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Ocupação de espaços públicos promove discussões sobre o rumo da nossa sociedade

18 out

Em maio a Espanha deu o ponta pé inicial e desde então a onda dos indignados não parou de crescer. Pessoas reprimidas do mundo inteiro decidiram levantar do sofá e ocupar as ruas e praças públicas com um pedido singelo por DE-MO-CRA-CI-A e transparência! Elas só querem dialogar, trocar experiências, construir à várias mãos cidades mais justas, uma política representativa, verdadeira, coerente.

Em São Paulo, milhares de pessoas se articularam, inclusive e não somente, no ambiente virtual, por meio do facebook etwitter e desde sábado, dia 15/10/2011, estão ocupando o Vale do Anhangabaú, enfrentando chuva, frio, ameaças, insegurança, sob a fuça da Prefeitura.

Foto: Aline Cavalcante

Nada mais simbólico, forte e sincero. Um local ermo, sombrio, ocupado por mendigos e excluídos sociais. Bem embaixo do prédio onde algumas poucas e selecionadas pessoas, em seus gabinetes fechados, tomam decisões que afetam diretamente a minha e a sua vida.

Nos juntamos aos fracos, para sentirmos que somos fortes, somos reais, somos cidadãos. Ocupamos sem atrapalhar a fluidez do deus-carro, então não há desculpas para retirar os manifestantes dali. É gente de todo tipo, jeito, raça, credo, orientação sexual. Índios se pintando e dançando maracatu contra a construção da usina de Belo Monte.

Por que políticas públicas feitas para 1% da sociedade não contemplam os outros 99%?! Será que só somos cidadãos a cada 4 anos quando vamos OBRIGADOS às urnas escolher quem NÃO irá nos representar???!

A ocupação tem um caráter bem simples: conversar com os outros! Entre conversas e devaneios, descobri, por exemplo, o estupro que a especulação imobiliária está fazendo com nossos espaços públicos. Percebi também como os políticos abrem as pernas para a indústria automobilística/petroleira por interesses obscuros. Quem paga o preço?

Nossas áreas verdes, rios e espaços coletivos estão virando pistas de carro, estacionamento, prédios luxuosos, shoppings. Famílias inteiras estão sendo isoladas e desabrigadas para dar lugar a obras ilusórias, eleitoreiras e super faturadas.

Isso não pode ser desenvolvimento. Isso não pode ser bom pra todo mundo.  Indigne-se você também!

As pessoas estão se juntando no mundo inteiro para trocar idéias, conversar, refletir, compartilhar experiências, angústias, desgostos, problemas e soluções.

A construção de algo coletivo PRECISA partir de algo também coletivo, não tem jeito, não tem fórmula secreta! E mesmo tendo certeza que não vai ser fácil, estamos conscientes de que é fundamental também sair do computador e fazer alguma coisa olho no olho.

Devemos ocupar, resistir, produzir decisões e encaminhamentos democráticos, onde acolaboração esmague a competição e a socialização destrua a capitalização. Participe você também! Se envolva! Tome de novo a cidade para você, ela é SUA, ela é NOSSA!

Vá até o Vale do Anhangabaú, participe do movimento mundial. Veja quais as necessidades dos acampados e ajude: http://15osp.org/necessidades/

Leia também: É hora de engrossar o discurso em duas rodas

Ciclistas estão se mobilizando para acampar na Praça d@ Ciclista (Av Paulista x Consolação), essa sexta-feira, dia 21/10!

De bicicleta pela Av Paulista

30 ago

Depois do Shopping Vila Olímpia ter inaugurado em 2009 sem bicicletário e centenas de ciclistas invadirem o centro comercial em protesto,  dessa vez fui atrás dos “equipamentos culturais” da Av Paulista. A idéia não era denunciar, apenas, mas sim entender qual a postura dos lugares diante de um ciclista e conhecer um pouco sobre as diferenças de estruturas de paraciclos.

Vale a leitura tb desse post das Pedalinas: Conversas sobre bicicletários

João Lacerda e Aline = a dupla do ciclismo investigativo de SP hahahaha! Se preparem. Mais coisas estão vindo por ai….

Vistoria nos Bicicletários da avenida Paulista from João Lacerda on Vimeo.

Um grande vilão, literalmente

5 maio

Ônibus é grande, pesado e pode fazer um estrago FEIO se conduzido por um irresponsável, inconsequente. Infelizmente a profissão não é valorizada, os motoristas trabalham muitas horas enfrentando essa insanidade que é o trânsito de São Paulo, tem tempo rigorisíssimo para cumprir nas empresas e respondem (muitas vezes financeiramente) quando atrasam ou demoram pra cumprir o itinerário. Qual a consequencia dessa lógica ESTÚPIDA? Toda pressão injusta sobre esses trabalhadores provoca um efeito dominó ASSASSINO sobre todo mundo que circula nas vias, pois somos obrigados a encarar a fúria, a raiva, a impaciência, a revolta desses motoristas que conduzem TONELADAS DE METAL.

E quem mais sofre com isso??? Duas categorias solitárias e sofridas que, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, DEVERIAM TER PRIORIDADE nas ruas e nas políticas públicas: PEDESTRES E CICLISTAS.

Sentimos o descaso na pele diariamente, somos marginalizados, fracassados, esquecidos por não ter um carro e não alimentar uma indústria que MATA MAIS QUE UMA GUERRA TODOS OS ANOS.

Uma prova audiovisual bizarra dessa constatação é o vídeo que a Laura Sobenes gravou essa semana enquanto voltava pra casa. É revoltante ver e ouvir a covardia com que esse motorista trata a ciclista. Veja (se tiver estômago):

Discussão com motorista de ônibus na Av. Paulista from Laura Sobenes on Vimeo.

A Viação Santa Brígida tem um currículo nada amigável. Mas por ironia do destino seu slogan é “Gente Transportando Gente”.

Recentemente a ciclista Ana Paula passou pela MESMA situação que a Laura, só que na Av Faria Lima. O que eles querem com tudo isso??? 

SUA PRESSA VALE UMA VIDA???? A VIDA DAS PESSOAS É COMPARÁVEL A UM B.O????????

Meu Deus!!!! Onde estamos chegando!!! A vida das pessoas resumidas a NA-DA!!! A impunidade reinando junto com a sociedade do automóvel e ninguém se dá conta que a culpa É DESSA CULTURA MEDÍOCRE DE ALIENAÇÃO E INDIVIDUALIZAÇÃO DAS PESSOAS! 

Estamos matando nossas crianças, jovens, adultos e idosos. Estamos matando nossa população, nossa comunidade. A troco de quê??? De chegar 5 minutos mais cedo em casa e conseguir deitar a cabeça no travesseiro sem culpa, dar um beijo no seu filho (a) sem lembrar que amanhã pode ser ele(a) que estava pedalando por ai.

Afinal o que é uma vida pra quem pode apenas assinar um boletim de ocorrência, né???

MENINAS E MENINOS! DENUNCIEM!!!!! Não podemos deixar barato tentativas de homicídio descaradas e obscenas desse jeito. Caso aconteça algo parecido, anote a placa, a empresa e a linha. Entre em contato com a empresa (i)responsável e com a prefeitura da sua cidade. VAMOS NOS FAZER VISÌVEIS! NÓS EXISTIMOS E QUEREMOS RESPEITO!!!

A Revista Época publicou no seu site uma matéria simples e direta sobre o caso. O mais bizarro é ler nos comentários argumentação de pessoas que não entenderam que ciclistas TÊM O DIREITO de trafegar nas vias. Carros e ônibus TÊM O DEVER de respeitar e dar prioridade, vcs querendo ou não, pois o que está em jogo não é a vontade particular de ninguém, é o exercício de cidadania PREVISTO E REGULAMENTADO NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA.

Laura, parabéns pela coragem, pela atitude! Estamos aguardando ansiosamente pelo desfecho disso tudo. Conte comigo e com as Pedalinas pro que precisar!

Das massas críticas

22 mar

Veja as belíssimas fotos da Massa Crítica de Buenos Aires que também pedalou em apoio aos ciclistas atropelados pelo bancário Ricardo Neis, dia 25/02, em Porto Alegre.  (para abrir o link é necessário ter conta no facebook)

O atropelador foi denunciado e vai responder por 17 tentativas de homicídio triplamente qualificadas. “Conforme Callegari (promotora do MP), os crimes foram praticados por motivo fútil, tendo em vista que o denunciado queria imprimir velocidade em seu veículo, encontrando o grupo de ciclistas pelo caminho, demonstrando extremo egoísmo e individualismo”, diz a matéria.

Essa sexta-feira, dia 25/03, completamos 1 mês da tragédia e a Massa Crítica de Porto Alegre vai ocupar as ruas como fazem todas as últimas sextas de cada mês. Ciclistas das massas críticas de São Paulo e Curitiba também vão compor o coro e gritar junto com os gaúchos por mais amor e menos motor!

Inclusive algumas integrantes das Pedalinas se encontrarão com o coletivo de meninas de Porto Alegre, as Cíclicas, para um bate-papo, troca de experiências e muito pedal.

Bicicletada

Em São Paulo, a Bicicletada acontecerá dia 25/03 a partir das 18h na praça d@ciclista e promete uma pizza ao ciclista mais original. Veja o convite:

PARTICIPE

PEDALE

DEMONSTRE QUE VOCÊ NÃO COMPACTUA COM UMA CIDADE PENSADA APENAS PARA QUEM TEM CARRO! DEVOLVAM AS RUAS PARA AS PESSOAS!!!!

“Pedalar é uma forma de vir relaxando”

15 jan

     Matéria do Último Segundo-IG sobre a ansiedade dos estudantes que prestariam a segunda prova da Fuvest no dia 09/01/2011 e um belo exemplo de como se beneficiar do deslocamento de bicicleta num momento tão importante:

Pedalando até a porta
No mesmo prédio, Nina Anderson, de 18 anos, chegou para prestar a prova de bicicleta. Moradora do bairro da USP, o Butantã, ela disse que pedalar a deixa relaxada.

 

“Não tenho carteira de motorista e nem vontade de dirigir, acredito que pedalar é uma forma de vir relaxando.”

Foto: Amana Salles/Fotoarena

Nina Anderson, 18 anos, garante a pontualidade indo de bicicleta para a prova da segunda etapa da Fuvest 2011

 

 Garota de atitude! Inspire-se!

Contagem de ciclistas

15 out

A Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo – Ciclocidade – tem feito um trabalho muito bacana na direção de legitimar o uso da bicicleta como meio de transporte e tornar cada vez mais possível a convivência pacífica no trânsito.

Mas dois levantamentos em especial tiveram uma importância histórica para embasar discussões ligadas à mobilidade urbana e ao uso crescente deste veículo na cidade. Foram as contagens de ciclistas realizadas nas avenidas Eliseu de Almeida (dia 13 de agosto) e Paulista (17 de setembro).

“A contagem de ciclistas em ruas e avenidas de São Paulo, realizada sistematicamente pela Ciclocidade, é uma forma simples de comprovar que uma quantidade considerável – e sempre crescente – de moradores da cidade vêm utilizando a bicicleta como meio de transporte em seu dia-a-dia. Este uso supera a barreira construída pelo fato de este veículo ainda não ter sido notoriamente reconhecido pelos órgãos públicos na sinalização viária permanente.”

Os relatórios estão disponíveis para download aqui e aqui.

Entre os parâmetro analisados estavam, sexo, idade, mão/contramão, capacete, mochila, roupa, etc. Características que traçam um perfil aproximado do público que freqüenta determinada região e quais suas preferências/particularidades.

Questão de gênero

Observem a gritante diferença entre a quantidade de homens e mulheres pedalando:

  Eliseu Av Paulista
Total 561 733
Homens 447 (98%) 649 (96%)
Mulheres 9 (2%) 27 (4%)



O que se pode concluir com esses números (especificamente relacionados ao gênero)??

O trânsito ainda é um ambiente masculino, onde os homens se sentem menos intimidados  a enfrentar os dificuldades e hostilidades. A bicicleta expõe o ciclista, ele fica vulnerável e fragilizado. Para a mulher sair da bolha (seja o carro, a casa, o quarto, o escritório, a proteção do marido) exige um pouco mais de iniciativa e força de vontade, já que as dificuldades que enfrentamos são particulares ao sexo feminino. Esta é, inclusive, uma das justificativas para a existência desse grupo. Quebrar barreiras, paradigmas.

Se somos poucas ocupando nossos espaços nas ruas, somos mais que antes e menos que amanhã. O processo é lento e gradual, mas constante. A conquista da liberdade e autonomia da mulher deu a ela espaço e coragem.

Ao mesmo tempo que é triste ver um número tão ínfimo nessas contagens, por outro lado é muito bom saber que estamos aumentando. Até o momento em que sejamos várias, espelhando outras, encorajando pessoas e contribuindo (à nossa maneira) por uma cidade mais humana, justa e tranquila.

A revolução virá de bicicleta!!! Enquanto isso, seguimos pedalando…

Cicloativistas na TV

1 set

Ontem na TV Cultura Andre Pasqualini, Renata Falzoni, Thiago Benicchio e eu, participamos do programa Login, para falar sobre cicloativismo e o uso da bicicleta como meio de transporte!

Foi um batepapo super legal e expliquei um pouco do nosso coletivo, Pedalinas! Eles exibiram trechos do documentário da Helena “Massa Crítica” e da Pedalada do Casório

Logo depois que acabou o programa, rolou ainda uma conversa suuuper ótima com os internautas, dessa vez eu e o Beni falamos um pouco mais, pois o ambiente virtual é mais “amigável” e descontraído.. Chamei as meninas para conhecerem as Pedalinas e participarem do nosso pedal , sábado..

Isso aí.. Muito bom!!! Cada vez mais a bicicleta vai entrando na vida das pessoas e a mídia percebendo a importância de falar sobre o assunto…

Em tempo.. É uma vergonha uma tv pública (como a Cultura) com tantos funcionários NÃO TER UM BICICLETÁRIO!!! Como incentivar o uso da bicicleta desse jeito???

bloco 01 http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-08-31/29913

bloco 02 http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-08-31/29914

bloco 03 http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-08-31/29915

Investigação – Um pouco além em “Como Colocar Mais Ciclistas nas Ruas”

20 ago

Lendo o texto “Como Colocar Mais Ciclistas nas Ruas”, que foi postado ontem nesse mesmo blog, senti alguns incômodos que não soube explicar muito bem na hora, mas com um pouco mais de tempo consegui elaborar algumas coisas…

O artigo constata que deve-se dar atenção especial às preocupações das mulheres com relação à segurança e praticidade na locomoção urbana. Não discordo, mas acho importante levar a discussão um pouco adiante, pensando de maneira mais ampla e a longo prazo.  Porque será que um padrão de comportamento se repete mais frequentemente em mulheres, e aquele outro é mais comum entre os homens?

O próprio texto aponta uma hipótese: as mulheres mais frequentemente são incumbidas de afazeres domésticos que

Mulher em Biguaçu, SC, leva três crianças na bicicleta

requerem o uso do automóvel. Levar as crianças à escola e fazer compras seriam bons exemplos. Não conheço a realidade estadounidense, à qual se refere o artigo, entretanto creio que não seja demasiadamente diferente a ponto de impedir a comparação com a realidade no brasil, em que, por exemplo, é maioria a quantidade de mães que assumem a criação dos filhos, como se tal dever lhes coubesse mais que aos pais das crianças. Ou seja, banalizamos e ignoramos questões fundamentais se afirmamos que “faltam ciclovias para o mercado, a escola e a creche, e por isso as mulheres não pedalam.” Não podemos negar que, no geral, a situação atual das mulheres na sociedade seja essa, mas tambem não podemos deixar de fazer essas observações (, que sei que parecem até datadas de décadas atrás mas, como vemos, mudanças muito profundas parecem não ter acontecido).

Vasculhando a internet achei uma outra hipótese nesse post, que fala sobre os assédios de que as mulheres são vítimas nas ruas e sobre como isso influencia a escolha do meio de transporte utilizado.

Ou seriam as mulheres “naturalmente” mais cautelosas, como poderia alguem interpretar ao ler no referido texto a afirmação de que “a mulher é mais aversiva a riscos”?  Ora, pensamento muito perigoso, esse! A suposição de que há comportamentos simplesmente inerentes a um grupo, determinados por fatores como gênero, cor, classe social, etnia, etc, é forte geradora de preconceitos. Não há comportamentos inerentes ou “naturais”. Hoje em dia pode parecer clichê repetir essas idéias, mas infelizmente elas ainda não parecem ter sido muito bem assimiladas: um ciclista não precisa ser esbelto e forte para ser ciclista, um homossexual não é necessariamente afeminado, uma mulher não precisa ser delicada para ser mulher, um homem não precisa saber carregar peso para ser homem, e por aí vai. Assim como não podemos cair na crença de que mulheres são mais cautelosas porque isso é inerente a elas, nem que homens se expõem mais aos riscos porque isso é inerente a eles.

Nossos corpos e personalidades são formados não apenas geneticamente, determinados no momento da concepção. Somos majoritariamente formados no decorrer de nossas vidas, ou seja, tambem cultural e socialmente. Logo, vale questionar essa cultura em que mulheres são formadas de maneira a terem mais receios/cautelas enquanto homens se tornam mais corajosos/ inconseqüentes. O que produz tais comportamentos? Não é muito difícil arriscar alguma resposta se olharmos com mais atenção para crianças de sexos diferentes em seu ambiente familiar ou escolar, para as novelas exibidas na TV, ou para qualquer espaço de convivência. Mas isso é assunto interminável, que fica para uma outra ocasião…

A infra-estrutura segura como pré-requisito para o uso da bicicleta é associada mais à mulher que ao homem. Acredito que é válido, porem, insuficiente apenas focar em atender às preocupações específicas de cada gênero. Alem disso, devemos trabalhar para que, a longo prazo, tais preocupações não possam mais ser identificadas em função de gênero, agindo em busca de uma mudança profunda nos valores da sociedade.

Aliás, essa questão da “segurança como pré-requisito para começar a pedalar” tambem foi uma que me incomodou. Acontece que não podemos esperar que existam meios absolutamente seguros antes de começar a pedalar. É claro que cada um conhece os próprios limites, mas a necessidade de abandonar o automóvel como meio de transporte cotidiano é urgente. (Até porque é ele mesmo o principal gerador dos riscos que enfrentamos no trânsito.) Não podemos continuar destruindo a vida alheia e a nossa própria enquanto esperamos a cidade “ficar pronta para nós”.

Sem iniciativa, não há mudança. Quer dizer, alguém tem que botar a cara.

E porque nós, mulheres, deveríamos delegar esse papel aos homens? Esperar que eles se arrisquem mais do que nós, como se fôssemos “naturalmente” cautelosas (ou receosas?) e assim nos acomodarmos nesse argumento? Não é fácil. Não é fácil para ninguem. Quem já abriu uma trilha no meio do mato fechado, sabe do que estou falando. Arranhões, suor, facão na mão, muito trabalho e o avançar lento.

Assumir um modo de vida no qual acreditamos, mesmo enfrentando dificuldades por estar num meio que nos é hostil, é inevitável no processo de construção do mundo que queremos. Nós todxs abrimos caminhos, independentemente do gênero.

Aliás,  ninguém disse que seria fácil… Mas estamos aqui para mostrar que é menos difícil do que parece.

Como colocar mais ciclistas nas ruas (matéria traduzida)

19 ago

(Matéria publicada na Scientific American, em tradução livre de @mchevrand e @gabikato e indicada pelo Vitor Leal.)

Ter que convencer as pessoas a trocarem seus carros por bicicletas – um meio de transporte bem mais sustentável – sempre foi uma pedra no sapato para os urbanistas ecologicamente conscientes. Apesar de ciclofaixas demarcadas nas ruas e “caminhos verdes” livres de automóveis terem contribuído para o aumento do número de ciclistas ao longo dos últimos anos, a parcela de pessoas que utilizam a bicicleta para o transporte ainda é inferior a 2 por cento, com base em vários estudos.

Pesquisas recentes sugerem que uma melhor estratégia para ampliar o grupo dos adeptos das pedaladas pode ser fazer uma pergunta bem recorrente: O que querem as mulheres?Nos EUA, viagens de bicicleta feitas por homens superam as feitas por mulheres na proporção de 2 para 1. Esta relação contrasta com o ciclismo nos países europeus, onde o ciclismo urbano é um estilo de vida e atrai tanto mulheres quanto homens – às vezes com predominância feminina. Na Holanda, onde 27% de todos os deslocamentos são feitos de bicicleta, 55% destes são feitos por mulheres. Na Alemanha, 12% dos trajetos são percorridos de bike, e, destes, 49% são por mulheres.

“Se você quer saber se uma cidade apoia o uso de bicicletas, pode esquecer todas as detalhadas tabelas de itens que indicam se ela é ‘pedalável’ –  basta medir a porcentagem de mulheres ciclistas”, diz Jan Garrard, professor sênior da Universidade Deakin, em Melbourne, Austrália, e autor de vários estudos sobre a bicicleta e as diferenças de gênero.

Mulheres são consideradas uma espécie de “indicador” para cidades “bike-friendly”, por diversas razões. Em primeiro lugar, estudos de disciplinas tão díspares como criminologia e educação infantil têm mostrado que as mulheres têm maior aversão a riscos do que os homens. E isso se traduz em demanda por infra-estrutura segura para usuários de bicicleta como um pré-requisito para pedalar. A mulher, na maioria das vezes, é quem faz as compras de casa e cuida das crianças, o que significa que as ciclovias precisam ser pensadas levando em consideração os destinos mais úteis e comuns no dia-a-dia para fazer a diferença.

Ciclovia ao longo da Nona Avenida em Nova York, que mantém os ciclistas fisicamente isolados do trânsito de automóveis. Tais planejamentos tornam os trajetos de bicicleta mais seguros e podem aumentar o número de mulheres ciclistas. (trad. da fonte)

“Apesar de nossa esperança de que as desigualdades entre as funções estabelecidas para cada gênero deixem de existir, elas ainda estão aí”, diz Jennifer Dill,  pesquisadora de planejamento e transporte na Universidade Estadual de Portland. Responder às preocupações das mulheres sobre segurança e praticidade ajudará a aumentar o número de pessoas sobre duas rodas, Dill explica.

Até agora, poucas cidades têm assumido o desafio. Nos EUA, a maioria das estruturas para os ciclistas consiste em ciclofaixas, que exigem do ciclista pedalar no trânsito entupido de veículos, observa John Pucher, professor de planejamento urbano na Universidade de Rutgers e estudioso de longa data do assunto “bicicleta”. E quando as cidades constroem ciclovias protegidas do trânsito das ruas, quase sempre elas são ao longo de rios e parques, em vez de traçarem rotas mais úteis como “para o supermercado, escola ou creche”, diz Pucher.

Embora os pesquisadores estejam examinando a infra-estrutura para a bicicleta na Europa há um bom tempo, eles estão apenas iniciando pesquisas nos EUA. Em um estudo realizado no ano passado, Dill analisou o efeito de diferentes tipos de instalações para bicicletas no ciclismo. O projeto, que utilizou GPS para registrar trajetos individuais de bicicleta em Portland, comparou as rotas mais curtas com aquelas que os ciclistas realmente seguiam na prática. As mulheres eram menos propensas do que homens a seguir em ciclovias de ruas movimentadas e preferiam sair um pouco de seus caminhos para passar pelas “bike boulevards”, tranquilas ruas residenciais com características especiais que tornavam o tráfego mais calmo para bicicletas. “As mulheres se desviavam das rotas mais curtas com mais frequência”, aponta Dill.

Outros dados apoiam tais constatações. Em Nova York, os homens são três vezes mais inclinados a se tornarem ciclistas do que as mulheres. No entanto, uma contagem de bicicletas mostrou que, em uma ciclovia no Central Park, 44% dos ciclistas eram do sexo feminino. “Dentro de uma mesma cidade você encontra disparidades enormes em termos de gênero”, observa Pucher.

Boa infra-estrutura por si só não irá melhorar o índice de mulheres quanto ao uso da bicicleta, os pesquisadores alertam. Em uma cultura dominada pelo automóvel, “iniciativas alternativas” também desempenham um papel, diz Susan Handy, um professor de ciência ambiental da Universidade da Califórnia, Davis. Em um estudo que será publicado em Transportation Research Record, Handy concluiu que “conforto” e “necessidade de um carro”, foram fatores importantes que influenciaram as taxas de ciclismo entre as mulheres, mas não entre homens. A necessidade de um carro é provavelmente ligada às tarefas domésticas comumente desempenhadas pelas mulheres, diz Handy, e isso poderia ser resolvido, em parte, por divulgações mostrando que as mulheres podem “saltar sobre uma bike do mesmo jeito como saltam para dentro de um carro.”

Alguns municípios estão começando a implementar uma “segunda leva” de estratégias que visam ampliar a demografia ciclística. Em Portland, uma cidade já conhecida por seu ciclismo urbano, o programa Women on Bikes é voltado para assuntos como a manutenção de um pneu furado. A cidade também está construindo sua primeira ciclovia em estilo europeu, isolada de carros e pedestres. Ao longo de todo o país, programas estaduais e federais de Rotas Seguras para Escolas estão criando ciclovias para as crianças, para que elas não precisem ser conduzidas de carro por seus pais.

Logo em seguida pode vir a cidade de Nova York, onde foram instalados cerca de cinco quilômetros de ciclovias protegidas do tráfego de automóveis. O crédito vai para a nova Diretora de Transportes Janette Sadik-Khan, que está desfazendo o foco de longa data que o departamento concedia aos caminhões e automóveis. Observações Pucher: “Uma ciclista tornou-se chefe do Departamento de Transportes, e coisas maravilhosas começaram a acontecer.”.

Pedalinas na CBN

16 ago

O jornalista Gilberto Dimenstein mandou muito bem ao falar das Pedalinas na CBN. Além da questão da mulher no trânsito de São Paulo, ele aborda o problema das obras feitas EXCLUSIVAMENTE para os carros e como a cidade tem gastado tempo e (muito) dinheiro numa política de mobilidade urbana que NÃO tá dando certo!!!

“As Pedalinas são um exemplo do civilidade”, disse o Dimenstein.

Parabéns ao pessoal da CBN e obrigada pela divulgação…

Escute aqui

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