carro pela direita. Tente ficar a frente do carro que esta atrás de você durante o cruzamento. Assim ele tem que esperar você seguir, mesmo que queira virar a direita.

Não querendo propor infringir a lei, mas passar no farol vermelho pode ser mais seguro do que esperar para sair com os carros ao seu lado e correr o risco de algum virar a direita. A moral aqui é não que você deva quebrar a lei, mas que você pode ganhar um machucado seguindo-a a risca.

E só lembrando, muito cuidado em passar carros parados no farol pela direita em busca do seu ponto certo. Caronas podem aproveitar o farol para pular fora do carro e te apresentar uma porta como parada inesperada.


6:      Carros virando a direita

Virada a direitaUm carro passa por você e tenta virar a direita fechando seu caminho. Eles pensam que você não anda rápido porque esta sobre uma bicicleta e acham que vai dar tempo de passar e virar a direita. Claro que aí tem um pouco de egoísmo de não querer diminuir a velocidade do carro e esperar. Claro que os motoristas não vão achar que estão fazendo nada de errado. Mesmo que você freie, dificilmente conseguirá evitar um choque. Este é um tipo de colisão quase impossível de evitar, dependendo da sua velocidade, você não terá tempo para nada.

Como evitar esta colisão:

1.      Não pedale na calçada.

Quando você pedala sobre as calçadas, você esta invisível para os motoristas. É o começo de um choque se você fizer isso. Keith Vick morreu dessa maneira em Austin em dezembro de 2002.

2.      Pedale mais à esquerda.

Ocupando toda a faixa fica mais difícil para que um carro passe por você e te feche. Não se sinta mal por estar ocupando toda uma faixa, se os motoristas se preocupassem mais com os ciclistas, provavelmente os pedaleiros não precisassem usar desse artifício. Mesmo que não exista espaço para os carros te passarem, tome o seu espaço, é seu direito. Discutiremos posicionamento na rua mais a fundo logo abaixo.

3.      Dê uma olhada pelo seu retrovisor ao se aproximar de um cruzamento.

Se você não tem um espelho, seja de guidom ou de capacete, arrume um. Esteja seguro de olhar bem pelo retrovisor antes de atravessar um cruzamento. Ao cruzar uma rua, você deve se preocupar mais com o que vem atrás do que com o que está pela frente.


7: Carro virando a direita, parte 2

Fechada sobre ciclistaVocê esta passando um carro lento que parece perdido pela direita. Ou até mesmo outra bicicleta. Sem mais nem menos, ele vira a direita para entrar provavelmente em uma garagem ou estacionamento. Pronto, você já esta no chão olhando os ralados, se for só isso.

Como evitar esta colisão:

1.      Não passe pela direita.

É simples assim de evitar este choque. Simplesmente não ultrapasse qualquer veículo pela direita. Se um carro a sua frente esta lento, então você deve diminuir a velocidade também. Ele eventualmente pode voltar a acelerar. Se não, passe pela esquerda depois de diminuir e olhar se tudo esta seguro para que você faça a sua manobra.

Quando for passar um outro ciclista pela esquerda, avise “to passando pela esquerda” antes de avançar. Assim ele não se move repentinamente ao perceber o barulho que você vai fazer ao passar. Caso ele esteja muito a esquerda que inviabilizaria sua passagem com segurança pela esquerda, anuncie que pretende passar pela direita e avance devagar depois de ter percebido de que o ciclista à frente esta consciente do que você vai fazer.

Passar carros parados em um congestionamento pode ser perigoso. Se for fazê-lo, o faça com muito cuidado. Carros em congestionamento podem voltar a andar a qualquer momento e podem te colocar em risco como o que aconteceu no chamado Luz Vermelha da Morte.

Se você estiver pedalando atrás de um carro lento, primeiro procure estar fora do ponto cego do motorista. Segundo dê espaço para caso ele resolva virar para um lado ou outro. Se você estiver colado, pode parar com sua cara na traseira caso ele resolva virar, o que vai fazê-lo diminuir mais ainda a velocidade.

2.      Olhe sempre para trás antes de virar a direita.

Evite você também de ser atingido por um ciclista que tente te passar pela direita violando a dica 1 acima. Dê uma olhadinha para trás para ter certeza de que tem espaço para virar. Aproveite essa olhadinha para checar se pela calçada num tem algum pedestre pronto para atravessar a rua a sua frente. Lembre-se de que mesmo que você esteja correto, um choque vai doer em você o mesmo que em outro ciclista que tente ser o espertinho passando por você pela direita.


8: Carros virando a esquerda

Carro contraCarro vindo em direção contrária faz uma conversão à esquerda vindo direto para cima de você que está cruzando a rua.

Como evitar esta colisão:

1.      Não pedale pela calçada.

Vindo pela calçada você não é visto pelo motorista que está virando. Lembre-se que o pedestre tem uma velocidade muito menor que a sua e que geralmente para no meio fio antes de atravessar. É isto que o motorista espera não uma bicicleta surgindo do nada.

2.      Use uma luz de cabeça.

Se você estiver pedalando a noite, é imprescindível que você esteja usando iluminação de segurança na frente também.

3.      Vista roupas claras, mesmo durante o dia.

Bicicletas são pequenas e não facilmente visíveis mesmo durante o dia. Roupas cor laranja ou amarela e fitas refletivas realmente fazem a diferença.

4.      Não passe pela direita.

Se perto do cruzamento tem um veículo reduzindo a velocidade, pode ser que ele esteja dando passagem para o outro que vem da esquerda. Você passando pela direita ira ser uma grande e desastrosa surpresa para o motorista virando a esquerda.

5.      Diminua a velocidade.

Se você não conseguir fazer contato visual com o motorista que vem no sentido contrário, diminua. Pode ser inconveniente, mas não cruze uma rua com outra vindo no outro sentido se você não tiver a certeza de que ele o tenha visto. Não confie em que a ausência de seta piscando quer dizer que ele vá reto.

 

 

9: Carro por trás

Zigzag na ruaVocê está pedalando e inocentemente se move um pouco à esquerda para desviar de um animal ou algum objeto a sua frente. Logo atrás de você vem um carro mais rápido e te atinge.

Como evitar este choque:

1.      Nunca, nunca mesmo mova-se para a esquerda sem olhar para trás.

Alguns motoristas adoram passar a centímetros dos ciclistas, portando um leve balançar para a esquerda já é fatal. Pratique olhar para trás por cima do ombro. Se você virar a cabeça de maneira livre, certamente puxará a bike para a esquerda. Torça o pescoço levando o queixo em direção ao ombro, como um alongamento e olhe de rabo de olho. Assim você não sairá da linha reta. Para fazer isso tem que praticar.

2.      Não fique usando a faixa de estacionamento como pista e voltando a faixa de rolamento toda hora que tem um carro parado.

Você pode ficar tentado a usar a faixa de estacionamento pela tranqüilidade, mas cada vez que você tem que voltar para a faixa correta é um risco. A faixa de estacionamento é para estacionar.Usando faixa de estacionamento

3.      Use um retrovisor.

Se você ainda não tem um, está na hora de providenciar. Se não quer usar no guidom, pode optar por um modelo de capacete. Você precisa sempre ter a possibilidade de ver o que esta acontecendo atrás de você. Evitar que outros batam em você é sempre a melhor política. Não confie que quem esta atrás de você esteja te vendo e vá te respeitar.

 


10: Abalroamento por trás parte 2

se portando a frente de um carroUm carro simplesmente te atropela por trás. Esta é o maior temor de muitos ciclistas, mas não é muito comum, apenas 3,8% das colisões são dessa natureza. De qualquer forma, é um choque dos mais difíceis de precaver, pois você está sempre olhando para frente. O risco maior é à noite e em ruas movimentadas. Dos três ciclistas mortos em Austin em 96-97, todos estavam pedalando a noite e dois deles estavam sem luzes de alerta.

Como evitar este tipo de colisão:

1.      Tenha uma luz traseira.

Para pedalar a noite, você precisa absolutamente usar uma luz traseira piscando. Bruce Mackey afirma que 60% das colisões traseiras na região da Florida foram com ciclistas sem luz de alerta. Em 1999, 39% das mortes de ciclistas ocorreram entre seis da tarde e meia noite.

2.      Use roupas ou faixas refletivas em forma de colete.

Material refletivo de boa qualidade te faz ser muito mais visível à noite. Este tipo de colete custa muito pouco pelo bem que pode fazer a sua saúde. E escutando um carro vindo atrás, fique o mais vertical possível para aumentar o efeito do refletivo.

3.      Escolha ruas largas.

Quanto mais larga for à rua, mais fácil um carro pode escapar de você.

4.      Escolha ruas lentas.

Quanto mais lento o tráfego estiver, mais tempo todos tem de evitar um choque. Procure rotas pelos bairros e evite avenidas movimentadas.

5.      Nos finais de semana redobre a atenção.

O risco de trafegar nas noites de sexta e sábado é muito maior devido aos motoristas alcoolizados passeando pelas ruas. Nesses dias você deve realmente evitar ruas agitadas pelos baladeiros de plantão.Apareça com refletivos

6.      Arranje um espelho.

Repetir esse conselho parece bobagem, mas nunca é demais. Arranje um espelho, custa muito menos do que você imagina.

7.      Não grude no meio fio.

Dê mais espaço para que você possa fugir caso perceba um veiculo que vai passar perto demais.

 

Este texto pertence ao Bycicle Safe e é de autoria de Michael Bluejay. (o qual tem meus agradecimentos e pensamentos positivos diariamente:)

 

Como foi bom pedalar

21 out

Esse relato foi escrito pela minha mãe, a Marisa, que mora em Uberaba, lá em Minas Gerais, onde nasci. Ela me mandou por e-mail, depois de me ligar toda feliz, com uma novidade especial. Agora ela é uma Pedalina também. 🙂

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Como foi bom pedalar

Chegamos ontem à tarde. Teria sido apenas mais uma viagem de férias, comum, mas para mim teve um sabor especial: realizei inesperadamente um velho sonho: consegui pedalar uma bicicleta sozinha! Bem, pra quem não me conhece pode parecer uma grande bobagem, mas é preciso que se saiba que tenho uma limitação física no quadril desde a infância. Essa deficiência se agravou com o tempo, de modo que ultimamente não consigo caminhar por grandes distâncias (mais que um quarteirão…), o que levou meu marido a adquirir um triciclo com banquinho para passageiro… E neste triciclo, que acabou se revelando uma excelente compra, pude aproveitar melhor nossos passeios pela praia. Mas sempre na carona. Dessa vez, após presenciar tentativas hilárias de nossos amigos tentando conduzir nossa “Zafira”, e percebendo que seria praticamente impossível cair dela, arrisquei! Primeiro com meio pedal, depois percebi que conseguia pedaladas completas, ainda que com a velocidade de uma tartaruga… Para mim foi uma grande vitória! Foi muito bom! E pude perceber, então, a sensação de liberdade que com certeza os ciclistas sentem… De frente pro mar, na areia, contra o vento… E a paixão que minha pedalinazinha possui não é sem fundamento. Filha, pedale por nós duas! Por aqui continuarei tentando, devagarzinho…

por Marisa Callegari

Pedalando a Zafira

Dessa vez, o banco do carona ficou vazio

De Bike na Paulista

6 out

Choveu na sexta. Choveu no sábado de manhã. O convite dizia que mesmo com chuva o encontro de Outubro das Pedalinas aconteceria, às 14h:30.
Apesar de não ter bicicleta (quer dizer, eu tenho uma, só que o pneu está furado) não dava para eu levá-la no trem. Mas isso é o que eu pensava até então.

 

Pedalinas na Paulista

 

Depois de 1h e pouquinho de viagem cheguei à Praça do Ciclista, que fica na travessa da Paulista com a Consolação. Cheguei cedo até.
De longe vi uns carros de uma emissora de TV, câmeras e maquiadores. Pensei que era algo com as Pedalinas, mas não era. Todo esse “âue” era para uma gravação de uma novela.
Cheguei e a primeira que encontrei foi a Sílvia.
Conversamos um pouco, perguntei se vinham mais meninas e ela disse que sim. Contou um pouco de sua relação com a bike e há quanto tempo estava pedalando.
Logo foi chegando mais e mais gente. Cada uma com seu estilo e suas bikes personalizadas. Cestinha, flores, capacete rosa, adesivos como “1 carro a menos” e assim por diante.
Aquela reunião foi me deixando com mais vontade de participar. Mas o problema era a falta de uma bike. Até que a Aline resolveu meu problema.
Sacou o cartão de crédito e alugou uma magrela pra mim. Confesso que fiquei com medo.
Mogi é uma cidade tranqüila. Em São Paulo eu só ando de ônibus ou metrô. Nunca me passou pela cabeça andar de bike em plena Av. Paulista um dia. Mas a vida é assim mesmo.
Coloquei o capacete, a mochila nas costas comprei uma garrafinha de água e segui o comboio que saiu lá pelas 15h  da praça.


A primeira pedalada dá uma sensação de liberdade. Pode parecer piegas isso, mas é verdade. O vento batendo no rosto, as pernas em sintonia com a bicicleta, me senti feliz naquele momento. Tão simples, mas tão simbólico.
As pessoas nas calçadas, nos pontos de ônibus ou até mesmo de dentro dos carros estranham. É curioso perceber a expressão deles. Alguns olham com cara feia, outros dão um leve sorriso de aprovação.
Os taxistas _não todos_ são um pouco grosseiros. Não só eles, mas os que estão dirigindo qualquer veículo que tenha quatro rodas ou mais. Parece que a rua foi feita só para carros. A grande maioria, enxerga os ciclistas com um estorvo no trânsito. Senti na pele.
Uma coisa interessante…
Pude reparar com mais calma as paisagens ao meu redor. Tudo bem, que no começo a insegurança de ser atropelada a qualquer momento me deixou um pouco apreensiva,  ainda assim, me deparei com situações que no cotidiano passam despercebidas.
Achei o percurso super simples. Eu que não faço exercício físico agüentei numa boa. Ok, ok. A subida da Al. Campinas me fez saltar da bike e sair empurrando. Mas não fui só eu… Outras pedalinas me acompanharam. E quando chegamos ao ”topo” lá estavam todas esperando a gente.
Nunca tinha ido até o Pq. Ibirapuera. Achei demais andar de bike lá dentro.
Quando mandei um e-mail solicitando uma reportagem às pedalinas, escrevi que gostaria de entender o espírito do grupo. E me surpreendi. Há uma camaradagem presente. Apesar de muitas irem ao pedal pela 1º vez, parece que se conhecem há tempos. Existe uma sintonia muito boa.

 

Mãos na Graxa!

 

Foi fácil comprovar isso quando o pneu da Celina furou. Uma emprestou as ferramentas, a outra se propôs a ajudar e num minuto a bike estava pronta novamente. Pedalinas com a mão na graxa, literalmente.
No Parque, instalamos as magrelas próxima a uma lanchonete, juntamos umas mesas e começamos a conversar. Ouvi atentamente. Cada uma possui uma história bacana pra contar. Isso acaba motivando de certa maneira.
Não existe aquele discurso moralista. Ande como achar melhor. Não há regras nem fórmulas. O começo pode ser complicado, mas tudo se ajeita.
Já de noite e, sem previsão de chuva, voltamos à praça.  O retorno foi tranqüilo, tirando o morro (rs).
Entregamos a bike e eu parti pra Mogi. Antes peguei o metrô com uma pedalina e o amigo dela. Os dois de bike. Gostei da cena! Aí sim, hein!

 

Próxima estação...

 

* O passeio me instigou a trocar o pneu da minha bike. Quem sabe!

Pedalar é…

8 set

O Willian Cruz do Vá de Bike  reuniu algumas frases de ciclistas expressando o que o ato de pedalar pode representar.

Percebi como estas experiências diversas, apesar de resumidas, podem ser inspiradoras e por isso repito aqui a ideia, convidando as pessoas que acompanham o blog a completar a frase:

Pedalar é…

A dica é deixar fluir o que vier à sua cabeça na hora e ir escrevendo:

Pedalar é ir pela descida se estiver calor, ou escolher uma subida pra esquentar quando faz frio.

É estar com sede, ver uma barraca de água de coco e não ter dúvida se dá pra parar.

É avistar uma família imensa de capivaras às margens do Tietê e parar pra observar e fotografar.

É chegar 10 minutos mais cedo quando “o trânsito” está parado.

É poder dispensar o aquecimento antes da aula de capoeira.

É encontrar um ciclista antes da travessia da ponte e atravessa-la batendo papo.

É dar informação sobre trajetos para os motoristas.

É buscar gasolina para uma motorista parada na Castelo Branco e por isso ser chamada pra fazer entrevista de emprego na concessionária da rodovia.

É torcer para o assunto “trânsito” parar na empresa pra você ter assunto pra conversar.

É mostrar que não precisa ser atleta pra pedalar alguns quilômetros.

É ter mais noção de distâncias e perceber que quase ninguém sabe a quilometragem de seus trajetos diários.

É parar no posto só pra calibrar os pneus. (e sempre explicar que não, o pneu não vai estourar!)

É sempre conhecer um caminho alternativo àquela avenida barulhenta e poluída.

É ouvir “aí sim!” TODO DIA e depois dar risada sozinha…

É fazer trim-trim pras crianças que te olham admiradas em cima da bicicleta.

 

E se pra você pedalar ainda não é, inspire-se aqui sobre o que pedalar pode ser e experimente!

quem pedala, vê

22 ago

uma das coisas mais legais de pedalar pela cidade, é perceber coisas que antes passavam despercebidas.

é olhar para a cidade e se relacionar com ela de uma forma muito mais delicada, intensa e íntima.

já passei embaixo dessa ponte (barra funda) várias vezes de ônibus ou carro… só agora, quando passei por lá com a minha magrela, que fui reparar a “casa” dessas pessoas. Me comoveram os quadros na parede, as coisinhas arrumadas, o cachorro preso para não fugir, o cuidado com o que pra eles é realmente “casa”…

quer ver e conhecer a cidade? váaaaa… peladar!

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