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Vídeo

Série de vídeos sobre assédio nas ruas

6 maio

Aline Cavalcante, Drielle Alarcon e Verônica Mambrini participaram de uma série de vídeos com a Renata Falzoni, do www.bikeelegal.com, em que comentam sobre o assédio sofrido nas ruas pelas mulheres que andam de bike, principalmente. Quais são os obstáculos, como as abordagens agressivas e o preconceito sofrido.

 

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A Rua é de Todxs! Caminhada, Pedal e Piquenique – 25/03

20 mar

Andar na rua sem ninguém te atormentar deveria ser um direito de todo mundo. Mas não é. Algumas pessoas são assediadas. Por serem mulheres. Por serem transexuais. Por serem gays, lésbicas. Outras, correm risco de morrer ou ser atropeladas. Porque são ciclistas. Porque estão a pé, atravessando a faixa de pedestres.

Entendemos que isso não pode continuar. E nesse domingo, vamos nos encontrar para falar sobre isso, entre a gente e com as pessoas que encontrarmos no caminho. Um pedal e uma caminhada até o parque, aonde faremos um piquenique. E conversaremos. E trocaremos experiências. E nos afofaremos em virtude dos acontecimentos tristes do último mês – a perda de uma mulher e ciclista. Março é o mês da mulher, e um bom mês para lembrarmos que não queremos rosas, e sim, direitos. Como andar na rua. Sem ninguém encher o saco. Ou tentar nos matar.

A rua é de todxs. 😉

Imagem

p.s.: flyer lindo que a Gabi Kato fez.

p.s.s.: não esqueçam de levar comida para o piquenique!

p.s.s.s.: na Praça dx Ciclista, faremos cartazes e enfeitaremos as bikes com fitás lilás (a cor do feminismo). Mais ideias e iniciativas são muito bem-vindas. 🙂

Homens que nos respeitam, pessoas que admiramos e algumas reflexões

30 abr

Fiquei extremamente feliz ao ler um post no blog FelizCidade Feliz (confira aqui). Nele, o autor faz uma pequena, porém importantíssima, reflexão sobre os comentários que tem ouvido por causa de sua mulher pedalar. As pessoas o elogiam, como se ele fosse um super herói por ele não se opor à liberdade de sua companheira e ele aproveita para deixar claro que seu respeito e apoio a ela deveriam ser tidos como algo natural (assim como sempre foi para ele.)

Pensamentos assim como o do João Paulo felizmente existem e não são poucos.

Tenho percebido posicionamentos firmes de homens que respeitam a mulher em igualdade ou, ainda, que estão percebendo que não faziam isso e nem se davam conta, como no trecho que destaco abaixo extraído de uma mensagem de um homem durante uma discussão sobre a tal fragilidade feminina:

“(…)percebi que temos que ter cuidado quando escrevemos, muitas vezes começo a ler um assunto e minha opinião muda várias vezes(…) sou menos machista e menos preconceituoso do que era antes, mas para isso tem que ter sensibilidade para fazer uma auto analise.”

Sim, ele, está certo. Ninguém nasce machista, mas pode tornar-se um sem nem perceber. E se alguém se esforça um pouco para lhe mostrar que você pode estar equivocado em seu pensamento e se você ouve e reflete sobre isso, tem grandes chances de perceber o preconceito que existia e mudar. Mas para isso é preciso ter sensibilidade e mente aberta senão nem uma  enxurrada de argumentos será suficiente. E isso vale pra muita coisa na vida. De verdade.

As Pedalinas nasceram dentro do movimento bicicletada SP e entre diversas razões para se criar este espaço feminino, uma delas era a percepção da falta de mulheres nas bicicletadas. O coletivo, ao qual me juntei meses depois, completa 2 anos em maio. De lá pra cá muita coisa mudou. A cada bicicletada vejo mais e mais mulheres. E não são só as amigas das que eu já conhecia. Há mais mulheres que se sentem cada vez  mais à vontade para chegar sozinhas, conhecer o pessoal e interagir. 

Infelizmente ainda presencio alguns participantes da bicicletada que assediam mulheres que estão nos bares por onde  passamos por exemplo, mas imediatamente também vejo outros participantes conversando com os agressores e demonstrando que isso não é nada legal, muito menos natural.

Essas mudanças acontecem não porque existem as Pedalinas, mas porque existem pessoas como o rapaz das palavras citadas acima, que são capazes de refletir e mudar. Por causa de pessoas que não tem medo de assumir suas posições perante um grupo e de demonstrar com argumentos e respeito, que rotular a mulher como frágil e reduzi-la à sua aparência física pode (e é) ruim para a sociedade como um todo. 

Uma mulher pode fazer as mesmas coisas que um homem, de forma melhor ou pior, e isso não deveria ser motivo de alarde para ninguém, deveria ser natural. Essa crença da mulher frágil foi sendo alimentada ao longo de séculos e ainda se faz presente até nos pequenos detalhes cotidianos, mas não podemos deixar de mostrar o equívoco sempre que necessário. Basta olhar em volta para perceber mas às vezes é preciso demonstrar de forma mais clara que dentro de uma frase aparentemente inofensiva pode estar um preconceito enorme.

Querer proteger através do medo é aprisionar. É preciso mostrar que é possível, apoiar, ajudar e não aterrorizar.

Há homens que nos respeitam, há pessoas que admiramos, e há pessoas que podem ser um e outro também, mas é preciso sensibilidade. E sensibilidade não é atributo só de mulher. Muitos homens já sabem, que bom!

Assédio nas Ruas

28 set

Foi ao fazer um outro post que cheguei ao assunto e à sua possível ligação com a pequena proporção de mulheres que utilizam a bicicleta como meio de transporte. Me deparei com a hipótese nesse blog, e agora, após fazer uma pequena pesquisa e organizar os pensamentos, volto a desenvolver o tema.

Pois então, a que me refiro quando falo em “assédio”? A resposta é bem ampla, e vai desde estupro até os mais “inocentes” assovios bem conhecidos por qualquer mulher que transita nas ruas desta e outras grandes cidades. Mas minha intenção agora é focar nessa segunda maneira de assédio, que me preocupa justo por ser tão comum, ter relativa aceitação social e por sua falsa aparência inofensiva.

Tais assédios expõem a mulher publicamente, independente de sua vontade, e a coloca numa situação constrangedora, quando não humilhante. O espaço individual é violado ao momento em que ocorre uma interação forçada. Alem do que, declara que  a pessoa abordada é um objeto a ser utilizado pelo outro. Trata-se de um objeto sexual, e nada mais.

Seguindo essa linha de pensamento, não fica difícil entender porquê o assédio nas ruas pode ser um dos motivos pelos quais há menos mulheres do que homens pedalando. Como pode alguém se apropriar tranquilamente de um espaço no qual não se sente à vontade, onde há o risco de ser constrangida a quase qualquer momento? Sobre a bicicleta isso parece mais difícil ainda, já que ciclistas destacam-se visualmente. Alem, é claro, de chamar atenção pela  imagem “excêntrica”: a mulher pedalando se mostra forte e corajosa ao encarar certas avenidas movimentadas, atitude não muito esperada do tal “sexo frágil”. Parece papo de décadas atrás, mas, acreditem, esse valor ainda está vigorando fortemente hoje em dia.

A mulher sair de casa sozinha e ir trabalhar já não é novidade; entretanto, quando pisa a rua, comumente é tratada de maneira hostil, como não pertencente ao espaço público –  “se o faz, é por sua conta e risco”, como citado nesse artigo –  ainda relegada ao espaço privado, à proteção do lar ou mesmo do local de trabalho, mas não à rua.

A esfera privada – seja a casa ou o carro – oferece uma (questionável) sensação de privacidade e segurança que não se tem no ônibus, na calçada, nem sobre a bike. E isso tudo é somado à vigente carrocracia, opressora a qualquer ser não motorizado. É de se esperar que alguem queira alienar-se de um mundo que lhe parece hostil.

(acima, video da campanha Stop Street Harassment)

O medo tambem é um fator de peso nessa história toda. Dependendo da abordagem, algumas mulheres podem se sentir ameaçadas. A propósito, uma pesquisa mostra que é comum estupradores provocarem verbalmente uma vítima potencial para avaliar se ela reagiria a um ataque físico. Seria exagero dizer que um mero “ê, lá em casa” pode soar como uma ameaça para uma pessoa que a maior parte dos dias é publicamente afirmada como objeto sexual? Por mais clara que seja a não-intenção de que a ameaça seja efetivada, uma “brincadeira” dessas não é brincadeira.

Tá. Diante disso, o que fazer?

Podemos começar pela conversa com amigos homens. Muitas vezes pessoas queridas têm dificuldade em se colocar no lugar dos outros, não sabem o quanto algumas atitudes são violentas e prejudiciais. E cabe a nós ajudá-los a entender. Contar como se sente, mostrar que isso não é bacana…

Para o momento do assédio, há uma série de dicas aqui. Eu geralmente respondo, diferentemente da maioria das mulheres, que prefere apenas ignorar. Por um lado, entendo que essa é uma postura conivente com a violência; por outro, às vezes é melhor se preservar, e desenvolver um trabalho emocional para se deixar atingir o mínimo possível, já que não há como criar uma barreira absoluta que não seja sair da rua. Mas sair da rua não é uma possibilidade, nem um desejo, nem seria uma solução.

reação de algumas mulheres - "aqui pra voces, ó"

Não vou me inibir em ir para onde e como quero. Deixar de sentir os espaços, ver os detalhes, ter acesso à cidade sem precisar de motor nem dinheiro está fora de cogitação. Esconder não vai ajudar em nada, pelo contrário. Aliás,  sabe aquele papo de “não pedalar pelo canto da rua, e sim próximo ao centro da faixa”? Pois é, isso é se impor, é tomar o espaço que é seu! Essa postura é importantíssima para uma mulher que pedale ou mesmo caminhe pela cidade. É não se deixar inibir; é dizer, com o corpo, “Estou aqui e não vou me desviar tão fácil”. A rua é nossa!

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