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A Rua é de Todxs! Caminhada, Pedal e Piquenique – 25/03

20 mar

Andar na rua sem ninguém te atormentar deveria ser um direito de todo mundo. Mas não é. Algumas pessoas são assediadas. Por serem mulheres. Por serem transexuais. Por serem gays, lésbicas. Outras, correm risco de morrer ou ser atropeladas. Porque são ciclistas. Porque estão a pé, atravessando a faixa de pedestres.

Entendemos que isso não pode continuar. E nesse domingo, vamos nos encontrar para falar sobre isso, entre a gente e com as pessoas que encontrarmos no caminho. Um pedal e uma caminhada até o parque, aonde faremos um piquenique. E conversaremos. E trocaremos experiências. E nos afofaremos em virtude dos acontecimentos tristes do último mês – a perda de uma mulher e ciclista. Março é o mês da mulher, e um bom mês para lembrarmos que não queremos rosas, e sim, direitos. Como andar na rua. Sem ninguém encher o saco. Ou tentar nos matar.

A rua é de todxs. 😉

Imagem

p.s.: flyer lindo que a Gabi Kato fez.

p.s.s.: não esqueçam de levar comida para o piquenique!

p.s.s.s.: na Praça dx Ciclista, faremos cartazes e enfeitaremos as bikes com fitás lilás (a cor do feminismo). Mais ideias e iniciativas são muito bem-vindas. 🙂

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Mão na Roda Itinerante

23 ago

Quer ajudar a tirar do papel uma ideia bacana?

Então vamos lá. A Mão Na Roda é uma oficina de mecânica de bicicletas comunitária. Você vai lá e os voluntários te ajudam a consertar a sua própria bicicleta. O projeto é da Ciclocidade, está em funcionamento há mais de um ano e faz um danado de um sucesso.

Aí surgiu a ideia de fazer uma MNR itinerante, para levar a oficina para mais pessoas e lugares. O projeto foi inscrito no Festival de Ideias. As três ideias mais legais ganham R$ 10 mil para financiar o plano. Não é legal?

Para participar, basta ir na página do projeto no site do festival e curtir no Facebook. Facinho, né? Vai lá!

Indo mais longe: aula de cicloviagens e longa distância!

9 jun

Nesse sábado, dia 11 de junho, teremos mais uma aula do Curso de Bicicleta das Pedalinas!

O tema é: Indo mais Longe: Cicloviagens e Ciclismo de Longa Distância.

Falaremos de algumas questões como: Será que eu consigo? Como se preparar para viajar de bicicleta. Planejamento. O que levar. Revisão da bicicleta. O que comer. Audax e as provas estilo randonée. Preparo físico e, principalmente, psicológico.

Haverá um desafio especial para as mulheres que comparecerem! \o/

Nessa aula, também começaremos os preparos para a tão aguardada Cicloviagem das Pedalinas, que vai rolar no dia 02 de julho! Hora de contagem regressiva e de começar a revisar a bike, fazer os últimos treinos e saber o que levar no alforge.

O curso será às 14h30.
Vai ser no Espaço Contraponto:
Rua Medeiros de Albuquerque, 55, Vila Madalena, SP.

Como sempre, a atividade é só para mulheres. 😉

Venham!

A primeira vez a gente nunca esquece

9 maio

Ensinei uma pessoa a andar de bicicleta.

Se falo de mim, não é por excessos de ego: é porque a emoção foi muita. Eu nunca tinha ensinado ninguém – não sabia o que esperar. Mas o mérito mesmo foi dela. Adulta, nunca tinha pedalado. Achava que não ia conseguir.

Três meninas que agora sabem andar de bicicleta

Mas ela foi valente, venceu o medo, se equilibrou. Dei algumas dicas, segurei a bicicleta para ela um pouco, corri ao seu lado enquanto ela girava os pedais. E, algumas voltas depois, pronto! Lá estava ela, se emancipando de mim, sem querer parar de pedalar.

Minha primeira aluna. Orgulho!

Ela foi a primeira. Mas não foi a única. No mesmo dia, sete outras mulheres encararam o desafio de tentar aprender a pedalar, no primeiro dia do curso de bicicleta das Pedalinas, no sábado. Eu e várias outras meninas do coletivo fomos lá para tentar ajudá-las a aprender, da melhor forma que pudéssemos. Algumas das novatas nunca tinham subido em uma bicicleta. Outras, tinham tentado e caído na infância, e ficaram traumatizadas. Outras tinham sofrido a clássica repressão em casa – é perigoso demais, você não consegue… Mas elas conseguiram. Todas, todas vitoriosas. Algumas, a maioria, já saíram andando sozinhas, não queriam largar as bicis. Outras precisam de um pouco mais de treino – questão de prática até que encontrem seu equilíbrio. Cada uma tem seu tempo, que é importante respeitar. Quantos tombos levei na infância, até me desapegar das rodinhas de apoio!

Carol correndo atrás de sua aluna emancipada

Corajosas. Se eu já não soubesse pedalar, não sei se encararia o desafio de aprender hoje – às vezes nossos medos ficam tão grandes, nos paralisam. Mas essas meninas enfrentaram esses medos, esses fantasmas, esses traumas. Bravas. E tão felizes ficaram!

As aulas práticas foram antecedidas de uma aula teórica curta, em que falei da história das bicicletas e a Verônica explicou o que eram algumas partes e peças da bici.

Aulinha teórica sobre a história das bicis

Falamos da importância da bicicleta para o movimento de emancipação das mulheres. De como isso foi importante para que diminuíssem as diferenças de direitos entre os sexos e ajudou a formar uma nova imagem de mulher, menos frágil, mais independente. E logo em seguida vivemos isso na prática: mulheres se emancipando, vencendo limites. Foi lindo. Histórico. Épico. Uma forma incrível de comemorar o aniversário de dois anos do coletivo.

Verônica apresenta os principais componentes de uma bike

De tarde, o passeio mensal foi ótimo também, com um passeio pelo centro, paradinha na Soroko para tomar sorvetes e depois um bate-papo na Casa das Rosas. Quem estava de manhã, não parava de comentar o sucesso da oficina de ensinar a pedalar.
Ensinei mulheres a andar de bicicleta. E, por clichê que possa soar: elas me ensinaram muito mais.

P.S.: Sábado que vem tem mais Curso das Pedalinas! Dessa vez, Mão na Graxa, oficina de mecânica. E, dado o sucesso da aula de Primeiras Pedaladas, vamos continuar com essa parte prática, para que as meninas que começaram a aprender possam praticar mais. Novas meninas que quiserem começar do zero também são bem-vindas. Fiquem ligadas no blog para ver a programação completa do curso, horários e locais.

Mandala na Praça da Sé, no passeio mensal!

P.S.2: Mais fotos do curso e do passeio mensal no Facebook da Silvia, autora das imagens acima, e no Picasa das Pedalinas.

O que é uma bici feminina?

16 fev

Quadro rebaixado? Cestinha, desenhos de flores?

Nosso amigo Odir escreve um pouco sobre como são, e como deveriam ser, as bicicletas específicas para mulheres. O tema rende pano pra manga. Aqui um trechinho:

“existe um estereótipo que limita o uso de bicicletas por parte de mulheres. há décadas martela-se que a bicicleta feminina por excelência é uma bike com o quadro rebaixado pra permitir que se pedale com saias e tem uma cesta na frente, preferencialmente cheia de flores.

e então a menina de 1,55 de altura pega uma monark brisa com essa configuração e passa a pedalar sofrendo: inobstante o quadro rebaixado e a cestinha, ela é comprida demais para seu corpo, não tem marchas e ainda por cima está como selim muito abaixo do que deveria, o que lhe torna o pedalar muito cansativo. 3 meses depois a bicicleta está parada e a menina passa a sonhar com um SUV.”

Continue lendo o post do Odir aqui! 😉

Na chuva, na rua, de bicicleta

10 jan

Apoteótico. Assim foi o encontro de sábado das Pedalinas.

Muitas meninas – contei mais de 25 em dado momento – apareceram, mesmo com o tempo fechado e a chuva ameaçando despencar forte. E todas com vontade de começar o ano do melhor jeito: pedalando, em grupo, entre amigas.

A vontade era tanta que ninguém ficou com medo do temporal que, tínhamos certeza, iria cair. Antes de sairmos da Praça do Ciclista, nosso habitual ponto de encontro, perguntei se as meninas estavam mesmo animadas a pedalar até a Liberdade (sugestão aventada na lista de e-mails) para passear e comprar mantimentos, pois a ideia era fazer um pós-encontro na minha casa, depois (ideia também aventada na lista). A outra opção era dar uma voltinha pela Paulista mesmo, só para dar um rolê, e depois comprar as coisas em Pinheiros, perto de casa.

Indo até a Liberdade, a chuva era certa, mas se fôssemos rápido para casa, talvez escapássemos. A questão hamletiana do momento era: pegar chuva ou não pegar? A resposta foi praticamente unânime: chuva! E assim foram todas as valentes mulheres enfrentar o tempo ruim. Doces sim, mas não de açúcar, rsrs.

Na Liberdade, tomando chuva

O trajeto até lá foi tranquilo : a chuva caiu, mas não estava forte demais. Depois de fazermos comprinhas em um mercado ali do bairro japonês, aventei a possibilidade de voltarmos de metrô, afinal, já tínhamos pedalado um pouco, e algumas iniciantes – havia, como sempre, algumas meninas que estavam arriscando as primeiras pedaladas na cidade com o grupo – poderiam achar meio traumatizante a coisa da chuva e tal. Eu advogava em causa própria, claro: estreando a speed nova, tava meio ansiosa por andar na chuva, os pneus fininhos derrapam que é uma beleza. Mais uma vez, fui surpreendida pela valentia das novatas: o povo queria mesmo é pedalar! Apenas duas meninas foram de metrô, solução que confesso, fiquei tentada a adotar, se não tivesse que ajudar a fechar o grupo (ééé).

Primeiro encontro do ano

Na minha casa, Sarah começou a preparar o yakissoba de legumes (vegan-friendly) enquanto Joana e Verônica e mais algumas das meninas foram correr atrás das coisas para o clericot. Bebida muito phina para o nosso encontrinho.

Prendendo algumas das bikes

A comida ficou incrível, a bebida, maravilhosa. Tivemos até sobremesa de frutas com chocolate, hmmm. Mas o melhor mesmo foi a conversa: muitas meninas (17? 18? 20?) papeando sobre tudo, a vida, o universo e tudo o mais. E, é claro, bicicletas. Do encontro saíram planos para uma cicloviagem próxima, mais cine-pedalinas e talvez alguns encontros extras, para pedalar mais e mais pela cidade.

As últimas [e últimos! alguns meninos conseguiram se infiltrar no after-party, e tudo bem, gostamos deles, não estamos aqui para fazer guerra entre os sexos. 😉 ] garotas  foram embora lá pelas 3h da manhã, depois de assistirmos algumas manobras da Carina na rua. A menina tava arretada! Bem no espírito do encontro todo, aliás. Foi lindo, minas! Façamos mais vezes! Aliás, faremos. 😉

Ahaza, Carina!

Mais fotos no meu Facebook e no Multiply da Sarah. 😉

Como foi bom pedalar

21 out

Esse relato foi escrito pela minha mãe, a Marisa, que mora em Uberaba, lá em Minas Gerais, onde nasci. Ela me mandou por e-mail, depois de me ligar toda feliz, com uma novidade especial. Agora ela é uma Pedalina também. 🙂

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Como foi bom pedalar

Chegamos ontem à tarde. Teria sido apenas mais uma viagem de férias, comum, mas para mim teve um sabor especial: realizei inesperadamente um velho sonho: consegui pedalar uma bicicleta sozinha! Bem, pra quem não me conhece pode parecer uma grande bobagem, mas é preciso que se saiba que tenho uma limitação física no quadril desde a infância. Essa deficiência se agravou com o tempo, de modo que ultimamente não consigo caminhar por grandes distâncias (mais que um quarteirão…), o que levou meu marido a adquirir um triciclo com banquinho para passageiro… E neste triciclo, que acabou se revelando uma excelente compra, pude aproveitar melhor nossos passeios pela praia. Mas sempre na carona. Dessa vez, após presenciar tentativas hilárias de nossos amigos tentando conduzir nossa “Zafira”, e percebendo que seria praticamente impossível cair dela, arrisquei! Primeiro com meio pedal, depois percebi que conseguia pedaladas completas, ainda que com a velocidade de uma tartaruga… Para mim foi uma grande vitória! Foi muito bom! E pude perceber, então, a sensação de liberdade que com certeza os ciclistas sentem… De frente pro mar, na areia, contra o vento… E a paixão que minha pedalinazinha possui não é sem fundamento. Filha, pedale por nós duas! Por aqui continuarei tentando, devagarzinho…

por Marisa Callegari

Pedalando a Zafira

Dessa vez, o banco do carona ficou vazio

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