O Mito da Super-Ciclista

11 dez

[Texto da nossa querida Esther Sá]

Já contei um monte aqui sobre como foi aprender a andar de bike depois de adulta. Desde maio, ganhei uma cidade nova. Aprendi a respirar melhor, a ter mais força psicológica e física, criei coragem e, me tornei, de certa forma, Super. Assim como as mulheres que eu admiro. Notei que dizer para as pessoas do dia a dia que “eu pedalo para vir pra cá”, costuma gerar respostas que dão desde “Que Coragem!” até “Eu até queria, mas sou sedentárix/não tenho habilidade”…

Bem, que habilidade uma pessoa com apenas seis meses de prática, e NENHUMA experiência prévia na magrela haveria de ter?

Queridxs, eu mal sei subir e descer de guias de calçada. Às vezes (e não é raro) me canso em algumas ladeiras. Não sei fazer nenhuma manobra. Não me arrisco muito em corredores. Também sou horrível com mapas, e me perco com bastante facilidade. Hoje mesmo tropecei loucamente subindo a Avenida Rebouças, e, aos risos, me reequilibrei
para largar no farol verde.

Mesmo assim, pedalo ida e volta, para todos os lugares que vou. Mesmo grandes avenidas – no caso de eu não conhecer uma rota alternativa mais adequada – não mais me intimidam. Como? Bom, eu basicamente, não tenho vergonha. Cansei? Desloco-me para a calçada, e empurro a bici até recuperar o fôlego.

Me senti insegura com algum obstáculo? Sem pressa. Desvio, ou desmonto e empurro, sem crise. Pra mim que não vivenciei a bike desde pequena, os movimentos não são tão naturais, e, se não me sinto confortável, sem o menor pudor, simplesmente não me forço. É assim que quase 20 km diários se tornaram um prazer, entre ladeiras sofridas que, dia sim, dia não, são até divertidas e banais.

Então, é óbvio, admiro imensamente minhas companheiras de pedal, com suas manobras, track-stands, sprints e pernas de aço. Espero chegar ao nível delas algum dia! Contudo, do alto de minha franguísse, garanto de peito cheio: você também pode.

Não há topografia, fluxo de tráfego, maquiagem que derreta ou vestido que amasse que valha a pena nos desestimular verdadeiramente. Pedale com alguém. Solicite um bike- anjo. Converse com as meninas daqui!

O que eu ganhei em qualidade de vida nestes seis meses, não se deve a nenhum ímpeto super-heróico. É uma decisão consciente, que faz bem para mim, para a cidade e para o meio ambiente. Isso independe da capacidade do pulmão ou da habilidade com o guidão. Pedalar, meu bem, a gente faz com o coração.

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12 Respostas to “O Mito da Super-Ciclista”

  1. Camila Oliveira 11/12/2011 às 3:17 PM #

    Que depoimento lindo! As pessoas nos olham como se fossemos diferentes e mais fortes mas para inserir a bicicleta no dia a dia basta querer e fazer isso no seu ritmo. E estamos aqui pra ajudar no que for preciso;)

  2. Fabricio Semmler 11/12/2011 às 10:23 PM #

    Parabéns, saibam que vocês são um fantástico exemplo.

  3. edson ferro 12/12/2011 às 12:11 AM #

    muito legal.
    Ainda espero alguém para me ajudar a aprender a andar aqui na zona sul do rio.
    Alguma dica?
    obrigado
    edson

  4. Michele Vieira 13/12/2011 às 3:22 PM #

    Edson, o bike anjo é muito legal! Ontem me encontrei pela primeira vez com o meu anjo. Já andava dando umas pedaladas timidas por SP, mas tenho um pouco de medo do horário de pico. O Bruno me deu várias dicas, fizemos um trajeto super legal, pedalamos mais de 2 horas por vários lugares, av. movimentadas ou nem tanto, morro e plano. E de lambuja ele ainda me ajudou a reparar os freios da bike que estavam muito apertados. São uns anjos mesmo! E pedalinas do meu coração, parabéns pelo site e os artigos. Vocês são demais! Abraço para todas.

    • 13/12/2011 às 5:42 PM #

      Muito bom o relato! Minha experiência é parecidíssima com a sua! Também aprendi esse ano em maio! E só o que eu posso dizer é que a sensação de liberdade ao andar de bicicleta e pedalar com as próprias pernas é inigualável.

  5. Ka 14/12/2011 às 10:39 AM #

    Muito bom!

  6. Maria 15/12/2011 às 2:32 PM #

    Lindo! Muito importante lembrar disso: “Pedalar a gente faz com o coração!” As pessoas consideram tudo, menos isso e essa força do coração, na verdade, é a verdadeira base que nos posssibilita vencer as nossas dificuldades!

    Legal mesmo! Parabéns pelo texto… =-)

  7. Naldinho 19/01/2012 às 12:09 PM #

    Parabéns pelo relato.
    O lance é esse mesmo. Cansou? Manda o Jaiminho style, só para evitar ar a fadiga e recuperar as forças. Depois sobe no camelinho de novo e vambora.
    Aliás, essa é uma das vantagens da bicicleta, ter uma intermodalidade fácil (entre pedestre e ciclista). Se quiser encurtar um caminho e não pegar contramão, basta descer e empurrar pela calçada.
    Abraço

  8. Argelia Martínez 09/02/2012 às 3:22 PM #

    Inspirador 🙂 vejo vocês o 26/02!

  9. redecolabora 06/03/2012 às 12:09 AM #

    Esther, faço das suas as minhas palavras. Também acabei de aprender a pedalar – tem apenas 5 meses – mais ainda não criei coragem suficiente para me deslocar sozinha.

  10. Bruno 11/07/2012 às 1:43 PM #

    Oi,

    Gostaria de saber como foi no começo pra você, iniciar a pedalar?
    Eu pedalo bem já, tenho alguma experiencia, sou speedeiro! Mas minha namorada ta começando a pedalar comigo, fazemos alguns treininhos nos findis! Só que tenho medo de ta forçando ela demais! Não sei bem a diferença entre nós as vezes me esqueço de que ela esta começando!

    Eu tinha uma MTB XC, uma bike bem leve e um modelo bem feminino (digamos assim). Quadro pequeno e tal, daí estou modificando pra ela! E eu de speed!

    Tens alguma dica para me dar?

    Obrigado,

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